Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 05-06-2020 às 20:41

Conselho da Mulher redige “Carta Aberta” pelo combate à pandemia de Violência Contra a Mulher

As mulheres vivem mais que uma pandemia, diz Conselho Estadual dos Direitos da Mulher de Mato Grosso - CEDM/MT

Isso não se protege com máscara | Creditos: Divulgação

Abaixo segue a íntegra da carta aberta.

Muito embora a violência contra as mulheres não seja uma notícia nova, o Conselho da Mulher de Mato Grosso se dirige à toda sociedade Mato-grossenses, neste DIA NACIONAL DA MULHER, para chamar a atenção que nós mulheres vivemos mais de  uma pandemia. E como é lógico, uma com consequências sobre os resultados de morte
 da outra.
No mundo todo os índices de agressão às mulheres têm aumentado de modo bastante preocupante a ponto de em janeiro de 2019, o Papa Francisco ter alertado para uma
 epidemia de violência contra a Mulher na América Latina. Poucos meses depois a ONU
 alertou que se tratava de pandemia. E no momento, vivemos duas pandemias. A da COVID 19, que leva a medidas de restrição de convívio social, a fim de proteger à saúde e a vida, e a chamada pandemia das sombras: A violência contra a mulher, que já estava entre nós.
Essas estatísticas são do relatório da Organização das Nações Unidas para Mulheres- ONU Mulheres. A América Latina é considerada o local do mundo mais perigoso para
 as mulheres fora de uma zona de guerra.
 No Brasil esse crescimento da violência também pode ser observado. Em 2017 mais de  1,1 mil brasileiras foram assassinadas por questões de gênero; uma média de 3
 mulheres por dia. Isso representou um terço do que foi registrado em toda América
 Latina onde o índice era de 9 feminicídios diários.
 No Estado de Mato Grosso a situação é igualmente alarmante. Entre janeiro e dezembro de 2019, 87 mulheres foram assassinadas em Mato Grosso, conforme informou a Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal (CEAC) da Secretaria  Estadual de Segurança Pública de Mato Grosso- SESP/MT. Desse total, 39 casos foram registrados como feminicídios. Assim, a porcentagem de mulheres mortas se elevou 8,5% em relação à 2018.
Durante a pandemia da COVID-19, esses números, que ainda estão sob análise da SESPMT, aumentaram vertiginosamente. Os números de feminicídio, revelam que há subnotificação gigantesca de outros tipos de violência: agressões psicológicas, patrimoniais e agressões físicas. Isso porque o feminicídio é o FIM de um ciclo de violência que ocorre sem que os órgãos públicos sejam comunicados, e que são escondíveis, diferente da morte.
 Diante desse quadro terrível que é a constatação de que ocorreu um salto nos assassinatos de mulheres em Mato Grosso na quarentena em função da pandemia da COVID-19, ou seja, que as mulheres de Mato Grosso lutam duplamente pela vida (de fato, os números de morte de mulheres por feminicídio e COVID-19 em Mato Grosso são PRATICAMENTE OS MESMOS, o que nos leva algumas perguntas:
 - Até quando a sociedade vai continuar fechando os olhos para esse gravíssimo problema?

 - E as autoridades governamentais? Quais respostas estão dando a esse avanço da violência que tem ceifado a vida de tantas mulheres?
 - E as autoridades governamentais? Quais respostas estão dando a esse avanço da violência que tem ceifado a vida de tantas mulheres?
 - O combate à violência contra as mulheres tem sido uma prioridade no momento da  implementação das políticas públicas?
 - Qual é o orçamento da Segurança Pública, no Estado e nos Municípios, destinado ànAção de Combate à Violência contra a Mulher em Mato Grosso?
O Conselho Estadual dos Direitos da Mulher de Mato Grosso, CEDM/MT, vem por meio desta CARTA ABERTA manifestar total INDIGNAÇÃO em relação ao aumento da  violência contra as mulheres no Estado.
 Não aceitamos que tantas vidas sejam destruídas!
 É URGENTE o investimento no desenvolvimento de aplicativos aos quais as mulheres possam ter fácil acesso e recorrer em momentos de crise e perigo é uma medida bem
vinda que poderá salvar vidas.
 Faz-se necessário aumentar, ainda que provisoriamente nesse período, a capacidade da rede de acolhimento de amparar essas mulheres (hotéis, casa de amparo).
 Sugerimos a designação de equipes de apoio da Segurança Pública compreendidas por profissionais da PM, PJC e POLITEC para atendimento presencial às mulheres que
 moram em zonas rurais enquanto vigorar a quarentena.
 E ainda, propaganda maciça dos órgãos governamentais, e, como essa é uma carta aberta, conclamar também para que entidades representantes da sociedade civil, e as próprias empresas, estejam engajadas no combate à essa pandemia, dentro de outra pandemia.
Juntos, podemos mudar nossa realidade e proteger a vida das mulheres mato- grossensses, cidadãs, mães, filhas, amigas, primas, tias, estudantes, trabalhadoras, de qualquer classe social, que merecem exercer plenamente seu direito fundamental à vida, saúde e integridade física.

 

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