Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 05-03-2021 às 00:06

Até quando? Pergunta que não quer calar

Grupo Mulheres MT protesta contra assédio à ex-servidora e pede afastamento do presidente do Indea

Integrantes do Grupo Mulheres MT | Creditos: Divulgação

Com o tema 'Até quando?' pelo menos 30 mulheres - integrantes do Grupo Mulheres MT - gravaram no sábado dia 16, depoimentos na Pantanal Filmes, de propriedade de Alessandro Godoy, no bairro Santa Rosa, ao perguntarem à sociedade e as autoridades se poderão contar com alternativas de mais resolutividade para colocar fim à agressões, assédios e mortes de mulheres em Mato Grosso.

Os depoimentos serão disseminados pelas redes sociais das integrantes do grupo e pelo aplicativo Whatsapp. E fazem parte da campanha deflagrada nesta última semana, por mais de 60 mulheres, ligadas a associações, Organizações Não Governamentais[ONGs] e outras instituições que fazem a defesa das mulheres, na luta pelos seus direitos e contra a violência, assédio e mortes de que muitas são alvos.

A campanha nasceu motivada pela denúncia feita pela ex-assessora técnica, Fany Cristina Batista Almeida, de 19 anos, que por meio de Boletim de Ocorrência confecionado na Polícia Civil, apontou assédio sexual contra ela, praticado pelo presidente do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso, Marcos Catão Dornelas Vilaça.

Assim, o objetivo principal da manifestação foi fazer na segunda-feira (18), um protesto no Palácio Paiaguás, no Centro Político Administrativo, como forma de chamar a atenção para situações, como a vivida pela ex-assessora. Sobretudo, solidarizar com sua coragem de pedir exoneração de seu cargo, mesmo precisando de seu holerite, já que é oriunda de família humilde e uma das mantenedoras de sua família.

Foi pedido  ao Governo do Estado, que Catão responda pelo suposto crime longe do órgão, por exercer cargo de liderança. Assim, não existiria o risco de que testemunhas sejam cerceadas e que o procedimento de apuração não fuja de seu curso natural e justo.

O movimento ainda levou algumas outras pautas em favor da luta em defesa dos direitos femininos, cobrando mais compromisso das autoridades quanto ao número cada vez maior de agressões e mortes que tem tornado os feminicídios uma violência banal no Estado.

Participaram  do protesto desta segunda, mulheres ligadas à Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais[BPW], Organização Não Governamental, Liga de Reestruturação das Irmãs Ofendidas no seu Sentimento(Lirios) e ainda outros coletivos linkados à rede de enfrentamento contra a violência domestica e familiar.

Na lista de participação do movimento ainda constam nomes das deputadas estadual e federal, Janaina Riva (MDB) e Rosa Neide (PT), respectivamente. Além da vereadora Edna Sampaio (PT), da suplente de deputada federal, Gisela Simona, de Luciana Zamproni, secretária da Mulher, da capital, e ainda advogadas e jornalistas.

Outras mulheres, como a vereadora Michely Alencar (DEM), a empresária e suplente de senadora, Margareth Buzetti, e a tenente-coronel Emirella, presidente da BPW de Várzea Grande, participaram de forma virtual, por meio de suas redes sociais.

Entenda o caso

A denúncia de assédio sexual da ex-assessora técnica, Fany Cristina Batista Almeida foi feita por meio de Boletim de Ocorrência, no dia 12 de novembro, mas só veio à tona esta semana, ganhando a indignação de mulheres como a parlamentar emedebista, Janaina Riva (MDB), da primeira-dama do Estado, Virgínia Mendes, da empresária Margareth Buzetti. Todas lamentaram a situação humilhante a qual a ex-servidora foi submetida e se solidarizaram com ela, em postagens em suas redes sociais.

A ex-servidora ainda ganhou a adesão de sete advogadas que passam a compor sua banca jurídica. Por meio de nota, nesta última sexta-feira (15), as advogadas oficializaram a defesa da ex-assessora técnica.

Biossegurança

O movimento criado pelas integrantes do grupo de Whatsapp 'Mulheres MT' – composto por mais de 60 mulheres –, optou em reduzir o número de participantes, como forma de evitar aglomeração e assegurar que sejam mantidas as regras de biossegurança, levando em conta o aumento no número de casos da Covid-19 e, assim, manter o distanciamento e fazer uso de proteção individual, como máscaras e álcool em gel.

Outro lado

O presidente do Indea, Marcos Catão Dornelas Vilaça negou esta semana - por meio de seu advogado Francisco Faiad - que tenha cometido qualquer assédio contra a ex-assessora. Garantindo que a defesa estaria trabalhando, inclusive, contra o pedido de afastamento feito pela vice-presidente da Assembleia Legislativa, a deputada estadual emedebista, Janaina Riva.

"Isto nunca aconteceu como ela descreve. Mas a delegacia ainda não marcou data nem horário para que ele[Catão] preste depoimento", disse Faiad, apontando ainda que o presidente do Indea 'não concorda com esse tipo de denúncia vazia, frágil, sem qualquer prova'.

 

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