Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 11-04-2021 às 05:56

Crianças se tornam “colecionadoras de memórias” em roteiro poético pelo Centro Histórico de Cuiabá

No projeto, dentre os pontos visitados, a Academia Mato-Grossense de Letras, onde foram recebidos pela presidente da instituição

Participantes do projeto na Academia Mato-Grossense de Letras, recepcionados pela presidente Sueli Batista | Creditos: Divulgação

No dia 13 de março um pequeno grupo incursionou por vários lugares emblemáticos da Cuiabá antiga, aprendendo sobre história, cultura e modos de ser e estar em Cuiabá.

Reconstituir os passos de  que vivenciaram uma Cuiabá de outrora e assim, enxergá-la de uma perspectiva jamais imaginada. Essa é a proposta de pesquisadores do projeto “Cribiás 300+” a um grupo de crianças que teve um roteiro poético pelo Centro Histórico.

Elas sairam da Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, munidas de uma lupa, máquina fotográfica e um vidrinho como aqueles usados pelas crianças que colecionavam ouro do córrego da Prainha, nestes, elas metaforicamente vão guardando as memórias dos lugares. 

O ponto de partida do roteiro foi um marco importante. No passado, pepitas de ouro brotavam da terra e a criançada podia pegá-las na mão. Então, nessa brincadeira atual, o ouro é outro: é assim que se tornam, colecionadoras de memórias. 

Esta é a terceira parte do projeto que visa defender a metodologia participativa como importante aliada no contexto da Educação Patrimonial. Essa experiência, - assim como relatos dos pequenos, fotografias e registros em vídeo colhidos na oficina-piloto -, vai compor as páginas do livro “Cribiás 300+: Por uma educação patrimonial toda nossa”.

Quem as conduz por esse passeio é Bugrinho, personagem que representa o poeta Silva Freire. Quando criança, morou em uma casa no entorno da Praça da Mandioca. Durante todo o percurso, quem assume o papel de Bugrinho é Jeysson Ricardo, que integra o grupo de pesquisadores. 

“Lá embaixo, onde hoje passam carros, havia o Córrego da Prainha, mas agora ele virou esgoto e passa por baixo da área central que divide as duas pistas de carro. Mas bem antigamente, quando era um córrego límpido a céu aberto, sabem o que acontecia quando chovia? Pepitas de ouro brotavam da terra”, dirá ele às crianças já no começo dessa viagem fantástica pelo Centro Histórico. 

De acordo com a professora doutora Daniela Freire Andrade, proponente do projeto aprovado pela Lei Aldir Blanc, as crianças vão conhecer a história de vários locais da cidade e também, quem morou nestes lugares, como o Museu da Imagem e Som de Cuiabá, Casa Barão, Escadaria do Beco Alto e o prédio do Iphan, um excelente exemplo de como eram as antigas casas cuiabanas. 

“O diálogo começa sempre com uma informação relevante para elas e então, a história é introduzida. Por exemplo, quando chegam à Residência dos Governadores, a primeira coisa que ficam sabendo é que ali está foi construída a primeira piscina da cidade mas também descobrem que ali, foram tomadas importantes decisões políticas para nosso Estado”. 

Já na Mandioca, por exemplo, Bugrinho falou que era um local onde ele soltava muitas pipas com seus amigos, Os Meninos de São Benedito, mas que não foi sempre assim, já que muitos anos antes, escravos foram torturados naquele local. 

“Personagens importantes da nossa cultura também foram apresentados para o diálogo com as crianças, como a poetisa Luciene Carvalho, interpretada por Naiana, outra pesquisadora do grupo, que as esperou na Casa Barão, a sede da Academia Mato-Grossense de Letras. Já na Catedral, elas encontraram Zé Boloflô, representado por Mateus Elias, quando então conheceram a história da Catedral e sua demolição”.  

Pesquisa 

Os responsáveis por pensar todo o projeto integram o Grupo de Pesquisa em Psicologia da Infância da Universidade Federal de Mato Grosso, em conjunto com o coletivo Cribiás. Desde 2010 eles se debruçam sobre o estudo de metodologias de educação patrimonial com crianças. 

