Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 24-09-2020 às 01:05

Cuidados paliativos trazem qualidade de vida a pacientes com câncer

Oferecer atenção integral ao paciente é muito importante no tratamento

Tudo o que for necessário para trazer melhores condições de vida e dar conforto para o paciente. | Creditos: Divulgação

Ampliar os cuidados, ir além da doença, tratar o sofrimento físico, emocional, social, espiritual e familiar, oferecer uma atenção integral ao paciente que está diante de uma enfermidade que ameaça a continuidade da vida. São estes os objetivos da Medicina Paliativa, um tema relativamente novo dentro da área da saúde, mas que vem conquistando cada vez mais espaço dentro das clínicas e hospitais oncológicos.

Primeiramente, é preciso deixar claro que Medicina Paliativa não quer dizer suspender tratamentos ou retirar medicamentos. É justamente ampliar e utilizar todos os recursos disponíveis: medicamentosos, tecnológicos, diagnósticos, terapêuticos, infraestrutura do hospital, procedimentos. Tudo o que for necessário para trazer melhores condições de vida e dar conforto para o paciente.

Engana-se também quem pensa que são medidas apenas para pessoas em estágio terminal. Esta é uma área da Medicina voltada para todas as fases do tratamento e, em especial, ao de câncer. A Oncomed tornou-se pioneira em Mato Grosso ao levar os cuidados paliativos para dentro da clínica e, desde agosto de 2018, este acompanhamento vem sendo feito pelas médicas Paula Lorite e Gabriele Gonçalves. Isto reforça o cuidado no acolhimento não só das pessoas em tratamento de câncer, mas também dos familiares.

“Queremos acompanhar desde o começo. Se o paciente conseguir se curar, ótimo, mas é preciso reconhecer que todo tratamento vem acompanhado de sofrimento. Quanto mais cedo começamos, melhor para criar um vínculo, conhecer o paciente, cuidar dos sintomas que vêm desde o início da doença”, explica Paula.

A médica utiliza como exemplo o caso de um câncer com grandes chances de cura, como o de mama em estágio inicial. “Às vezes a mulher é submetida a uma mastectomia (cirurgia de retirada da mama) e evolui com muita dor, inchaço no braço. Neste caso, podemos cuidar do psicológico, do enfrentamento e de situações como ter que parar de trabalhar, de amamentar, ajudar a decidir sobre congelar óvulos ou não. O cuidado paliativo vem para ajudar nesse sentido”, diz. 

Tanto Paula como Gabriele reforçam que a Medicina Paliativa não é tratamento alternativo. Ela é baseada em evidências, utiliza medicamentos para amenizar os sintomas, promove acompanhamento psicossocial e espiritual também. Nas consultas procura-se identificar como o paciente lida com a doença, assim como a família, que acaba sofrendo junto.

“É uma comunicação mais aberta, permite ao paciente falar sobre o que ele sente, sobre essa fase da vida, medos e anseios. Muitas vezes na consulta com o oncologista ele não tem tempo para fazer isso. Nossa consulta demora em torno de uma hora para abordar todas as questões que envolvem o diagnóstico de forma mais tranquila. Procuramos cuidar da pessoa como um todo, fazendo o encaminhamento para um tratamento multidisciplinar, com auxílio de psicólogo, nutricionista e outros profissionais importantes neste processo”, reforça Gabriele.

Outro pilar do cuidado paliativo é a autonomia do paciente, que pode opinar sobre o tratamento e ter total conhecimento do diagnóstico. “Temos uma cultura paternalista e, às vezes, na tentativa de proteger o paciente, o poupamos das informações, chamamos a família para conversar, impomos um tratamento e não damos o poder de escolha. É claro que a indicação do médico é importante, mas têm pacientes que optam por não fazer um tratamento que sabem que o benefício e o risco não compensam. Isto precisa ser respeitado e compreendido também por familiares e estamos aqui para dar este amparo e acolhimento”, explica.

Paula conta também que a clínica realiza atividades integrativas, com foco na qualidade de vida, com tratamentos como acupuntura, meditação, arte terapia e até alimentação saudável com ajuda de nutricionista. “Queremos ter vários momentos com os pacientes para compartilhar informações e auxiliar na busca por estas terapias. Queremos proporcionar isso em um momento de grupo para partilhar as informações”, finaliza.

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