Jornal Rosa Choque
Publicidade

Cuiabá - MT, 26-08-2019 às 02:13

Lindinalva Rodrigues é eleita a nova imortal da AML

Conhecida como a primeira promotora de justiça a aplicar a Lei Maria da Penha no Brasil, Lindinalva Rodrigues amplia o número de mulheres que conquistaram a imortalidade na Academia Mato-Grossense de Letras

A promotora de justiça Lindinalva Rodrigues tem o desejo de aproximar os acadêmicos ainda mais da comunidade, com projetos que estimulem a cultura, a literatura e a poesia mato-grossenses | Creditos: Marcos Martins e Divulgação

Com vasta produção na área da violência de gênero; direitos humanos das mulheres; violência contra a mulher e lei Maria da Penha, a promotora de justiça, do Ministério Público, Lindinalva Correia Rodrigues, foi eleita  imortal da Academia Mato-Grossense de Letras-AML, e ocupará após a posse, programada para o mês de outubro, a Cadeira 37, que tem como patrono, Antônio Vieira de Almeida, e que foi ocupada pelos acadêmicos, Cesário Corrêa da Silva Prado e Bernardo Elias Lahdo. Ela foi a vencedora em uma eleição considerada histórica, com oito candidatos, e que ocorreu em dois turnos na manhã de sábado, 20 de julho, na sede da instituição quase centenária. Com sua  posse, que está programada para o mês de outubro, terão 12 mulheres ocupando cadeiras na AML. São membros atuais: Amini Haddad Campos, Elizabeth Madureira Siqueira, Luciene Carvalho, Lucinda Nogueira Persona, Maria Cristina de Aquino Campos, Marília Beatriz Figueiredo Leite, Martha Cocco, Nilza Queiroz Freire, Olga Castrillon Mendes, Sueli Batista dos Santos e Yasmin Jamil Nadaf.

Após o resultado, o presidente Sebastião Carlos Gomes de Carvalho designou uma comissão formada pelos acadêmicos: Amini Haddad, Flávio Ferreira e Olga Castrillon para comunicar oficialmente a eleita. Comemorando, a promotora de origem humilde e com grande trabalho voltado para a comunidade e os projetos sociais, afirmou que “é a hora e a vez de uma mulher, que não é “gente de nome”, feminista e humanista, entrar para a tradicionalíssima “Academia Mato-Grossense de Letras”. Seu sonho começa a se realizar, em breve adentrará como imortal na Casa Barão de Melgaço., ocupando o lugar que tanto almejou.

Lindinalva é conhecida como a primeira promotora de justiça a aplicar a Lei Maria da Penha no Brasil, ganhou notoriedade nacional pela dedicação e enfrentamento aos casos de violência doméstica, tendo coordenado diversos projetos sociais premiados em todo o país. Perguntado sobre o que espera dessa nova e importante conquista, a nova imortal disse “pretendo levar os projetos sociais para dentro da Academia e aproximar os Acadêmicos ainda mais da comunidade, com projetos que estimulem a cultura, a literatura e a poesia mato-grossenses”.

O pleito concorrido

No primeiro turno, Lindinalva, e a jornalista e historiadora Neila Barreto foram as mais votadas, dentre os oito candidatos, sendo que também disputaram: os magistrados Antonio Peleja e André Molina, o professor e advogado Antônio Ernâni Pedroso Calhao;  a  Desembargadora Helena Bezerra;  o médico, cantor, poeta e historiador João Eloy, e o engenheiro e escritor Martin Santa Lucci. No segundo turno, Lindinalva conquistou a maioria dos votos.

Lindinalva agradeceu aos votos recebidos, afirmando que “foi uma disputa muito difícil, em face da elevada trajetória dos concorrentes e pela destacada cultura  dos eleitores, que formam a grande elite intelectual dos escritores de Mato Grosso, que inclusive despontam nacionalmente com poetas, romancistas, juristas, jornalistas, historiadores e cronistas.”

Perguntado sobre o que espera dessa nova e importante conquista, Lindinalva disse “ pretendo levar os projetos sociais para dentro da Academia e aproximar os Acadêmicos ainda mais da comunidade,  com projetos que estimulem a cultura, a literatura e a poesia mato-grossenses”.

Sobre a eleita

Lindinalva nasceu em Campo Grande, quando tudo era um “Mato Grosso só”, no dia 22 de dezembro de 1970. Em seu lar, conforme lembra, residia também a dificuldade, e a família tinha a pobreza como companheira constante. “Era um tempo em que o objetivo da vida era sobreviver, um dia de cada vez, sem preocupações com o futuro”.

Em 1972, seus pais, Pedro e Aparecida, muito jovens, vieram tentar melhor sorte em Cuiabá, jovens, trabalhadores escolhendo o bairro Coxipó. Ela se lembra “do casebre de uma peça, com pouco reboco e chão batido, de onde se podia ver as estrelas pelos buracos do telhado no meio da noite”. Foi o tempo em que o seu pai ainda estava no exército, atuando no 9º Batalhão, trabalhando na construção da Rodovia Cuiabá-Santarém, tendo deixado o exército em 1974. Ela também morou em Tangará da Serra e também em Várzea Grande, e Tangará da Serra. Desde 1985 mora em Cuiabá.

