Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 02-12-2020 às 14:38

O empreendedorismo e os recursos intangíveis da nova economia

A evolução do conceito empreender agregou o sentido também da adaptabilidade além da inovação. E sua utilização passou se referir ao terceiro setor da economia.

A segunda reflexão perpassa pela tecnologia, em que empreendedores fomentam negócios a partir de ideias e recursos intangíveis, sem a necessidade de estoque de mercadoria. | Creditos: Pixabay

Por Ana Eliza Lucialdo 

Nas últimas décadas o termo empreendedorismo vem sendo largamente empregado nos estudos empresariais  e da Economia. O conceito inicial de empreender foi usado para sinalizar uma mudança espontânea nos fluxos organizacionais, a busca de uma alternativa aos problemas empresariais atrelado à inovação e ao desenvolvimento econômico (Schumpeter, 1985).

A evolução do conceito empreender agregou o sentido também da adaptabilidade além da inovação. E sua utilização  passou se referir ao terceiro setor da economia.

Uma reflexão pertinente a ser feita nos tempos atuais vem por meio  da indagação: É possível empreender na economia do simbólico, do intángível?

Vamos levar duas questões em consideração. A primeira advém das transformações socioeconômicas das últimas décadas, em que a economia se sustentava em bens palpáveis e o trabalho, tendo como marco a Revolução Indústrial. 

Mas, na contemporaneidade, a partir da revolução do conhecimento, a ideia, a criatividade passou a ser capital e monetizou-se (DRUCKER, 1993).

A  segunda reflexão perpassa pela tecnologia, em que empreendedores fomentam negócios a partir de ideias e recursos intangíveis, sem a necessidade de estoque de mercadoria.

Por exemplo, desenvolvimento de um aplicativo em detrimento ao estoque de produtos para a venda e monetização, ou seja, existem negócios sem estoque físico, apenas a ideia estruturada em formato de empresa e a tecnologia.

Considerando os apontamentos acima, o cenário para o empreendedorismo é positivio na  economia do intangível. Diferente da década de 50, quando o termo começou a ser implantado. Atualmente, é possível iniciar o investimento em startups e seus negócios inovadores a partir da ideia e sua disseminação.

Outro ponto a ser considerado pelos empreendedores da economia criativa é o marketing digital. Ou seja, as atividades executadas online com o objetivo de vender, criar relacionamentos e desenvolver uma identidade de marca com baixo custo de investimento.

Por fim, é interessante considerar um estudo realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea da Universidade Federal de Mato Grosso (PPG-ECCO-UFMT) em 2017, em que foi produzida uma pesquisa com empreendedores criativos com mais de quatro decádas de mercado, com experiências em profundas transformações socioeconômicas. 

Os estudos apontaram características dos empreendedores criativos ao sinalizar em suas narrativas alta dose de adaptação, resiliência e capacidade de agir aos imprevistos dos planos de ações empresariais (Lucialdo, 2018).

 

Ana Eliza Lucialdo é professora, palestrante consultora de estratégia e negócios digitais. Mestre com pesquisa em economia criativa (ECCO/UFMT), em Políticas Públicas pela Universitat de Girona (Espanha), MBA em Comunicação e Marketing. É filiada a BPW Cuiabá e ao PMI-MT. Instagram e LinkedIn: anaelizalucialdo

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