Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 21-10-2020 às 17:34

Dia das Crianças - A difícil arte de crescer

A neuropsicóloga Leninha Wagner questiona: “Cada um de nós carrega dentro de si sua criança. Quem habita o seu interior?”

Que seu dia seja com a leveza da infância | Creditos: Ruslan Gilmanshin por Pixabay e Divulgação / MF Press Global 

 
Um adulto é apenas uma criança que cresceu. Cada um de nós carrega dentro de si sua criança. Quem habita o seu interior? Alguns carimbos emocionais que nos marcaram na infância, são bases na construção de nossa subjetividade para além deste momento. Neuropsicóloga Leninha Wagner mostra que carregamos de forma inconsciente, e manifestamos de forma concreta, aquilo que nos constitui como sujeito.

No Brasil, a comemoração do dia das crianças surgiu por força de lei. Foi criada em 1924, a partir de uma proposta do deputado Galdino do Valle Filho, e oficializada pelo então presidente Arthur Bernardes, que governou o Brasil entre 1922 e 1926. Por quase quatro décadas, entretanto, a data passou meio desapercebida, como tantas outras comemorações propostas pelo Legislativo.

A situação mudou a partir de 1960, quando a empresa Johnson&Johnson e a fábrica de brinquedos Estrela se associaram para lançar a promoção "Semana do Bebê Robusto", aproveitando a comemoração já existente para alavancar a venda de produtos para crianças. A iniciativa foi um sucesso. Outros varejistas aproveitaram a onda e a ação, rebatizada nos anos seguintes de "Semana da Criança", se tornou uma das principais datas comerciais do calendário brasileiro.

O dia 12, porém, não é uma data universal. O dia das crianças é comemorado em mais de 100 países em momentos variados (o verbete da Wikipedia traz uma lista de dezenas deles). O mais próximo de uma data "mundial" é o Dia Universal das Crianças, celebrado em 20 de novembro. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para marcar a aprovação, em 1959, da Declaração Universal dos Direitos da Criança.

Um adulto é apenas uma criança que cresceu

A difícil arte de crescer se revela quando a pessoa caminha para a fase adulta. A neuropsicóloga Leninha Wagner questiona: “Cada um de nós carrega dentro de si sua criança. Quem habita o seu interior?” Para responder a esta pergunta, ela lembra que “alguns carimbos emocionais que nos marcaram na infância, são bases na construção de nossa subjetividade para além deste momento. Carregamos de forma inconsciente, e manifestamos de forma concreta, aquilo que nos constitui como sujeito”.

Leninha lembra que é nessa fase da vida que a pessoa precisa elaborar algumas feridas infantis, como por exemplo: “1- O medo do abandono, 2- O medo de ser rejeitado, 3- A vergonha de não ser o suficiente, 4- A insegurança e 5- O medo de sofrer injustiça”.

No decorrer das fases evolutivas do desenvolvimento humano, “vamos elaborando essas feridas; e ressignificando emoções negativas por sentimentos que se adaptam melhor ao momento atual”, reforça Leninha.

Além disso, “a infância é uma fase importantíssima, por nos acompanhar em todas as outras etapas da vida. Assimilamos, através da família nuclear a noções de relacionamentos, recebemos estímulos externos e respondemos de forma interna e singular a eles. Portanto pessoas diferentes, respondem de forma diferente aos mesmos estímulos. E há a possibilidade da mesma pessoa, atravessando o ciclo vital, promover alterações na forma de ver, reagir  e lidar com o mundo exterior. Pois que seja de uma forma mais adulta, madura, experiente, equilibrada, com sensatez e lucidez”.

Diante disso, ela completa, “conseguindo harmonizar a criança interior com o adulto que agora necessita de adaptações em suas manifestações no mundo. Assumindo papéis que um dia pertenceram aos seus pais, por exemplo. Quando filhos se transformam em pais a sociedade ganha uma nova geração. Sem deixar de preservar antigos hábitos familiares, mas agregando novos comportamentos mais adequados ao momento, sem perder os valores que são base de toda boa relação: respeito, admiração, limite (seu e do outro), diálogo, sensibilidade, empatia e compaixão”.

Para celebrar o dia das crianças, a neuropsicóloga aconselha: “Que a sua criança interior possa saudar, a criança interior do outro, mas com o comportamento maduro do adulto que já consegue caminhar nessa longa jornada existencial. desenvolvendo autoconhecimento e principalmente uma característica tão necessária nesse novo cenário mundial (Pandemia); Inteligência Emocional”.

E ela deixa um desejo: “Que seu dia seja com a leveza da infância, mas também com a sabedoria e serenidade do adulto, que a vida o tornou. Que o dia das crianças acenda em você a luz que recebeu ao nascer, sorria e brilhe!”, finaliza.

 

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