Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 14-08-2020 às 11:15

As crianças devem permanecer na escola durante a pandemia?

Docente especialista do Colégio Marista Arquidiocesano, localizado em São Paulo, explica os benefícios de manter os pequenos na escola

Muitas propostas, desafios, intervenções e interações devem ser viabilizados pela escola para que essa aprendizagem, fortalecida e sustentada pelas diversas oportunidades do meio no qual a criança está inserida evolua. | Creditos: PixaBay

A Constituição brasileira determina que somente crianças a partir dos quatro anos de idade estejam matriculadas na Educação Infantil.  Por isso, com a pandemia da Covid-19, muitos pais optaram por cancelar a matrícula dos pequenos da escola, aguardando para que a situação se atenue.

Uma pesquisa realizada entre maio e junho de 2020 com escolas da rede privada de São Paulo pela ABED (Associação Brasileira de Educação a Distância), em parceria com o Instituto Casagrande e o SIEEESP (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo) apontou que houve uma evasão de 15% dos alunos da Educação Infantil no período, porém nos outros níveis de ensino, ficou em torno de 1%, em média.

Apesar dessa decisão familiar, especialistas apontam benefícios da relação dos pequenos com a escola. Para a coordenadora de Educação Infantil do Colégio Marista Arquidiocesano, Rosana Marin, a relação se constrói na presença, portanto, a escola deve continuar interagindo de maneira efetiva e valiosa para que seja mantida a importância e a confiança já estabelecidas com cada criança e sua família.

“Assim como a caminhada natural do desenvolvimento infantil, que se mantém em pleno movimento e crescimento, as ações da escola também passam por transformações. Deve-se ampliar a escuta à família que, de modo geral, está ansiosa tanto pela preocupação desse distanciamento das crianças ao universo escolar como pelas mudanças ocorridas também em suas atribuições pessoais e profissionais”, explica a docente.

Para a professora, a escola precisa se dedicar, inclusive nesse momento de pandemia, na relação com pais e filhos, não com foco direto na construção dos saberes, mas sobretudo para que as crianças continuem se relacionando de alguma forma entre si, ativando a possibilidade de ver e “estar” com o outro e para que continuem encontrando nos professores, referências importantes de afeto. “Se deixarmos de ser valor de apoio e parceria, que complementa junto às famílias subsídios para o complexo ato de educar, menos importância teremos nessa relação e mais facilmente deixaremos de fazer parte da vida delas”, esclarece.

Educação em plataformas on-line

Diferente da rotina do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, em que as crianças já têm níveis de autonomia e entendimento para seguir as vídeoaulas e até transmissão de aulas ao vivo, na Educação Infantil é preciso uma interação diferente, com apoio dos pais ou responsáveis.

O ensino não presencial representa nesse momento uma forma possível de “atuação vinculada”. Ou seja, a proposta é equilibrar a forma de estar presente sob o ponto de vista afetivo. Apesar de serem de uma geração considerada como “nativos digitais”, necessitam da presença do adulto para auxiliá-las a manter sua atenção e/ou organizar-se diante das propostas não presenciais.

“Sendo essa realidade no universo virtual, que naturalmente impõe esse distanciamento, a dispersão delas pode ocorrer até mais do que ocorreria, se comparada ao ambiente em que a professora investe em expressão facial e corporal, gestos, toque, aproximação, entre outros. Dessa forma, a presença de um adulto auxilia essas interações com a professora e os colegas pelo computador”, afirma Rosana Marin.

Para a coordenadora de Educação Infantil do Colégio Marista Arquidiocesano, o plano de aula para essas propostas baseado nos campos de experiências da Base Nacional Comum Curricular, precisa contemplar elementos que despertem a curiosidade da criança, que a desafiem, interajam com ela em sua linguagem, que é potencialmente corporal, expressiva e espontânea. “Será um bom planejamento, por exemplo, propor jogos ou histórias que lhe agreguem valor afetivo, como as que envolvem personagens que elas gostem, ou ainda, se possível, que sejam construídos pelas professoras, contendo elementos que lhe remetam a boas vivências e memórias, como fotos dos colegas, a voz, imagens ou desenhos da docente”, fundamenta.  

Muitas propostas, desafios, intervenções e interações devem ser viabilizados pela escola para que essa aprendizagem, fortalecida e sustentada pelas diversas oportunidades do meio no qual a criança está inserida evolua.” Nesse momento de pandemia é necessária a presença ainda mais efetiva da família, que é quem está ao lado da criança, ajudando-a, porém amparadas e acompanhadas pela escola, pois pais e mães, que mesmo muito empenhados em oferecerem o melhor que puderem aos seus filhos e sem medirem esforços são, naturalmente, pais e mães, e não pedagogos”, finaliza Rosana Marin.

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