Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 24-09-2021 às 18:20

Primeira edição de evento sobre sextechs mostrou as tendências do setor

A chegada das mulheres em cargos de liderança e criação de startups levou inovação ao segmento com novas soluções para o público feminino.

Marina Ratton, idealizadora da startup Feel, Dani Junco da aceleradora B2Mamy e Lídia fundadora do Tech4Sex e idealizadora do evento | Creditos:

Com um faturamento estimado em 50 bilhões de dólares em 2019 e projeção de faturar 122 bilhões em 2026, as sextechs foram tema do painel virtual, SXtech [BR] Talks. O evento que aconteceu na última semana, lançou um novo olhar para à sexualidade do futuro, permeada pelo bem-estar e que tem como pilar a tecnologia. Idealizado por Lídia Cabral, executiva de inovação e fundadora do Tech4Sex, o encontrou contou com lideranças nacionais e internacionais sobre o tema.

Bryony Cole, uma das maiores autoridades globais no assunto, fundadora do podcast Future of Sex e uma das speakers do evento, ressaltou a amplitude do segmento que ainda é cercado de estigmas. “Quando pensamos em Sextech, em sexualidade e em tudo que ela engloba, não é apenas sobre o prazer que estamos falando. Também tem a ver com a saúde, educação, denúncia de violência e identidades de gênero”, afirma. De acordo com Bryony, um dos motivos que influenciam na mudança de mindset sobre este mercado é o fato da maioria das empresas serem lideradas por mulheres, o que é contribui para o desenvolvimento de soluções mais adequadas às suas necessidades. A chancela e o envolvimento de celebridades como Gwyneth Paltrow e Cara Delevigne investindo em startups na área, também fomentam o interesse e incentivam a normalização dessas conversas.

As empreendedoras Marília Ponte e Marina Ratton, são prova de que as mulheres estão contribuindo para a inovação das sextechs também no Brasil. Nesse movimento, lideranças femininas produzem para mulheres em um processo permanente de escuta do público. O setor que historicamente era dominado por homens, não contava com empresas que dialogassem com as mulheres, criando soluções específicas para o público. ”Abrir um canal para falar com esse público, gera uma identificação imediata de pessoas que não encontravam seus desejos e necessidades atendidas”, revela Marília fundadora da Lilit.

Idealizadora da marca Feel, Marina também percebeu que havia um lugar de silenciamento, durante as entrevistas de desenvolvimento do produto. “Entrevistas de 15 minutos, se estendiam por 1 hora, pelo fato de ser uma mulher se colocando à disposição para ouvir em um lugar seguro. Por isso, faz muita diferença ter mulheres na liderança, pois só uma mulher entende a dificuldade e a complexidade dos temas desse universo, reflete a empresária.

 

Uma das principais dificuldades das empreendedoras é conseguir investidores para acelerar as startups. Dani Junco, fundadora da B2Mamy, empresa que conecta mães e mulheres no ecossistema de inovação e tecnologia, falou sobre sua visão do mercado, que ainda é ignorado por aceleradoras e hubs de inovação. “O que vemos é que os investidores são conservadores na hora de investir em mercados desconhecidos e as apostas sempre são maiores em espaços tradicionais. Então, precisamos gerar conteúdo e divulgar o conceito das Sextechs para que mais portas sejam abertas e mais investimentos sejam convertidos”.

A fundadora do grupo de investimento Wishe, Rafaela Bassetti, falou sobre o preconceito ao não tratar as Sextechs como oportunidades de negócios. “É uma indústria de 50 bilhões de dólares, mas que ainda não recebe à atenção e o investimento que merece, porque é muito difícil falar sobre sexo. Outro ponto é a questão da representatividade. Em um mercado extremamente masculino como o de startups e de investimentos, fica ainda mais complicado ter essas conversas”, comenta.

O SXtech [BR] Talks também trouxe Simara Conceição, criadora do podcast Quero Ser <Dev> e Gaia, idealizadora do projeto Meu Clitóris Minhas Regras reforçando a importância das comunidades que conectam pessoas com interesses em comum, tornando-se espaços seguros de escuta e acolhimento, proporcionando uma rede de troca que atinge um público engajado na causa que acreditam.

Para Lídia Cabral, a primeira edição do SXtech [BR] Talks, foi extremamente positiva por apresentar diferentes pontos de vista que ajudam a desmistificar o assunto na perspectiva de negócios e contribuem para desenvolver o ecossistema local. O evento produzido pela Tech4sex, está disponível para o público no site www.sxtechbr.com e terá outras edições para conectar empresas, investidores e pessoas interessadas no tema.

 

 

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