Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 02-12-2020 às 15:10

Pesquisadora do INAU/CPP fala sobre resultados da Conferência Internacional de Áreas Úmidas

A professora Dra. Cátia Nunes da Cunha tem se destacado no cenário internacional com pesquisas de grande relevância que tem desenvolvido no Centro de Pesquisas do Pantanal-CPP

A professora Dra. Cátia Nunes da Cunha, uma pesquisadora de referência mostra ao mundo práticas sustentáveis para preservação das áreas úmidas. | Creditos:

A 10ª edição da Conferência Internacional de Áreas Úmidas (IWC, International Wetlands Conference), ocorrida recentemente na cidade de Changshu -China,  reuniu mais de oitocentosparticipantes, de 72 países, representando grandes categorias de expertises da ciência da áreas úmidas, da tecnologia de manejo e gestão. A professora doutora, titular da UFMT, e pesquisadora do Centro de Pesquisas do Pantanal-CPP, Cátia Nunes da Cunha e o professor doutor Wolfgang J. Junk, coordenador científico do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas (INAU), compartilharam projetos na oportunidade. Eles apresentaram trabalhos que vem sendo desenvolvidos nos últimos anos em parceria do INAU com o CPP. No programa  da conferência ocorreram simpósios, workshops e sessões abertas relacionadas com o tema geral, além de visitas técnicas.​

A Dra. Cátia destacou a importância da conferência,  que é  considerada o maior e mais  influente no campo da ciência e aplicações de zonas úmidas, e que ocorre a  cada quatro anos. Trata-se de um acontecimento que tem uma plataforma muito interessante para a  avaliação dos avanços na pesquisa sobre a biodiversidade das zonas úmidas e gestão dos ecossistemas, bem como os papéis funcionais de zonas úmidas em tratamento de águas residuais, serviços de ecossistema e uso racional.

Dentro do cenário a participação do INAU- dentro da abordagem das áreas úmidas, um dos trabalhos apresentados pelos professores  foi voltada ao tema  “Uma nova abordagem para a gestão das áreas úmidas subtropicais, introdução conceitual que já vem sendo aplicada no Pantanal no sentido de preservação das áreas úmidas.

Segundo a pesquisadora o INAU desenvolveu em parceria com o CPP o conceito de macrohabitat e um sistema de classificação para aplicar, como um parâmetro da administração de grandes áreas úmidas complexas, a exemplo do Pantanal, e que servem para outras regiões do mundo que tem similariedade, a exemplo do os Everglades região pantanosa subtropical localizada no sul da Flórida, o Rio Delta do Okavango ,região africana; o Parque Nacional do Kakadu, ao norte da Austrália, e o  Parque Nacional de Sundarban, uma reserva da biosfera , em Bengala Ocidental , na Índia, e o lago Sap (Tonle Sap)  que encontra-se no Camboja.

No projeto dos pesquisadores do INAU/CPP a adoção de nova abordagem com padronização para medir a  complexidade do habitat e testar seus efeitos sobre a biodiversidade e   desenvolver praticas de ​manejo adequado.

.  A iniciativa foi, portanto,  muito bem recebida, após apresentação do projeto foram  mostrados exemplos e foi questionada a aplicação real , nos ambientes.  A Dra. Cátia Nunes da Cunha.

E o Dr.  Wolfgang J. Junk  foram convidados a participarem de evento internacional com os países citados,  “Viram possibilidades e interesse nos conceitos, porque estudam na  mesma abordagem”, enfatizou Cátia.

Durante a conferência ocorreram muitas discussões de interesses mútuos, pois os resultados de projetos de um país  podem influir nas decisões globais. Na opinião da pesquisadora, “produzir informação compatíveis para

 comparar, entender melhor, com mais eficiência, para que haja base de conhecimento para avanços em nível de ciência para áreas úmidas, é de grande relevância”
A Dra. Cátia disse que tem países com política definida e outros já encontram-se com sua biodiversidade muito degrada e são de grande importância para a humanidade. Segundo ela há  áreas altamente produtivas, mas muito contaminadas. 

A China conforme destaca a Dra. Cátia, faz várias perguntas:  como recuperar? Como  descontaminar as áreas úmidas? e reabilitar áreas de pantanal,  que perderam a  produtividade e encontram-se contaminadas? Cátia e Junk visitaram  algumas áreas que foram reabilitadas para visitação, mas que são apenas contemplativas, com belo paisagismo, o Changshu Binjiang Park e o Wetland Botânico Garden. 

O Changshu Binjiang Park é uma das localidades reabilitadas mais em termos paisagístico e turístico, Cátia estacou suas  águas ainda estão contaminadas e a vida silvestre é vista apenas em poster, “ a vida silvestre está totalmente comprometida”, frisou.

Não é diferente com o  Wetland Botânico Garden,  feito tudo de forma muito planejada conforme explicou Cátia,  mas tudo segundo ela,  apropriado somente para visitação, não é como o ambiente da biodiversidade, não há plantas nativas. Vendo a triste realidade chinesa, a pesquisadora enfatiza que “ temos que trabalhar para não chegar a este ponto, trabalhar para evitar que nossas reservas naturais cheguem em níveis de  contaminação, a exemplo  da China que começou pelo lado mais difícil”.

Outro projeto compartilhado na conferência diz respeito a limpeza de campo. Hoje o que se tem do lado do INAU e CPP é um trabalho para conter o efeito de invasão de árvores, proliferação sobre os campos nativos e áreas de produção de atividades econômicas.

Carta da conferência

Reconhecendo  a importância de se preservar as áreas úmidas, foi redigida na conferência uma carta,  chamando a atenção de setores privados de negócios, para as condições e procedimentos visando a não destruição das áreas úmidas, que deve estar a  parte dos negócios,e importantes para  mais sustentabilidade a longo prazo para empresas.  

Cátia disse que no documento redigido durante o evento foi chamada a atenção da comunidade do agronegócios, sobre a  importância da conservação e restauração das    áreas úmidas, paisagens agrícolas para a sustentabilidade. Foi abordada a biodiversidade destacando-se a  proteção dos aquíferos para a água limpa e zona tampão para riscos de secas e inundações. Além de grupos envolvios diretamente com o tema, a carta chama também a atenção dos prestadores de serviços ,de bancos financeiros, e de ministros para investirem na restauração das áreas úmidas, em prol da biodiversidade, resgate de carbono  e estoque de carbono e reduzir a variabilidade climática.

Ao finalizar Cátia Nunes destaca que não podemos deixar nossas reservas ambientais chegarem aos mesmo níveis de contaminação, que geram perdas para a  biodiversidade e para os serviços ambientais. Em muitos casos as restaurações são praticamente impossíveis . A pesquisadora deixa claro que não se trata somente de ideologia, mas do que é necessário para a vida, sendo o recurso  água fundamental.

Com relação ao Pantanal de Mato Grosso o seu macrohabitat está sendo ​

incorporado a Lei o Pantanal.  Trata-se de uma unidade especial,  unidade de gestão que sao áreas com condições hidrológicas similares a vegetação característica que representam a escala mais adequada para atendimento e manejo da área úmida. Segundo a  Dra. Cátia, a população local reconhece as unidades e são conscientizadas  para o  melhor forma de utilização.

Dra. Cátia Nunes da Cunha deixa sua assinatura entre cientistas de várias partes do mundo, na cidade de Changshu -China​, durante a 10ª IWC, International Wetlands Conference.
 

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