Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 25-04-2019 às 04:13

Efeitos da atividade física sobre mulheres com câncer de mama

O treinamento de resistência foi significativamente associado ao aumento da força muscular corporal, e dos membros inferiores e superiores, além da melhora da flexibilidade

Foi constatado melhora do sistema imunológico pelo aumento de células natural killers e linfócitos | Creditos: PixaBay

O envolvimento na atividade física dos pacientes diagnosticados com câncer de mama foi significativamente associado com diminuição da mortalidade, aumento das funções fisiológicas e alterações nos biomarcadores metabólicos. Os principais resultados de saúde foram o aumento das funções cardiorrespiratórias, força muscular e componentes das células imunes. Em particular, o treinamento aeróbio foi significativamente associado ao aumento das funções cardiorrespiratórias, como melhora na absorção máxima de oxigênio e diminuição da pressão arterial.

O treinamento de resistência foi significativamente associado ao aumento da força muscular corporal, e dos membros inferiores e superiores, além da melhora da flexibilidade. Foi constatado também melhora do sistema imunológico pelo aumento de células natural killers e linfócitos.

Esses estudos encontraram algumas limitações, como tamanhos de amostra relativamente pequena, períodos de intervenção curtos e desgaste elevado. Para aumentar o poder estatístico, os estudos futuros devem utilizar tamanhos de amostras maiores e períodos de intervenção mais longos para examinar maiores resultados de saúde entre os pacientes diagnosticados com a doença.

Durante as intervenções cirúrgicas, o desgaste elevado induzido pela recorrência do câncer, os efeitos colaterais do tratamento ou a morte súbita devem ser minimizados para aumentar a qualidade do estudo. Além disso, a intensidade da atividade física pode desempenhar um papel significativo nos projetos de estudo, mas o nível de intensidade não foi consistentemente relatado, ou seja, o importante é praticar alguma atividade!

Muitos trabalhos recomendaram atividade física de intensidade moderada, enquanto vários estudos recomendaram atividade física de intensidade vigorosa. Assim, os estudos atuais não fornecem evidências conclusivas sobre quais a intensidade da atividade física é mais benéfica para os sobreviventes. O que podemos dizer é que a maioria dos trabalhos demonstrou que a atividade física está associada à redução da mortalidade e da recorrência do câncer e à melhoria dos resultados gerais de saúde entre as pessoas diagnosticadas com a doença, mas uma investigação adicional é necessária para comparar esses resultados com estudos sobre câncer de mama.

Em geral, os pacientes que se envolveram em maiores quantidades de atividades físicas tiveram maiores benefícios para a saúde em comparação com aqueles que não estavam envolvidos em nenhum esporte. Os estudos sugeriram que as pacientes podem ter os maiores benefícios para a saúde se caminhar com intensidade moderada em comparação com outros tipos de atividade física (por exemplo, atividades recreativas, esportivas ou ocupacionais).

O aumento do risco de mortalidade por câncer de mama foi maior entre os sobreviventes com estilo de vida sedentário em comparação com aqueles que eram fisicamente ativos. Portanto, os estudos encorajaram os pacientes diagnosticados com a doença a se envolverem em atividades esportivas para reduzir possíveis efeitos colaterais ou um mau prognóstico do câncer de mama após o diagnóstico.

Antes mesmo de falar sobre os benefícios do esporte, o que mais vale é prevenir com o exame da mama, e obviamente, continuar treinando!

 

Sobre a especialista:

Ana Paula Simões é Professora Instrutora da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Mestre em Medicina, Ortopedia e Traumatologia e Especialista em Medicina e Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia; da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé, da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte; e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte.

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