Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 24-09-2020 às 01:56

Diabetes não controlada pode afetar a fertilidade

O ginecologista e especialista em reprodução assistida explica quais são os riscos, cuidados e tratamentos para mulheres portadoras de Diabetes que desejam engravidar

O excesso de insulina no organismo da mulher pode causar problemas, como ganho de peso, ovários policísticos e aumento de hormônios masculinos, afinal, muitos tecidos do corpo possuem receptores de insulina. | Creditos: Canva

A Diabetes Mellitus, doença caracterizada pela elevação da glicose no sangue (hiperglicemia), pode causar infertilidade na mulher, afetar a gestação e gerar anormalidades na menstruação e menopausa precoce. Os altos níveis de glicose inibem a produção de hormônios importantes para a reprodução, como o estrogênio e a progesterona, fundamentais para a fertilidade feminina. O excesso de açúcar também aumenta o risco de aborto espontâneo de 30% a 60%, além de elevar as chances de malformação do feto.

O ginecologista e especialista em Reprodução Assistida, Dr. Luiz Eduardo Albuquerque, diretor da Fertivitro, explica quais são os riscos, cuidados e tratamentos para mulheres portadoras de Diabetes que desejam engravidar.

 

Infertilidade

A Diabetes Tipo 1 que, normalmente, acomete pacientes jovens, ocorre quando as células no pâncreas que produzem insulina são destruídas por anticorpos. Se esse processo se estender a outros órgãos endócrinos, como os ovários, a doença irá impossibilitar a gravidez. Já a Diabetes tipo 2 está, geralmente, associada à obesidade e à resistência à insulina, condições geradas que podem causar deficiência hormonal na mulher, assim como ciclo menstrual irregular e a infertilidade.

Dr. Luiz Eduardo Albuquerque, diretor da Fertivitro, comenta que “apesar de toda a influência que a Diabetes Tipo 1 tem sobre a capacidade reprodutiva da mulher, a incapacidade de se reproduzir apresenta uma taxa semelhante com a de mulheres sem essa doença. Mas, embora a Diabetes não seja o único fator no impedimento de uma gravidez, manter níveis estáveis de açúcar no sangue melhora a saúde de maneira geral, além de prevenir possíveis problemas de infertilidade. Mantenha uma alimentação equilibrada, pratique exercícios  físicos e faça uso  dos medicamentos indicados pelo médico”.  

Uma alternativa para amenizar os distúrbios reprodutivos causados pela Diabetes é o tratamento com insulina (insulinoterapia com injeções), porém, o excesso de insulina no organismo da mulher pode causar problemas, como ganho de peso, ovários policísticos e aumento de hormônios masculinos, afinal, muitos tecidos do corpo possuem receptores de insulina.

“Vale lembrar que antes de suspeitar que a Diabetes tenha causado infertilidade, é importante entender que a mulher pode demorar até um ano para engravidar, por isso, é recomendado consultar o médico somente após esse período, para um possível tratamento de reprodução assistida”, lembra Dr. Luiz.


Gravidez

A Diabetes é associada à gestação em duas situações: quando a mulher com a doença engravida - Diabetes Pré-gestacional; e quando a gestante apresenta alterações de tolerância à glicose diagnosticada durante a gravidez, chamada de Diabetes Gestacional.

A Diabetes Gestacional pode ou não persistir após o parto, a prevalência da doença é variável. Ao término da gestação, a paciente deve ser investigada e acompanhada. Na maioria das vezes, a Diabetes Gestacional é detectada na segunda metade da gravidez, por meio de um teste de sobrecarga de glicose. A doença afeta o ritmo do crescimento do feto, podendo causar macrossomia – excesso de peso do recém-nascido, superior a 4Kg ou 4,5Kg -  devido aos altos níveis glicêmicos. “As gestantes que tiverem história prévia de Diabetes Gestacional, de abortos, má formações fetais, hipertensão arterial, obesidade ou histórico familiar da doença não devem esperar até a segunda metade da gravidez para serem testadas, já que sua chance de desenvolverem a doença é maior”, alerta Dr. Luiz Eduardo Albuquerque, diretor da Fertivitro.

O especialista diz que “as mulheres portadoras de Diabetes, que não mantêm a doença controlada nas primeiras semanas de gravidez, têm entre duas e quatro vezes mais chances de gerar um bebê com malformações. É de extrema importância seguir o tratamento corretamente durante a gestação e com acompanhamento médico”.


Diabetes

De acordo com a definição da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada pela elevação da glicose no sangue (hiperglicemia). Pode ocorrer devido a defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas, pelas chamadas células beta. A função principal da insulina é promover a entrada de glicose para as células do organismo de forma que ela possa ser aproveitada para as diversas atividades celulares. A falta da insulina ou um defeito na sua ação resulta em um acúmulo de glicose no sangue, o que chamamos de hiperglicemia.

A doença está dividida em dois grupos: Diabetes Tipo 1 e Diabetes Tipo 2, mas também existem alguns tipos raros com base em defeitos genéticos e doenças endócrinas e do pâncreas, além da Diabetes Gestacional.

Diabetes Tipo 1: este tipo é resultado  da destruição das células beta pancreáticas por um processo imunológico, ou seja, pela formação de anticorpos pelo próprio organismo contra as células, levando à deficiência de insulina. Acomete crianças e adultos jovens, mas pode ser desencadeado em qualquer faixa etária, segundo a SBEM.

Diabetes Tipo 2: neste caso, a insulina é produzida pelas células beta pancreáticas, porém, sua ação está dificultada, caracterizando um quadro de resistência insulínica. Isso vai levar a um aumento da produção de insulina para tentar manter a glicose em níveis normais. Quando isso não é mais possível, surge o diabetes. Este tipo de diabetes está associado, geralmente, ao aumento de peso e obesidade, acometendo, principalmente, adultos a partir dos 50 anos. Porém, cada vez mais, a doença acomete adultos jovens e até crianças.

 

 

Sobre o Dr. Luiz Eduardo Albuquerque

Dr. Luiz Eduardo Albuquerque, diretor clínico da Fertivitro, é ginecologista especialista em Reprodução Humana. Mestre em Ginecologia pela Unifesp e pós-graduado em Ginecologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (RJ), possui o TEGO - Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, e o Certificado de Atuação na Área de Reprodução Assistida pela FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

Em seu currículo internacional destacam-se: título de especialista em Reprodução Humana pelo Instituto Dexeus, certificado em Barcelona, na Espanha; membro da American Society for Reproductive Medicine (ASRM), nos Estados Unidos; e membro da European Society of Human Reproductive and Embriology (ESHRE), na Bélgica.

O profissional atuou como diretor do Núcleo de Esterilidade Conjugal do Centro de Referência da Saúde da Mulher, no Hospital Pérola Byington, em São Paulo (SP), durante os anos de 2001 a 2003. Atualmente, faz parte do corpo clínico da instituição, no setor de Reprodução Humana.

Foi médico do setor de Reprodução Humana da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), entre 2004 e 2014

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