Na primeira fase se dedicaram a debater os princípios sobre o desenvolvimento infantil comoprocesso cultural, articulado com os estudos sobre memória social e produção de identidades sociais. Já na segunda, que também baseará o conteúdo do livro, objetiva relatar a experiência do projeto Cribiás, crianças sabidas, definido como um projeto cultural para a infância de Cuiabá e por fim, vem a fase 3, a oficina-piloto. 

Ao longo dos anos, atividades diversas têm sido desenvolvidas com crianças de escolas públicas e particulares e agora, essa nova experiência arremata o conteúdo do livro. 

O secretário de Estado de Cultura, Esportes e Lazer, Beto Machado diz que é bastante animador ver os frutos do edital, que nesse caso, estimula novas ações do grupo de pesquisa. 

“O edital vem fortalecer essa jornada pelo conhecimento, contribuindo com os estudos acadêmicos e apresentando novas possibilidades para ações de políticas públicas neste segmento. Quando a criança é envolvida de maneira lúdica, ela aprende muito mais. Ao vivenciar essa experiência, passará a olhar a cidade de um outro jeito, valorizando ainda mais sua cultura”. 

O livro – que relata as três etapas de pesquisa - será lançado em abril, nos formatos impresso e digital. O projeto Cribiás 300+ foi selecionado no edital MT Nascentes, realizado pelo Governo de Mato Grosso via Secretaria de Cultura, Esportes e Lazer (Secel-MT) em parceria com o Governo Federal via Secretaria Nacional de Cultura do Ministério do Turismo.  

Equipe

 

• Daniela Barros da Silva Freire Andrade (psicóloga e doutora em Educação: Psicologia da Educação pela Pontificia Universidade Católica de São Paulo)

-Coordenação geral

-Elaboração da parte 3 – Cuiabá das Crianças: O Centro Histórico

• Larissa Silva Freire Spinelli 

- produção de capítulo –Parte 1 e pesquisa documental

• Regina Pouchain (Poeta, designer, artista intermídia, programadora e diagramadora visual)

- produção de capítulo – Parte 1

• Jeysson Ricardo Fernandes da Cunha (psicólogo e doutorando em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso)

-Elaboração do capítulo Cidade, memória e identidade social​

-Elaboração e execução do roteiro narrativo (presencial a ser elaborado)

-Elaboração da Parte 3. Crianças e o Centro Histórico: roteiro 

-Auxiliar na prestação de contas

 

• Paula Figueiredo Poubel (psicóloga e doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso)

-Elaboração do capítulo Cidade das meninas e cidade dos meninos: poder e exclusão social

-Elaboração do roteiro narrativo (presencial a ser elaborado)

-Coordenação da prestação de contas

 

• Naiana Marinho Gonçalves (psicóloga e mestre em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso)

-Elaboração do capítulo: Desenvolvimento Humano como Processo Cultural

-Elaboração e execução do roteiro narrativo (presencial a ser elaborado)

-Auxiliar na prestação de contas

• Natália Salomé Poubel (professora e doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal de Mato Grosso)

-Elaboração do capítulo: A Literatura e a Cidade

-Elaboração do roteiro narrativo (ênfase na literatura)

 

• Ângela Cristina Lisboa Costa (professora e mestre em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso)

-Elaboração da Parte 2 - Projeto Cribiás, crianças sabidas: por um projeto cultural para às crianças

• Clécia Lino Silva(acadêmica do Curso de Psicologia)

-assistente de produção

• Pâmella Fernandes (acadêmica do Curso de Psicologia)

-assistente de produção

• Mateus Elias Cruz Antunes (acadêmicos do Curso de Engenharia Civil, poeta e estudioso da cultura cuiabana)

- representará Zé Bolo Flô

 

• Lidiane Freitas de Barros (jornalista e mestre em Estudos de Cultura contemporânea pela Universidade Federal de Mato Grosso)

 

 

• Fred Gustavo  da Sillva 

-fotógrafo 

O trabalho conta com o apoio da historiadora Leila Borges Lacerda que tem ajudado na pesquisa historiográfica.

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