logomarca
Cuiabá, 15 de Julho de 2024.

Saúde Quarta-feira, 24 de Abril de 2024, 12:17 - A | A

Quarta-feira, 24 de Abril de 2024, 12h:17 - A | A

chocolate

O efeito do chocolate no cérebro

Divulgação

unnamed.jpg

 

Dr. Fabiano de Abreu Agrela nos ajuda a explorar o doce impacto do chocolate na mente e corpo

À medida que a Páscoa se aproxima, muitos de nós cedemos ao prazer de saborear chocolates, mas você já se perguntou como essa delícia afeta seu cérebro? Dr. Fabiano de Abreu Agrela, Pós PhD em Neurociências pela Califórnia University e especialista em Nutrição Clínica pela TrainingHouse de Portugal, traz um olhar científico sobre esse tema fascinante.

"O chocolate não é apenas uma questão de paladar, é uma experiência cerebral complexa," explica o Dr. Agrela, líder do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH). "Ele interage com o cérebro de maneiras surpreendentes, influenciando desde neurotransmissores até o nosso comportamento."

Prazer Versus Aversão: Estudos revelam como o chocolate ativa diferentes áreas cerebrais, dependendo se é percebido como agradável ou não. "Isso mostra a intricada relação entre comida e percepção," aponta o Dr. Agrela.

Flavanóis do Cacau e o Cérebro: Pesquisadores do CPAH destacaram os efeitos neuromoduladores e neuroprotetores dos flavanóis do cacau. Dr. Agrela observa que "eles acumulam em regiões ligadas à aprendizagem e memória, sugerindo benefícios para a função cerebral."

Benefícios Cognitivos e Riscos: Estudos sugerem que o consumo regular de chocolate pode proteger o cérebro contra declínio cognitivo. No entanto, Agrela alerta sobre os riscos de consumo excessivo, que podem levar a uma maior excitabilidade em circuitos neurais.

Genética e Preferências Alimentares: "Não podemos ignorar a genética nas nossas preferências alimentares," afirma Agrela. Variações genéticas influenciam a forma como interagimos com alimentos como o chocolate.

Chocolate, Cognição e Saúde Cardiovascular: Pesquisas não encontraram efeitos significativos do consumo de chocolate na cognição ou saúde cardiovascular em curto prazo, levando a questionamentos sobre os supostos benefícios cognitivos do chocolate.

Chocolate e Alzheimer: O Dr. Agrela destaca uma pesquisa de Pasinetti (2013), mostrando que o chocolate pode ajudar na prevenção da deterioração cognitiva na doença de Alzheimer.

Prazer e Benefícios: Estudos mostram que o chocolate ativa diferentes áreas cerebrais, alternando entre percepções de prazer e aversão. Os flavanóis do cacau possuem efeitos neuromoduladores e neuroprotetores, melhorando a cognição e a saúde cerebral.

Contaminação por Chumbo: Contudo, uma preocupação emergente é a contaminação por chumbo em produtos de cacau e chocolate. O cientista Dr. Kruszewski descobriu que, apesar da redução de metais pesados como o chumbo durante o processamento do chocolate, ainda existe o risco de contaminação, especialmente para crianças. Foi identificado que a contaminação por chumbo em produtos de chocolate é significativamente mais alta que nos grãos de cacau naturais, sugerindo que a contaminação ocorre principalmente durante o transporte e processamento.

Riscos à Saúde: A exposição ao chumbo, mesmo em baixas quantidades, pode ser prejudicial. O chumbo é um metal tóxico que pode causar doenças renais, reprodutivas, nervosas, imunológicas e cardiovasculares em adultos. Em crianças, pode causar doenças comportamentais e de desenvolvimento, além de déficits de aprendizagem.

Dr. Agrela alerta: "Embora o chocolate possa ser benéfico para a saúde cerebral e cognição, é crucial estar ciente dos riscos de contaminação por chumbo, principalmente em crianças. Consumir chocolate de fontes confiáveis e em moderação é a chave para aproveitar seus benefícios sem comprometer a saúde."

Em conclusão, o Dr. Agrela ressalta: "O chocolate pode ser um aliado para a saúde cerebral e cognição, mas como tudo na vida, o equilíbrio é chave." Com estas informações, podemos apreciar nosso chocolate de Páscoa não apenas pelo sabor, mas também pelo seu intrigante impacto no nosso cérebro e bem-estar. Referências:

  1. SMALL, D. et al. Changes in brain activity related to eating chocolate: from pleasure to aversion. Brain : a journal of neurology, [s.l.], v. 124 Pt 9, p. 1720-33, 2001.
  2. SOKOLOV, A. et al. Chocolate and the brain: Neurobiological impact of cocoa flavanols on cognition and behavior. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, [s.l.], v. 37, p. 2445-2453, 2013.
  3. NEHLIG, A. The neuroprotective effects of cocoa flavanol and its influence on cognitive performance. British journal of clinical pharmacology, [s.l.], v. 75 3, p. 716-27, 2013.
  4. CICVARIC, A. et al. Sustained consumption of cocoa-based dark chocolate enhances seizure-like events in the mouse hippocampus. Food & function, [s.l.], v. 9 3, p. 1532-1544, 2018.
  5. NAGEL, M. et al. Meta-analysis of genome-wide association studies for neuroticism in 449,484 individuals identifies novel genetic loci and pathways. Nature Genetics, [s.l.], v. 50, p. 920-927, 2018.
  6. CREWS, W. D. et al. A double-blind, placebo-controlled, randomized trial of the effects of dark chocolate and cocoa on variables associated with neuropsychological functioning and cardiovascular health: clinical findings from a sample of healthy, cognitively intact older adults. The American journal of clinical nutrition, [s.l.], v. 87 4, p. 872-80, 2008.
  7. PASINETTI, G. Chocolate may attenuate cognitive deterioration in Alzheimer's disease through prevention of gene expression related to depressive disorder. The FASEB Journal, [s.l.], v. 27, 2013.

 




Comente esta notícia