Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 17-11-2019 às 06:25

“Ainda posso sonhar” projeto foi lançado em Cuiabá

A Delegacia da Mulher de Cuiabá lançou o Projeto “Ainda posso sonhar”, vítimas de violência terão terapia em grupo .

Jozirlethe Magalhães entre a 1ª vice-presidente da BPW Cuiabá, Margarethe Nunes e a 2ª diretora Jurídica Marilza Figueiredo | Creditos: Divulgação

A delegada titular da Delegacia da Mulher de Cuiabá Jozirlethe Magalhães, explicou para mulheres vítimas e autoridades como funcionará o projeto. Dentre as autoridades que participaram a 1ª vice-presidente da Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais-BPW Cuiabá, e Coordenadora do Comitê dos Direitis da Mulher da BPW Brasil, Margarethe Nunes e a 2ª diretora Jurídica, Marilza Figueiredo da BPW Cuiabá. Ambas representam a organização no Conselho Estadual dos Direitos da Mulher. Consideraram o projeto muito relevante. 

O trabalho tem como metodologia a efetivação de terapias em grupo direcionadas às vítimas de violência doméstica, notadamente, aquelas que apresentam sequelas psicológicas em decorrência de um relacionamento violento.

A violência moral e a violência psicológica, apesar de possuírem penalidades mais brandas para o agressor, podem ensejar uma série de problemas graves, desde a ansiedade, transtornos alimentares, baixa autoestima, isolamento e até a depressão.

Não raras vezes, as vítimas que decidem sair desse ambiente violento e dar um basta ao ciclo de violência, encontrarão enormes desafios, a começar pelo próprio medo das ameaças se concretizarem, sendo que o natural é não possuir condições psicológicas para enfrentar tais desafios.

Por outro lado, a medida que a vítima aceita a violência, visualizando-a como algo “natural” dentro do seu relacionamento, mais se percebe a preponderância do fator autoestima em baixa na vida dessas mulheres, ou seja, é muito provável que elas venham desculpabilizar o agressor e, inclusive se culpabilizar em decorrência de algo que não conseguiu corresponder.

Quando se discute o alto índice de mulheres que resolvem se retratar da Representação contra o agressor, logo após tê-lo denunciado, é muito comum os comentários de que essa vítima “não sabe realmente o que quer”, “gosta de apanhar”, “gosta de sofrer”, “nasceu para ser mulher de bandido” etc. Esse posicionamento é o mais simples e mais raso, como reflexo de uma cultura patriarcal e machista de nossa sociedade.

Dificilmente deseja-se analisar cada caso, avaliar se o objetivo da denúncia da vítima era o de obter a punição do agressor, sua condenação no âmbito penal, ou simplesmente, a ânsia em garantir sua paz, sua tranquilidade, sua liberdade de um relacionamento opressivo sendo que, a “porta” para essa liberdade mais difundida, é a DENÚNCIA.

Invariavelmente, ela acaba buscando a Delegacia de Polícia para concretizar seu objetivo de cessar este ciclo de violência. Entretanto, após todos os trâmites burocráticos, ela se vê sozinha nesse novo cenário chamado de processo, muitas vezes sem o entendimento do que realmente significa todos esses procedimentos que lhes são apresentados, como única forma de se ver livre do agressor.

Em 2018, conforme divulgado no Anuário da DEDM/Cuiabá, 3.054 (três mil e cinquenta e quatro) mulheres buscaram o Pronto Atendimento da Delegacia da Mulher de Cuiabá. Todas elas, com uma história de violência para contar.

Segundo as estatísticas divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública do Estado – MT, em 2018, as estatísticas envolvendo vítimas femininas (18 a 59 anos) de crimes de AMEAÇA somam-se o total de 1.761 ocorrências. Para os crimes de INJÚRIAforam direcionados 1.067 registros policiais e para os crimes de DIFAMAÇÃO, o número de 771 ocorrências computadas.

Analisando essa grande quantidade de registros, mormente se compreenda, que o número de mulheres vítimas que não denunciam pode ser ainda maior, temos que, o problema atual, não cinge-se apenas e tão somente ao empoderamento da mulher para que rompa o ciclo de violência, mas para além disso, as indagações que se seguirão baseiam-se em como essa mulher conseguirá se reerguer, como seguirá adiante, como conseguirá ter esperança de que uma futura relação será diferente, e o mais importante, como proceder para não ingressar em um novo relacionamento abusivo.

Para isso, além do comprometimento de todos os atores da Rede de enfrentamento à violência contra a mulher, é preciso engajamento de outros setores da sociedade civil que venham corroborar com essa estrutura de atendimento, especialmente, sobrelevando-se que apesar de todos os avanços, a realidade dos serviços públicos ofertados ainda é bastante precária e carente de investimentos.

As dificuldades sobressaem, quando se trata de garantir o acesso a esse sistema de enfrentamento em localidades distantes, como zona rural, comunidades quilombolas, comunidades indígenas. No interior do estado, em municípios onde existem serviços públicos acessíveis, em sua maioria, também apresentam dificuldades de atendimento da demanda, por conta de recursos humanos, financeiros ou simplesmente, por não possuírem a visão correta dos vários aspectos que envolvem a violência doméstica.

Nessa esteira, o trabalho a ser desenvolvido pela Delegacia da Mulher no Projeto “Ainda Posso Sonhar”, será uma oportunidade de garantir a esse público de mulheres o acesso a um serviço terapêutico especializado, visto que desenvolvido por psicóloga habilitada, especialmente considerando, que tem sido um grande desafio o oferecimento desses serviços pelos sistemas de saúde pública no fluxo da Rede.

Não se pode precificar, fatores como a reconstrução da identidade de uma mulher, a libertação de frustrações e depressões, recuperação da autoestima e o mais importante, a capacidade de se autodesenvolver.

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