Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 05-06-2020 às 22:26

Bailarina cria modalidade físico-artística e conquista mais de 400 adeptas em todo o Brasil

Ballet Fly criado pela bailarina Letícia Marchetto, que buscou uma solução para problemas comuns nas academias e estúdios de dança, movimenta cerca de R$ 1,5 milhão por ano e conta com mais de 50 profissionais licenciados 

Letícia Marchetto buscou uma solução para problemas comuns nas academias e estúdios de dança e criou o Ballet Fly; | Creditos: Divulgação

Se alguém perguntasse a Letícia Marchetto o que move seu trabalho, ela diria que é levar a dança e o movimento às pessoas, mas não qualquer dança. A educadora física encontrou uma forma inovadora de levar o gosto pela atividade a quem pouco ou nunca sequer esteve em uma academia ou estúdio de dança e ganhou mais de 400 adeptos em todo o país. Hoje, a marca Ballet Fly possui mais 50 profissionais em diferentes cidades do Brasil e movimenta cerca de R$ 1,5 milhão por ano. 

 

Não se trata de uma franquia, nem de uma rede de academias. Marchetto teve a sacada de unir circo e dança em uma modalidade que pudesse ser ministrada por profissionais de pilates, dança, circo, educação física, fisioterapeutas e instrutores de yoga em qualquer lugar do Brasil. Hoje, com apenas R$ 5 mil qualquer um desses profissionais conseguem montar um estúdio completo de Ballet Fly. Enquanto isso, em um estúdio de Pilates, por exemplo, só o investimento nos aparelhos pode variar entre R$ 15 mil e R$ 20 mil. 

 

“Optei por não transformar em uma franquia, porque uma franquia vai além do movimento. Tem que entrar no caixa da empresa, olhar faturamento, definir estratégias de gestão.  O Ballet Fly é uma técnica de movimento e acredito que não funciona só com a minha habilidade de gestão. O meu interesse é formar professores e ensinar como conquistar os primeiros alunos”, diz Letícia, que cobra apenas uma taxa pelo uso anual da marca, que é de R$ 1.200 -  outra vantagem em relação a uma franquia, cujos royalties são de 5% a 10% do faturamento. 

 

Outro ganho para quem quer empreender no método é que as aulas são em grupo. Se no Pilates são colocados apenas três alunos por hora, no Ballet Fly é possível incluir até 12 integrantes - o que proporciona um retorno mais rápido, porque beneficia tanto o  professor quanto o espaço, e o aluno ainda paga menos do que uma aula de Pilates. De acordo com Marchetto, de 2 a 3 meses já é possível ter o retorno sobre o todo o investimento. 

 

Ela transformou um problema em uma solução

 

Formada em Dança e Movimento, a bailarina sempre teve uma relação muito próxima com a arte e, mesmo antes de entrar na faculdade, teve os primeiros contatos com o circo. Porém, o nariz de palhaço deu lugar a outros planos. Em 2011, Letícia deu o primeiro passo em sua saga empreendedora e fundou o próprio estúdio de Pilates, em São Paulo, e, no terceiro ano de negócio, passou a oferecer aulas de uma variação do ballet fit. 

 

“O método era muito bom na parte dos movimento da dança, mas, quando chegava na parte do trabalho de braços, parecia uma aula de ginástica localizada, que é algo muito bom para o corpo, mas que eu não estava interessada em ensinar. Em 2014, fui em busca de algo diferente e comecei a explorar os tecidos do circo. O foco inicial com o método era a dança, mas as acrobacias aéreas foram conquistando as alunas e a parte acrobática ficou cada vez mais forte”, explica. 

 

O primeiro desafio para a empreendedora era encontrar movimentos mais facilitados, já que mesmo as acrobacias mais iniciantes que conhecia eram avançadas para as alunas. Dessa forma, Letícia buscou facilitar cada vez mais os movimentos, criando novos exercícios e sequências coreográficas. O problema se tornou uma solução e foi então que percebeu que havia formulado um método.

 

Para batizar o método, a empresária criou uma lista de nomes, postou uma votação no Facebook entre as alunas do Studio e, assim, surgiu o Ballet Fly. “O termo foi escolhido como uma homenagem ao Ballet Clássico, a primeira dança ocidental a ter sua técnica sistematizada, codificada e registrada com clareza e detalhamento, do aprendiz iniciante ao avançado”, explica a empreendedora.

