Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 14-12-2019 às 11:12

Atriz que interpreta ativista na Alemanha fala sobre preconceito

Marcela Dias comenta sobre aceitação de atrizes brasileiras no mercado artístico europeu

Marcela Dias, atriz brasileira. | Creditos: Sergio Baia

Conhecida por sua vertente cômica, Marcela Dias, carioca que trabalha a 3 anos na Alemanha como artista, prepara- se para um novo desafio. Vai estrear o espetáculo "Safestay Hotel" no dia 24 de outubro no Centro Cultural Ufafabrik em Berlim. A peça será realizada na língua inglesa. Trata - se de uma criação coletiva que busca suscitar discussões entre os jovens da europa. A direção Anja Scollin.

A artista na entrevista fala sobre; suas expectativas para o novo projeto e o mercado artístico para mulheres na europa, em especial na Alemanha.

 

Como surgiu a idéia de fazer um espetáculo político para jovens?

A ideia veio da diretora do grupo Platypus Theater. Eles fazem peças para crianças e adolescentes em fase escolar e criam uma peça nova por ano. Nos dois últimos anos as peças foram para crianças pequenas. Fox para crianças de 6-7 anos e Just Thirteen para pré-adolescentes de 10-12 anos. Estive nos dois projetos como assistente de direção. Esse ano a ideia era criar uma peça para adolescentes maiores de 16 anos e a diretora acredita que o tema político é atual e extremamente importante de ser debatido principalmente entre jovens que em breve poderão votar.

 

Quais estão sendo os principais desafios nesse projeto?

Com certeza o fato de que é o elenco que está escrevendo a peça. Não recebemos um texto com personagens e falas. Tivemos que improvisar varias cenas de acordo com o que a direção queria e a partir daí foram surgindo os personagens e a história. Estamos ha 3 semanas da estreia e ajustes ainda estão sendo feitos. É muito desafiador não poder se concentrar apenas no jogo da cena e em contar a história mas também participar da criação! Sem contar que é desafiador falar de assuntos tão importantes sem parecer didático.

 

Quais são as características da sua personagem na trama?

Minha personagem é uma ativista política que foge do Brasil - sim, minha personagem também é brasileira - para continuar seu ativismo sem ser presa ou ameaçada. Sua principal pauta é a preservação da Amazônia mas ela também defende a democracia e os direitos de minorias. Seu principal desafio é conseguir um visto para permanecer fora do país e sua situação vai piorando conforme novas leis são instauradas numa Inglaterra pós Brexit. Ela também precisa aprender a lidar com os outros personagens da trama que tem visões políticas diferentes das suas.

 

Como você avalia a sua carreira hoje na Alemanha?

Minha carreira aqui acabou de começar eu diria. Estou aqui faz 3 anos e digo que somente depois de 2 anos e meio minha carreira como atriz realmente começou. Sinto que ainda existe muito campo para crescer e mais desafios para explorar. A maioria dos trabalhos profissionais que realizo como atriz, ainda são em inglês mas desde setembro de 2018 também atuo em alemão e quero que isso aconteça cada vez mais. Sem contar que também tenho planos de investir em outras mídias como tv e cinema.

 

Como foi a experiência de participar de um festival com pessoas do mundo inteiro na Polônia?

Foi maravilhoso! Era uma peça de teatro físico com bonecos e eu não tinha falas mas estava numa equipe com alemães e poloneses e digo com orgulho que não me senti ‘de fora’ em nenhum momento. Apesar de ter menos experiência como manipuladora de bonecos, como atriz senti que “cheguei junto” e cumpri meu papel muito bem! Foi incrível interagir com o público também! Eu não falo polonês e ainda assim me comuniquei com essa plateia ao longo de quase duas horas de peça. Foi mais uma oportunidade de comprovar a magia do teatro. O que acontece é uma troca de energia tão grande. Foi maravilhoso estar nesse projeto.

 

Quais são os desafios de ser atriz uma atriz brasileira na Alemanha?

A língua. Acho que todo o resto é como em qualquer outro lugar. Você precisa circular, ser visto, mostrar seu trabalho, fazer conexões... então, se você fala alemão não acho que é tão diferente assim no sentido de que a profissão tem os mesmos desafios em todo lugar. Claro que existe também a questão física. No Brasil eu era mais uma de cabelo escuro. Aqui caio na categoria “exótica” (risos), é mais difícil conseguir papéis que não sejam papéis “para uma estrangeira”. Mas tomo isso como uma carta na manga pra mim mesma, gosto de me sentir “diferente”.

 

Quais conselhos você daria para atrizes que assim como você desejam buscar uma carreira na europa?

Antes de qualquer coisa: aprenda a língua do país que você quer morar. É a maior barreira em todos os sentidos. Todo o resto se reconstrói com o tempo. Mas o idioma é o fator que vai te diferenciar do resto das pessoas. E também não se diminua nunca por ser estrangeira, ser “gringa” vai ser seu maior ‘diferencial’.

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