Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 22-09-2019 às 06:36

Adolescentes são grupo de alto risco para surdez precoce

A exposição a altos níveis de ruído, pode provocar, além da diminuição da capacidade auditiva, alterações neurais em vias auditivas que reduzem a tolerância ao nível de som

Se esses adolescentes continuarem a usar frequentemente fones de ouvido e se expuserem a ambientes barulhentos, eles podem ter problemas de surdez enquanto ainda são jovens. | Creditos: PixaBay

Ele foi desenvolvido em 1919 com endereço certo: as cabines de avião e escutas de rádio, mas ganhou o mundo globalizado e invadiu as ruas. Os fones de ouvido,  inicialmente, eram maiores e mais pesados. Ao longo dos anos esse acessório inofensivo foi sendo transformado e adaptado para facilitar o seu uso. Hoje é  uma febre – e um perigo - entre adolescentes e até adultos de todas as idades. 

 

Será que o fone de ouvido pode prejudicar quem os utiliza?

Apesar de ser uma invenção maravilhosa e transformadora, o uso do fone de ouvido de maneira errada ou abusiva pode sim prejudicar a saúde, em especial a dos ouvidos, porém não exclusivamente. O dano costuma ser decorrente de excesso de volume e/ou excesso de tempo e/ou vulnerabilidade individual de cada pessoa, ou ainda, todos os fatores juntos!”, segundo Tanit Ganz Sanches, Fundadora e Diretora do Instituto Ganz Sanchez.

Se a atual geração de adolescentes continuar se expondo a níveis muito elevados de ruído, possivelmente apresentará perda de audição entre 30 e 40 anos de idade. Barulhos em excesso em danceterias, shows, e fones de ouvido causam o aumento do zumbido no ouvido entre os adolescentes, que pode ser considerado como um sintoma da perda auditiva precoce, embora, a maioria dos casos de zumbido sejam diagnosticados após a idade de 50 anos, devido aos medicamentos e maus hábitos alimentares, o quadro persistente pode ocorrer em qualquer idade.

Os resultados dos testes revelaram que 28,8% dos adolescentes ouviram zumbido nos ouvidos dentro da cabine acústica em níveis comparados aos de adultos

 

Pesquisa - Levantamento inédito

Foram realizados exames de ouvido (Otoscopia) em 170 adolescentes na faixa etária de 11 a 17 anos, matriculados em um colégio particular da cidade de São Paulo. Solicitou-se que fosse respondido um questionário com perguntas sobre a percepção do zumbido nos ouvidos nos últimos 12 meses e, caso positivo, com qual intensidade, duração e frequência. Mais da metade dos adolescentes (54,7%) respondeu que tinha sentido zumbido nos ouvidos no período.

Os resultados dos testes revelaram que 28,8% dos adolescentes ouviram zumbido nos ouvidos dentro da cabine acústica em níveis comparados aos de adultos.
Foi observado que, embora a maioria dos participantes do estudo ter relatado manter hábitos arriscados de escuta, os que afirmaram sofrer de zumbido manifestaram menor tolerância a níveis elevados de som.

 

Zumbido: efeitos danosos

De acordo com a pesquisadora, Dra. Tanit Ganz Sanchez, o zumbido nos ouvidos é causado pela lesão temporária ou definitiva das células ciliadas. Localizadas no ouvido interno (cóclea), essas células alongam e encurtam repetidamente quando estimuladas por vibrações sonoras.

Ao serem estimuladas por altos níveis de vibrações sonoras, como os causados por uma explosão, fogos de artifícios, o som alto de um fone de ouvido ou em um show, por exemplo, essas células ciliadas ficam sobrecarregadas e podem sofrer lesões temporárias ou definitivas.

A fim de compensar a perda de função das células ciliadas lesionadas ou mortas, as regiões vizinhas passam a trabalhar em um ritmo mais acelerado do que o normal, o que dá origem ao zumbido nos ouvidos, explicou Sanchez.