 

Expansão

 

Com a nova empreitada, não demorou muito para que as primeiras turmas de Ballet Fly ficassem cheias. Ainda no primeiro mês, a empresária conseguiu obter o retorno sobre todo o capital investido - algo nunca vivenciado antes em seu estúdio. O motivo é que ao comparar equipamentos de Pilates, os equipamentos utilizados no Ballet Fly eram muito mais baratos e, ao mesmo tempo, a modalidade era inovadora, atraindo uma nova clientela para o negócio. Logo, a forma rápida como tudo acontecia criou na empresária um senso de urgência para capacitar novos professores.

 

“Outros estúdios começaram a ser interessar pelo método e então passamos a fazer o credenciamento de unidades e a oferecer cursos de formação em Ballet Fly. Hoje, já são cinco unidades em São Paulo, uma no interior e, neste ano, já temos cursos de formação em outros estados. Eu diria que a grande vantagem é que o investimento para montar um estúdio completo de Ballet Fly é muito baixo e a possibilidade de concorrência ainda pequena, devido à necessidade de especialização da mão de obra”. 

 

Conexão com as mulheres 

 

A disciplina da dança, as desafiadoras acrobacias nos tecidos e as descobertas em relação ao corpo, fazem das alunas de Ballet Fly dançarinas habilidosas. Mas, para chegar a esse resultado não é necessário ser uma dançarina de berço. Nas palavras de Letícia, basta ter constância nas aulas e, principalmente, força de vontade. 

 

Por ser um método que desafia os próprios limites, as aulas auxiliam a superar medos e a externalizar emoções. De acordo com a profissional, muitas alunas chegam em seu estúdio indicadas por terapeutas.“Acredito que o Ballet Fly empodera as mulheres por mostrar que elas são capazes. A maior parte das alunas chega no primeiro dia dizendo que não conseguem ou que não têm força suficiente, mas, com o tempo, vão percebendo que podem ir mais longe do que acreditavam.” 

 

A valorização da autoestima é outra questão muito presente nas aulas de Ballet Fly. Segundo Marchetto, as professoras recebem muitos depoimentos de alunas que não se sentiam bonitas, mas que, ao se verem nos tecidos, passam a se perceber bonitas. Para Letícia, o Ballet fly é uma modalidade de alta construção estética e que possibilita o aumento da autoestima devido à possibilidade de superação. 

 

Os passos para o sucesso

 

De empreendedora a criadora de um método de sucesso, Marchetto garante que, apesar de todas as conquistas proporcionadas pelo Ballet Fly, precisou trabalhar muito. “Nada acontece como mágica. A gente acorda todos os dias cedo e trabalha muito para que as coisas aconteçam. Mas, ter ao seu lado profissionais que confiam no seu trabalho e constroem projetos contigo faz com que a vida seja mais leve. Contei e ainda conto com pessoas excelentes na minha equipe e acredito que o sucesso de uma ideia está em contar com uma equipe que acredita em você.”

 

Além de formada em Dança e Movimento, a profissional é bacharel em Educação Física, pós graduada em gestão de pessoas e coordenadora do curso de Pós graduação em Danças Aéreas e Ballet Fly da universidade USCS. Marchetto continua estudando tanto na área do movimento, como na área administrativa e viaja o país afora em busca de conhecimento, participando também de congressos nacionais e internacionais. Para o futuro, tem planos de estudar com algumas referências internacionais do universo acrobático.

Para as mulheres que também pretendem empreender e seguir carreira no mercado da dança, a empresária confere alguns passos. “O principal é ter constância. Quem dá aula de dança sabe que os alunos que mais se destacam são aqueles que têm mais frequência, e na administração do negócio é a mesma coisa. Também entender que o que faz a turma lotar é o primeiro aluno. De repente a turma ganha corpo e vai crescendo.”

 

Letícia acrescenta ainda que é preciso dar opções para o cliente. “Se seu cliente não tem tempo, abra mais uma grade de horários. Inspire seus clientes com seu amor pelo movimento e surpreenda-os com aulas inovadoras. Talvez eles ainda não saibam o quanto mover o corpo pode ser incrível. E você pode fazer a diferença”.

 

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