Jornal Rosa Choque
Publicidade

Cuiabá - MT, 11-12-2019 às 09:42

Documentarista costura histórias para discutir mobilidade

Luciana Kaplan, argentina radicada no México, é autora do documentário que venceu o prêmio de Melhor Documentário Mexicano

A obra é obrigatória para urbanistas, sociólogos, psicólogos, psiquiatras e médicos do trabalho, entre outros profissionais que sentem, no dia a dia, como movimentar-se numa metrópole pode ser uma jornada extenuante e desafiadora para o trabalhador. | Creditos: Reprodução

As numerosas horas diárias que trabalhadores de todo o mundo passam nas mais variadas formas de transporte de suas casas para o trabalho e vice-versa são motivo de ampla reflexão. Mas raramente ocupam o centro de uma obra de arte, no presente caso um documentário filmado pela argentina radicada no México Luciana Kaplan.

Ela se vale de três histórias de três personagens reais, passadas em três cidades distintas, para construir a jornada do trabalhador para conseguir se manter e a sua família com dignidade. E a tarefa não é fácil, pois é necessário enfrentar variáveis como preconceito de gênero, violência urbana e conflitos na própria família.

Uma das histórias é a de Meltem, que trabalha como vendedora em uma loja de roupas de Istambul, Turquia, onde a posição da mulher que ganha seu próprio dinheiro está cercada por resistências religiosas e sociais. Ela é uma das 2 milhões de pessoas que se movimenta pela cidade e ainda precisa cuidar da filha de manhã cedo, antes de sair, e quando volta para casa.

Estela, por seu turno, vive na periferia da Cidade do México. Sua jornada inclui metrô, por morar num bairro pobre e violento e pela presença de situações desagradáveis numa jornada física e psicológica que a deixa extenuada. Mas tudo ela suporta pela busca de economias que lhe permitam morar num local melhor e ter melhores condições de trabalho.

O terceiro personagem enfocado é Michael, que precisa abrir mão de seu sonho de ser músico profissional para dar a melhor condição possível de vida para a família. Trabalhando na área de construção civil, passa por jornadas extenuantes de três horas diárias de mobilidade, ficando muito tempo longe da jovem esposa, num desafio de saúde física e mental nas longas jornadas pelas grandes vias que atravessam Los Angeles, EUA.

Vencedor de Prêmio como Melhor Documentário Mexicano, a obra é obrigatória para urbanistas, sociólogos, psicólogos, psiquiatras e médicos do trabalho, entre outros profissionais que sentem, no dia a dia, como movimentar-se numa metrópole pode ser uma jornada extenuante e desafiadora para o trabalhador.

 

Sobre o especialista

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Deixe seu comentário!

O Jornal Rosa Choque não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de caráter promocional, inseridos sem a devida identificação do autor ou que sejam notadamente falsos, também poderão ser excluídos.

Lembre-se: A tentativa de clonar nomes e apelidos de outros usuários para emitir opiniões em nome de terceiros configura crime de falsidade ideológica. Você pode optar por assinar seu comentário com nome completo ou apelido. Valorize esse espaço democrático Agradecemos a participação!

Todos os campos marcados com é de preencimento obrigatório.