 

Redução da capacidade auditiva

A perda dessas sinapses, causada pela exposição a altos níveis de ruído, pode provocar, além da diminuição da capacidade auditiva, alterações neurais em vias auditivas que reduzem a tolerância ao nível de som, como se observou nos adolescentes participantes do estudo, apontaram os pesquisadores.

“O zumbido nos ouvidos e a menor tolerância a níveis de som manifestadas pelos adolescentes participantes do estudo podem ser indícios de perdas de sinapses das células ciliadas que não são detectadas em exames audiométricos”, afirmou Sanchez. “Por isso, pode parecer que não há lesão na via auditiva, mas, na verdade, a lesão é que não aparece na audiometria, dificultando o diagnóstico”, ressaltou.

Se esses adolescentes continuarem a usar frequentemente fones de ouvido e se expuserem a ambientes barulhentos até os 20, 25 anos, por exemplo, a perda de sinapses tende a continuar progredindo e eles podem ter problemas de surdez enquanto ainda são jovens, estimou Sanchez.

 

Dra. Tanit explica a diferença entre os modelos de fone de ouvido mais usado: 

Fones circumaurais: cobrem toda a orelha e, por isso, oferecem um bloqueio físico à captura dos ruídos externos. Assim, não é necessário aumentar tanto o volume. Têm a melhor qualidade de som.
 
⦁    Fones supra-auriculares: também são grandes, mas ao invés de envolverem as orelhas, ficam sobre elas. Então, o bloqueio físico para os sons ambientes é menor.

 Fones auriculares: são os mais usados, pois já vêm com os smartphones. São colocados próximo à entrada do canal auditivo, mas sem vedá-lo. Não bloqueiam a entrada de sons do ambiente.
 
⦁    Fones intra-auriculares: São os menores. Encaixam-se dentro do canal auditivo e bloqueiam a entrada de sons ambientais. 

* Fotos meramente ilustrativas.

Algumas dicas para preservar a saúde auditiva, que podem ser seguidas em paralelo à orientação médica individual para cada caso:

⦁    Quando for a festas, shows ou bares ruidosos, não tenha vergonha de usar protetores de ouvido e faça intervalos periódicos (a cada 1 hora, saia 5 a 10 minutos). Com fones de ouvido, evite ultrapassar a metade da potência do seu aparelho ou usar mais que 2 horas seguidas. Isso faz MUITA diferença para a segurança dos seus ouvidos!

2. Alimente-se bem, de 4 a 6 vezes por dia, sem “pular refeição”. Evite excesso de cafeína, doces, álcool e nicotina.

3. Diminua o tempo de contato do celular com o ouvido, use mais o viva-voz ou fone e troque algumas ligações por mensagem de texto.

4. Estimule seus ouvidos com baixo volume de música suave ou outros sons agradáveis.

5. Evite auto-medicação, pois certos medicamentos podem causar zumbido.

6. Incorpore mais atividades de prazer na sua vida: atividade física, passeios, relacionamentos saudáveis, cinema etc. Momentos de felicidade ajudam a restaurar nossos os órgãos, inclusive os ouvidos.

7. Alivie seu estresse com atividades relaxantes, como yoga, meditação, Tai-Chi, Chi-Cong etc.

8. Informe-se! Acesse as palestras gratuitas do Grupo de Apoio Nacional a Pessoas com Zumbido (GANZ) na TV Zumbido.

 

Sobre a profissional:

Profa.  Dra. Tanit Ganz Sanchez – Otorrinolaringologista com doutorado e livre-docência pela USP, Fundadora e Diretora do Instituto Ganz Sanchez, criadora da Campanha Nacional de Alerta ao Zumbido (Novembro Laranja), do Grupo de Apoio Nacional a pessoas com Zumbido, da TV Zumbido e do curso online ABC...z do Zumbido. Assumiu a missão de desvendar os mistérios do zumbido e é pioneira nas pesquisas no Brasil, sendo reconhecida por sua didática, objetividade e compartilhamento aberto de ideias.  É especialista em Zumbido, Hiperacusia, Misofonia e Distúrbios do Sono.

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