Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 15-09-2019 às 10:02

Maria da Penha encerra colóquio em Cuiabá

“Aplauso gostoso, não para a superstar, mas para a mulher guerreira do mundo”, foi assim que a desembargadora Maria Erotides Knepp disse ao anunciar a palestra de Maria da Penha Maia Fernandes, no encerramento do Colóquio 13 anos da Lei Maria da Penha.

Maria da Penha conta sua história em Cuiabá | Creditos: Marcos Martins-RCQ

O encerramento do Colóquio  Lei Maria da Penha- 13 anos de lutas pelas mulheres, que ocorreu no dia 9 de agosto em Cuiabá, no Teatro Zulmira Canavarros foi carregado de emoção. O evento foi uma realização conjunta da Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica – Mato Grosso (ABMCJMT), presidida por Ana Emilia Sotero,  e da coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher), do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que tem a frente Maria Erotides Knepp. A protagonista autografou seu livro, Sobrevivi Posso Contar, que se encontra na segunda edição.

Maria da Penha iniciou sua palestra destacando que ao voltar a sua história de vida, tem por principal finalidade, proteger a mulher do homem agressor. “Temos homens e mulheres na luta, e cada vez mais homens se unem a causa, para termos uma sociedade onde a mulher será respeitada”, destacou. A palestrante disse ainda que enquanto os homens são assassinados nas ruas, brigas transito, bebedeiras, agressões em campos de futebol, as mulheres são assassinadas dentro da própria casa por quem deveria protegê-la. Vítima de  violência doméstica por parte de seu marido, motivo pelo qual ela está 36 anos na cadeira de rodas, e destaca que viveu momentos difíceis com  filhos pequenos.

Hoje Maria da Penha reconhece que sua fala é importante para encorajar as mulheres a pedirem ajuda. “É muita responsabilidade, essa lei considerada das mais avançadas do mundo, não tem o poder de acabar violência, ela precisa ser implementada em todos os municípios do país”, destacou, fazendo um apelo aos gestores municipais, pedindo aos prefeitos, por menor que seja o município, para que seja criado ao menos centro de referência para as mulheres, pois considera um  aparelho estratégico para conter a violência; outra solicitação foi para incluir nos currículos escolares, Direitos da mulher, e a contenção da  cultura machista.  “Precisamos mais Casas da Mulher Brasileira, sou feliz por ter uma em minha cidade, mas há somente cinco no país”, disse.

Ao relatar sua história, Maria da Penha disse que a tentativa de assassinato por parte do seu marido, ocorreu em maio de 1983, ela acordou de repente com um forte estampido dentro do quarto. Abriu os olhos, e não viu ninguém. Ela relatou que tentou se mexer, mas não conseguiu. Naquele momento, pediu fortemente para Deus não deixar suas filhas órfãs, e foi socorrida por médicos vizinhos. Sobreviveu, e ao retornar para casa viveu uma espécie de cárcere privado. Uma nova tentativa de assassinato foi relatada, e desta vez foi para eletrocutá-la.

Tentando condenar o marido por tentativa de assassinato, e enfrentando a morosidade da Justiça, e recursos impetrados. Seria mais um caso típico de impunidade, e Maria da Penha disse ter sido encorajada para denunciar junto a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos, e a OEA considerou que os seus direitos estavam sendo violados, a partir de então o seu caso tomou um novo rumo. E a história já se sabe que teve um divisor de águas, antes e depois da Lei Maria da Penha, que trata de forma mais rigorosa os crimes cometidos contra a mulher. Foram 19 anos buscando por justiça, e em 2002, próximo ao crime prescrever seu agressor foi preso. Ocorre, entretanto, que foi condenado a 15 anos, mas cumpriu pena de dois anos em regime fechado e o restante em semifechado e aberto.

Além de Ana Emilia e Maria Erotides, na mesa de autoridades as presenças: da deputada federal, Rosa Neide, da secretária de Estado de Trabalho e Assistência, Rosamaria Ferreira de  Carvalho,  da vice-presidente nacional da ABCMJ, Manoela Gonçalves, da desembargadora Shelma Lombardi Kato, da primeira dama de Cuiabá, Márcia Pinheiro e da procuradora do Ministério Público, Eunice Helena Rodrigues de Barros.

Três personalidades foram homenageadas no encerramento dos trabalhos, Rosmary Corrêa, conhecida como Delegada Rose, que implantou a primeira Delegacia de Defesa da Mulher em São Paulo, em 1985; a primeira delegada da mulher em Mato Grosso,Miedir Santana, e a desembargadora Shelma Lombardi, a primeira a aplicar a Lei Maria da Penha.

O evento conta com vários parceiros, dentere eles:  Governo do Estado de Mato Grosso, Prefeitura Municipal de Cuiabá, Prefeitura Municipal de Várzea Grande, Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de Cuiabá- BPW Cuiabá, BPW Várzea Grande, Portal Rosa Choque, Água Mineral Puríssima, Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso, Ministério Público de Mato Grosso, Defensoria Pública,  Ordem dos Advogados do Brasil- OAB MT, Associação das Primeiras Damas de Mato Grosso, Univag, Talavera, Ostrich,Caixa de Assistência dos Advogados, Tribunal de Contas (TCE-MT), Escola de Magistratura de Mato Grosso.

 

 

 

 

 

 

Delegada Rose, Miedir Santana e Shelma Lombardi são destacadas no encerramento do Colóquio.

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