Foi através dos estudos que Lindinalva mudou sua trajetória. É Bacharel em Direito pela Universidade de Cuiabá, Pós-Graduada em Direito Público pela Universidade de Cuiabá e Fundação Escola Superior do Ministério Público, Pós-Graduada em Direito Financeiro e Tributário pela Universidade Federal de Mato Grosso. Atualmente é mestranda em Direitos Humanos e Fundamentais pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e graduanda em Filosofia também pela UFMT.

Aos 48 anos de vida, busca a plenitude, sendo inspiração de garra pelos estudos, e pelo trabalho. “Sou hoje uma feliz estudante aprendiz da vida, não desejo mais ter as respostas, mas quero fazer outra”. Sua filha Diana,  tem 31 anos e é advogada e lhe deu outra menina, sua neta Helena. Seu filho João Pedro tem 22 anos, e está na metade do curso de medicina. Tem ainda sobre seus cuidados, a sobrinha e sua filha do coração, Giovana, que cuido há mais de dez anos, também faz medicina. A vida, entretanto, lhe deu Giulia, sua adorável enteada, “se tivesse saído de meu ventre não se pareceria tanto comigo”, diz.

Promotora de Justiça do Estado de Mato Grosso desde 1987, Lindinalva tem uma trajetória honrada, e de lutas pela igualdade de gênero, e direitos humanos. Confira:

Criou e coordenou o Projeto Questão de Gênero, que foi premiado pelo Governo Federal como um dos três melhores do país, em agosto de 2010; criou e coordena o Projeto Lá em casa quem manda é o respeito, em março de 2011, projeto este, selecionado e aprovado no Banco de Boas Práticas do Conselho Nacional do Ministério Público; criou e coordena o Projeto, Promotoras Legais Populares de Mato Grosso, que foi oficialmente lançado, em 08 de março de 2013.

Assessorou, em 2011, a Frente de Defesa Parlamentar de Defesa da Família do Senado Federal; foi indicada pelo Governo Federal, no mês de abril de 2012, entre as 25 mulheres que fazem a diferença no Brasil; coordenou, de março de 2012 a março de 2013, a Comissão Permanente Nacional de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; em 2012 e 2013, auxiliou a Comissão Provisória de Reforma do Código Penal Brasileiro e a CPMI da Violência Doméstica no Congresso Nacional.

Dentre muitos reconhecimentos recebidos, destaca-se que no ano de 2013, recebeu a medalha do Mérito “Ruth Cardoso” pelo trabalho em defesa das mulheres e pelos projetos sociais desenvolvidos para as mulheres em todo o país; classificando-a como colaboradora para criação e implementação de ações e programas de promoção social, econômica, política e cultural, em prol da defesa dos direitos femininos, no combate à discriminação e as desigualdades de gênero; foi homenageada pela Bancada Feminina do Congresso Nacional pelo lançamento do livro Direitos Humanos das Mulheres, escrito em parceria com a Juíza Amini Haddad Campos; Menção Honrosa efetivada pela Corregedoria Geral do Ministério Público, em reconhecimento pela atuação funcional dentro e fora do Estado de Mato Grosso, no combate à violência doméstica contra a mulher e na divulgação da Lei Maria da Penha;  Moção de Aplausos do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais do Brasil encaminhado pela Comissão Permanente de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e aprovada por unanimidade pelo Grupo Nacional de Direitos Humanos.

São dezenas de projetos e campanhas realizados pelo fim da violência doméstica e familiar contra as Mulheres, de combate ao abuso sexual infanto juvenil, de combate à pedofilia e ao abuso sexual de crianças e adolescentes, de luta nacional por compromisso e atitude.

Obras publicadas

Coautora com a Juíza Amini Haddad Campos do livro “Direitos Humanos das Mulheres” comentários à Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), que foi publicado pela Juruá Editora, em 2007.

Coautora do livro de autoria com Carmem Lucia Antunes Rocha – Ministra do Superior Tribunal Federal/STF, Amini Haddad Campos – Juíza de Direito – TJ/MT, Lourdes Bandeira – Socióloga e Professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília, Fausto Rodrigues de Lima – Promotor de Justiça – Membro do Núcleo de Gênero do MPDFT e outros, denominado “Violência Doméstica – Vulnerabilidade e Desafios na Intervenção Criminal e Multidisciplinar, que foi publicado pela Editora Lúmen Juris, em 2008.

Coautora do livro de autoria múltipla coordenado pela Amini Haddad Campos – Juíza de Direito – TJ/MT, denominado “Constituição, Democracia e Desenvolvimento, com Direitos Humanos e Justiça”, que foi publicado pela Editora Juruá, em 2009.

Coordenadora e autora do livro de autoria múltipla, com apresentação da Ministra do Supremo Tribunal Federal, Carmem Lúcia Antunes Rocha, denominado “Sistemas de Justiça, Direitos Humanos e Violência no Âmbito Familiar, que foi publicado pela Editora Juruá, em 2011.

 

Deixe seu comentário!

O Jornal Rosa Choque não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de caráter promocional, inseridos sem a devida identificação do autor ou que sejam notadamente falsos, também poderão ser excluídos.

Lembre-se: A tentativa de clonar nomes e apelidos de outros usuários para emitir opiniões em nome de terceiros configura crime de falsidade ideológica. Você pode optar por assinar seu comentário com nome completo ou apelido. Valorize esse espaço democrático Agradecemos a participação!

Todos os campos marcados com é de preencimento obrigatório.