Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 24-09-2020 às 01:48

Relaxamento: ir à casa de amigos aumenta o risco de transmissão do COVID-19

Vida social deve ser prioridade em meio à pandemia?

| Creditos: CANVA

O relaxamento da quarentena chegou no Brasil, e com ele a abertura de restaurantes, salões de beleza e outros estabelecimentos que permaneceram fechados por meses. A questão perigosa é que, diante desse cenário, é muito mais provável que se desenvolva uma falsa sensação de segurança quanto à transmissão do vírus, levando ao também relaxamento de medidas de proteção e ao consequente aumento do número de casos.

Alimentados por esse sentimento de proteção, depois de quase cinco meses de quarentena no Brasil, muitos partiram para os encontros em casa, seja com familiares ou amigos. Mas mesmo sendo pessoas conhecidas, isso diminui algum risco de transmissão da doença? Para responder a essa pergunta e dar direcionais para possíveis encontros que aconteçam, a Mayo Clinic convidou a Dra. Nipunie Rajapakse, especialista em doenças infecciosas.

Imaginemos a seguinte situação: Você foi convidado para participar de um churrasco em que toda família vai finalmente se reunir; serão em torno de 50 convidados, ao ar livre e em um parque. É seguro ir?

"Eu sei que as pessoas estão tentando tomar decisões difíceis sobre em que tipo de atividade devem participar. Eu acho que como regra geral há quatro dimensões que encorajamos as pessoas a pensarem sobre quando estiverem tentando determinar os riscos associados à participação em certas atividades: tempo, espaço, pessoas e lugar", explica Dra. Rajapakse.

Segundo a infectologista, o ideal é que permaneçamos sem contatos externos já que os casos de COVID-19 continuam bastante altos no Brasil, mas para qualquer situação que se saia de casa é importante considerar esses quatro fatores. O tempo determina o período de exposição; ou seja, quanto mais curta forem as atividades de casa, menor é o risco de contato com o vírus. Como uma reunião familiar provavelmente será um evento mais longo, o risco aumenta.

Considerar o espaço também é essencial, levando sempre em consideração a quantidade de espaço que se tem ao redor e quanto controle se tem sobre ele. "Um parque público com uma abundância de espaço tem o potencial de diminuir o risco. Nós temos recomendado uma distância de 6 pés (2 metros) com base na transmissão por gotículas da COVID-19, então se a localização da reunião permitir que os convidados mantenham distância para limitar a exposição de todos, isso diminuiria o risco.", complementa. 

Sem dúvida será difícil para que as pessoas evitem cumprimentos, como abraços ou apertos de mão, com membros da família que não veem há muito tempo, mas é necessário frisar que isso pode aumentar - e muito - o risco de transmissão da doença e deve ser evitado. Considere tambémo quão agitada é a área. Se houver uma grande aglomeração, seu risco de infecção será mais alto do que em uma área onde há menos pessoas. Uma multidão de 50 pessoas, especialmente se vieram de diferentes cidades ou estados, pode trazer riscos altíssimos, uma vez que vêm de diferentes contextos de convívio familiar.

Ainda com o relaxamento da quarentena, as medidas de proteção continuam sendo lei, como usar a máscara. Prestar atenção se os demais familiares estão cumprindo com as medidas, seja em lugares abertos ou fechados, é indispensável. Tendo isso em mente, a infectologista ainda aconselha a preferência por áreas externas. "Nós sabemos que a transmissão tem chance muito menor de acontecer em locais externos, mas ainda assim é preciso cautela".  

Vale lembrar que é provável que haja uma grande variedade de faixas etárias dentre as pessoas presentes em uma reunião familiar. E caso não haja uma diferença de idade, muito provavelmente essas pessoas também convivem com outros indivíduos diferentes. Essas precauções são especialmente importantes para proteger adultos mais velhos ou pessoas com condições de saúde subjacentes, os quais podem ter um risco maior de desenvolver doença grave caso sejam infectados.

Com as temperaturas mais altas se aproximando, muitos brasileiros começam a considerar mais a ideia de viajar. Mesmo que o aconselhável seja permanecer em casa, pelo menos até o número de casos diminuir, é imprescindível que as viagens sejam feitas apenas com amigos ou familiares com os quais já se está passando a quarentena junto. Deslocamentos de pessoas de diferentes grupos sociais, de fato, aumentam o risco de contaminação e de exposição de terceiros - mesmo que todos estejam cumprindo o isolamento de maneira o mais correta possível. Se encontrar constantemente com alguém que está fora do seu convívio do dia-a-dia, em casa, é perigoso e não podemos minimizar os riscos.

É importante reforçar que todas essas condições tem que ser analisadas em conjunto, e não separadamente. Qualquer encontro que reúna pessoas de diferentes moradias, trará algum risco de transmitir o vírus. "Alternativas mais seguras, como uma reunião virtual, devem ser cuidadosamente consideradas, especialmente se houver familiares com alto risco. Caso escolham prosseguir com uma reunião presencial, precauções adicionais como fazer com que todos os presentes usem uma máscara, facilitar o acesso a produtos de higiene das mãos, desinfetar frequentemente superfícies tocadas com frequência e manter o distanciamento físico sempre que possível podem ajudar a reduzir os riscos", aconselha Dra. Rajapkse.

 

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