logomarca
Cuiabá, 21 de Junho de 2024.

Variedade Quinta-feira, 30 de Novembro de 2023, 10:34 - A | A

Quinta-feira, 30 de Novembro de 2023, 10h:34 - A | A

integração

Participantes do ‘Senac Integra’ recebem orientações de saúde e têm a possibilidade de discutir políticas públicas

Reeducandos do programa assistiram palestras e participaram do ‘1º Seminário LGBTQIA+ Prisional de Mato Grosso’

Divulgação

Divulgação Senac-MT (1).JPG

 

As pessoas privadas de liberdade que participam do ‘Senac Integra’ assistiram,  ontem (29), palestras sobre prevenção e combate a doenças visando a qualidade de vida. Também receberam orientações e serviços de saúde, como aferição de pressão e teste do índice glicêmico.

O ‘Senac Integra’ é o programa de inserção social do Sistema Fecomércio-MT, por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial em Mato Grosso (Senac-MT), que oferece trabalho remunerado, qualificações profissionais gratuitas e apoio familiar a homens, mulheres e LGBTQIAP+ dos regimes fechados e semiaberto do Sistema Penitenciário mato-grossense.

As ações de quinta-feira aconteceram no local de trabalho dos participantes, uma obra do Senac-MT na região central da capital. O programa é realizado em parceria com o Poder Judiciário mato-grossense, via Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), bem como Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) e Fundação Nova Chance (Funac).

O presidente do Sistema Fecomércio-MT, José Wenceslau de Souza Júnior, celebrou mais esta etapa do ‘Senac Integra’. “Mais um passo rumo à inserção social das pessoas privadas de liberdade por meio deste programa inédito no país, pois oferece capacitações profissionais de qualidade e gratuitas, trabalho digno, remuneração, apoio familiar, social e espiritual”, elencou Wenceslau Júnior.

Divulgação

Divulgação Senac-MT (2).JPG

 

A participante A.C.H., de 31 anos, se disse uma entusiasta da área da saúde e que está aproveitando as oportunidades de se qualificar para superar os desafios que as egressas enfrentam na sociedade e no mercado de trabalho. “Lá dentro [unidade prisional] estou cursando ‘Gestão Hospitalar’ e nem sempre temos acesso a esses serviços de saúde. E eu gosto muito de saúde. Minha vontade é fazer o ‘Técnico em Enfermagem’. Quando recebi a proposta de vir para o ‘Senac Integra’ aceitei logo de cara, devido aos cursos e aprendizados em outras áreas. Quando saímos às ruas não é fácil arrumar serviço, ainda mais se estivermos de tornozeleira [eletrônica]. Então, quero sair com mais cursos e experiência de elétrica, pintura”, elencou.

E L.D.C., de 35 anos, nunca havia feito trabalhos extramuros e avalia a experiência como positiva. Ela está na expectativa para os cursos profissionalizantes previstos para iniciarem em janeiro do próximo ano. “Esta é a primeira vez que saio para trabalhar e está sendo maravilhoso, estou gostando muito do programa. Agora, estou aguardando para os cursos que vão começar em janeiro. Tenho bastante interesse na área de administração”, destacou. 


Seminário


Já na terça-feira (28), o grupo de trabalhadoras e futuras estudantes do ‘Senac Integra’ participaram do ‘1º Seminário LGBTQIA+ Prisional de Mato Grosso’ realizado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF-MT), em parceria com a Associação Mais Liberdade.

K.S.R., de 32 anos, relatou sofrer preconceito devido à sua identidade de gênero, o que lhe impediu de ter pleno desenvolvimento educacional e acesso ao mercado formal de trabalho. “A gente não tem oportunidade. Quando a gente sai da cadeia, a gente sai com tornozeleira e, muitas vezes, não têm oportunidade de emprego, por já ter sido presa e também por ser lésbica. Sempre tem aqueles olhares, a gente sente na pele o preconceito mesmo”, pontuou.

Ela afirma que vê com esperança a realização do 1º Seminário LGBTQIA+ Prisional. “Eu espero que mude bastante coisa porque pra quem está no fechado está complicado porque ficar lá com preconceito é muito difícil, mas acho que vai dar certo porque a gente já conversou com o desembargador sobre ter uma ala LGBT dentro da unidade feminina, que é o que nós precisamos no momento”, reivindicou. 
Outra recuperanda que se identifica como lésbica, J.R., afirmou que o evento a fez sonhar com maior representatividade. “Eu estava sentada ali ouvindo e pensando se um dia eu estiver representando as que estão lá dentro”, verbalizou.

Na oportunidade, a presidente do TJMT, desembargadora Clarice Claudino da Silva, destacou a relevância do evento. “Vejo como muito importante essa iniciativa até mesmo para quebrar alguns paradigmas, tabus e dar o exemplo de que a inclusão, a fraternidade e esse tratamento humanizado precisa ser cada vez mais parte da nossa vida no cotidiano, afinal de contas, somos todos irmãos. E é com esse espírito de fraternidade, igualdade e inclusão que nós recebemos esse evento e estamos muito contentes em participar, especialmente com a presença de muitas autoridades e toda a cúpula que representa o sistema prisional no nosso estado”, disse.

 O supervisor do GMF-MT, desembargador Orlando de Almeida Perri, destacou que o seminário é o momento de debater as questões relacionas à população LGBTQIA+ e também à população feminina, sendo os dois grupos mais vulneráveis no sistema prisional. “Vamos tratar dessas políticas, procurar soluções. Já estamos trabalhando em algumas áreas. Temos que melhorar as condições das pessoas que estão cumprindo pena no sistema prisional que pertencem a essa população, mas também temos que cuidar do retorno delas à sociedade. Na maioria das vezes, essas pessoas deixam o sistema prisional, vão para as ruas e lá cometem novos crimes e voltam para o sistema prisional e vivem nesse círculo vicioso de entrada e saída no sistema prisional”, afirmou.

 




Comente esta notícia