Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 16-01-2021 às 23:15

A magia do Natal

Mergulhada em memórias afetivas, a jornalista e artista plástica Vitória Basaia faz um lindo relato sobre a Magia do Natal

O pai de Vitória Basaia a ensinou a amar o Natal e todos os preparativos que o antecedem | Creditos:

Meu pai adorava cantar músicas italianas e ópera.  Era um tenor! Sempre me emociona ouvir qualquer música de seu repertório. Principalmente nesta época do ano. 

Ele me ensinou amar o Natal e todos os preparativos que o antecedem. Cuidava de cada detalhe, a casa... os presentes... Tudo tinha que ser especial pra comemorar o aniversário de Jesus! E todos tinham que ser presenteados,  por sermos filhos de Deus. E que cada um que trazia um presente, naquele momento, seria um rei mago, dando o melhor de si aos irmãos de Jesus. 

Compartilhar era a palavra chave. Nem se fosse um prato de arroz. Carrego em mim o amor pelo Natal despertado por ele desda infância. 

Me lembro que havia mendigos que dormiam na nossa varanda, todas às noites. Em especial o Ze da Gaita, um preto sem dentes, pequenino como um gnomo. Tocava gaita ao aportar por lá. Era um aviso de sua chegada. Todos os dias recebia a mesma refeição que a gente.

Morávamos numa casa enorme cercada de balaústres e varanda. A casa foi o primeiro aeroporto de Goiânia. Mamãe se aborrecia com gente estranha dormindo na varanda... Ele dizia : Foi aqui que eles se abrigaram a vida inteira, Nós chegamos depois... 

Na lista de Natal Eles eram os primeiros. Sorria e perguntava: o que você acha duma camisa 'Volta ao Mundo' (marca caríssima na época) pro general do saco?  Ou um sapato 'Vulcabrás'?  Ou será que ele ia gostar mais de um 'Quichute'?  Mamae respondia: dá havaianas... tem mais serventia! Ele rebatia: Isso não! Tem que ser coisa boa... Para que eles se sintam importantes. É Natal, eles merecem ter pelo menos um dia.

Tinha um viajante que vinha sempre... Não sei se era seu nome... mas Papai o chamava de Garantido! Ele parecia o sargento Garcia. Tinha uma charrete toda enfeitada e lá dentro o 'tesouro do Alibaba'. Perfumes, sedas, brinquedos, roupas... Tudo importado! 

A chegada de Garantido era uma festa, pois era dele que seriam comprado os presentes de Natal. Papai se fartava na alegria da escolha. Me lembro que presenciei uma discussão entre ele e mamãe, pois queria comprar uma estola de pele de ilhama  pro Ze da Gaita. E num é que comprou!? 

Sua diversão era ir na varanda e perguntar pro Ze "Cadê sua coberta de pelo ?" Ele tirava do saco e mostrava... Ele dizia: é pra cobrir pra dormir! Mas o Ze usava a estola caríssima de colchão.  Ele sempre cutucava minha mãe :Tá vendo... teve mais serventia que uma Havaiana, e ria...

Ai que saudades dele, de mim, de tudo e de todos 

Vitória Basaia é Jornalista, Artista Plástica, Arte Educadora e Ama a Magia do Natal.

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