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Variedade Sexta-feira, 26 de Abril de 2024, 09:33 - A | A

Sexta-feira, 26 de Abril de 2024, 09h:33 - A | A

Jacqueline Valadares, presidente do Sindicato de Delegados de Polícia de São Paulo, afirma que a Polícia Civil necessita de maior investimento e atenção dos governos

Divulgação

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Convidada para participar do quarto episódio do Prodecast, a Delegada de Polícia e presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, Jacqueline Valadares defendeu a necessidade de valorização da Polícia Civil e reivindicou melhorias para os profissionais que atuam na Repressão ao Crime, em especial na Investigação Policial

Atuando como delegada de polícia em São Paulo desde 2012, Jacqueline Valadares tornou-se uma referência, sendo indicada ao Prêmio de Melhor Delegada de Polícia do Brasil em 2022. No mesmo ano, foi eleita para presidir o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, durante o triênio de 2022 a 2025.

Em entrevista ao Prodecast, a delegada demonstrou preocupação com o futuro da segurança pública em São Paulo, que ano após ano sofre com cortes e diminuição de seu efetivo. Segundo levantamento divulgado em fevereiro deste ano pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), entre 2013 e 2023, o efetivo da polícia civil do estado de São Paulo, reduziu seus quadros em 19,5%, passando de 32.278, para 25.980 profissionais na ativa no estado.

“Hoje nosso deficit na polícia civil é de aproximadamente 40%, em nosso quadro. Estamos trabalhando com 17 mil profissionais a menos do que necessitamos. Recentemente tivemos a aprovação de novos policiais civis em concurso realizado no ano de 2022, entretanto, o governo optou por não nomear todos os candidatos aprovados, e que estavam aptos para fazerem parte da corporação”, destacou a Delegada em entrevista ao Prodecast.

Em paralelo a não nomeação dos novos profissionais para integrarem o efetivo da polícia civil do estado, nos últimos dias, o governo de São Paulo, gerido por Tarcísio de Freitas, gerou uma tensão na relação entre a Polícia Militar e Polícia Civil. Por meio da Secretaria de Segurança Pública, as autoridades delegaram à PM a responsabilidade pela Operação Fim da Linha, que investiga o envolvimento do crime organizado com empresas de transporte público, para lavagem de dinheiro.

O motivo do incômodo gerado com esta atitude do governo, é que desde o fim da ditadura militar no Brasil, e em especial a partir da Constituição de 1988, a Polícia Civil tornou-se a única responsável para a realização de investigações criminais. Entretanto, com a recente determinação da Secretaria de Segurança Pública, essa responsabilidade foi repassada para a Polícia Militar, que atua no patrulhamento das ruas, ou seja, diminuindo o efetivo que realiza rondas ostensivas e preventivas, desta forma deixando a população ainda mais vulnerável no dia a dia.

“A constituição federal, previu que cada polícia teria sua atribuição, Civil, Militar, Federal, todas são extremamente importantes, e elas se complementam, cada uma com sua área de atuação. Mas as organizações não podem se misturar, a partir do momento que transfiro a atribuição de uma polícia para outra, surge um enfraquecimento, deixando um setor da segurança descoberto, e quem perde com isso é a população”, explicou Jacqueline Valadares.

As declarações da delegada foram realizadas durante a gravação do quarto episódio do Prodecast, apresentado pelo Doutor Clóvis Ferreira de Araújo, ex-Delegado de Polícia de São Paulo e atualmente advogado. A diretora do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, abordou durante o programa as dificuldades da profissão, que sofre com a perda de funcionários e pelo menosprezo do Governo, que não atende as reivindicações do setor. O episódio completo foi ao ar nesta quarta-feira, 24 de abril, e está disponível pelo canal oficial da Prodetech no Youtube.




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