Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 28-01-2022 às 14:43

Comando da PM se une a campanha pelo fim da violência e homenageia mulheres que fazem a diferença

A Campanha Laço Branco teve início no Brasil em 1999, coordenada por uma Rede de Homens que trabalha pela Equidade de Gênero.

Organizadoras do Conecta 21 | Creditos: RCQ

Na  segunda-feira(06), no Comando Geral da Polícia Militar, várias mulheres foram homenageadas pelo Conecta 21 - em alusão aos 21 dias de ativismo pela erradicação da violência contra a mulher -, criada em Cuiabá, pelo Grupo Até Quando MT, junto a outros três coletivos Mulheres do Brasil [Núcleo Cuiabá], Ampara Elas e Virada Feminina de MT. E coordenada pela Lírios[Organização da Sociedade Civil de Atendimento Psicossocial à Mulheres e Crianças em Situação de Violência.

As ações do Conecta 21 iniciaram no dia 19 de novembro, com as ativistas destes quatro coletivos cumprindo uma extensa agenda. Na manhã desta segunda, o objetivo do evento, além de parabenizar mulheres de coragem, teve também o intuito de convocar os homens a se mobilizarem em ações, pelo fim de todas as formas de violência contra a mulher.

Data escolhida a dedo, já que neste dia 6 de dezembro se comemora, mundialmente, a Campanha do Laço Branco, coordenada no país por uma Rede de Homens que trabalha pela Equidade de Gênero. Assim, levada para dentro de uma corporação onde grande parte é constituída de homens. 

A Campanha Laço Branco teve início no Brasil em 1999, coordenada por uma Rede de Homens que trabalha pela Equidade de Gênero. Mas nascida em dezembro de 1989, em Montreal, no Canadá, após o assassinato de 14 estudantes dentro de uma escola por um homem que aos gritos, dizendo que odiava feministas, ainda 14 outras pessoas, 10 delas mulheres e depois se matou.

Depois desta tragédia e como uma forma de mostrar que boa parte dos homens não compactua com a violência, um grupo de homens canadenses criou a Campanha, chamando-a de Laço Branco, como símbolo da luta masculina contra todos tipos de violência imposto à mulher. E ela, graças a Deus, se espalhou pelo mundo.

O evento denominado - 'Mulheres que fazem a diferença nos espaço de poder e que inspiram outras’ -, homenageou a deputada emedebista, Janaina Riva, a vereadora democrata, Michelle Alencar, a juíza Amini Haddad, a presidente da Academia Mato-Grossense de Letras, Sueli Batista, mulheres policiais militares e ainda várias outras profissionais como delegadas, empresárias, advogadas, jornalista e ainda uma psicóloga que também é musicista. Mulheres aguerridas, muitas delas responsáveis pela realização de belíssimos trabalhos de acolhimento às mulheres vítimas de violência, como Maria Fernanda Figueiredo que dirige a Lírios e uma das coordenadoras do evento.

Da Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais-BPW Cuiabá fora homenamgeadas a Diretoria Jurídica, Érica Soler e a coordenadora da Comissão Condição da Mulhet, Joeli Castelli.

Também como forma de dar, igualmente, representatividade à esta luta, foram homenageados o juiz Jamilson Haddad Campos e o coronel Jonildo José de Assis, comandante geral da Polícial Militar, com um certificado especial - 'Mulheres que fazem a diferença nos espaços de poder e que inspiram outras e homens que quando convocados para esta luta, criam ações institucionais em defesa da mulher'.

Desta forma, sob a batuta da tenente coronel Emirella, comandante da Patrulha Maria da Penha, em Mato Grosso, e a suplente de vereadora, Maysa Leão(Cidadania) - que atuaram como belas cerimonialistas -, o evento buscou não somente parabenizar estas mulheres de coragem, mas teve, igualmente, o intuito de convocar os homens a se mobilizarem em ações pelo fim de todas as formas de violência que tenha a mulher como alvo.

Mas roubaram mesmo a cena hoje a estudante Amini Haddad e seu colega de classe Ricardo César Moreira Júnior, que inspiraram a criação de uma lei nacional - de N° 14.164/2021 -, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro, no dia 10 de junho de 2021, que institui a Semana Escolar de Combate à Violência contra Crianças, Adolescentes e Mulheres. O projeto foi defendido além dos dois, na época, ainda pelas colegas Ana Carolina Ulhoa Xavier e Sophia Rodrigues dos Santos, do Colégio NotreDame de Lourdes.

Amini é filha do juiz Jamilson Haddad Campos, 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá e sobrinha da também magistrada Amini Haddad Campos, do Juizado Especial Criminal da Comarca de Várzea Grande.

Luta sem trégua

As estatísticas da violência contra as mulheres são alarmantes. Segundo a ONU, cerca de 70% das mulheres sofrem algum tipo de violência ao longo da vida, apenas por causa de seu gênero. A violência de gênero é considerada pela organização uma pandemia global.

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública o início da pandemia trouxe uma situação dramática para as mulheres que ficaram confinadas em casa com seus agressores: os números de denúncias diminuíram. Isto significa que as mulheres não conseguiam pedir ajudar, apesar do aumento considerável dos casos de violência doméstica.

Dados do órgão revelam que em 2020 foram registrados 1350 feminicídios no Brasil, um caso a cada seis horas e meia. Em Mato Grosso, que lidera este triste ranking no país, 78 mulheres perderam suas vidas em 2021, vítimas do feminicídio.

Ainda conforme o Ministério da Família, houve um crescimento de 6% para os casos de feminicídios, e de 34% para denúncias do canal 180, neste último ano, comparado com o mesmo período do ano passado.

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