Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 21-03-2019 às 20:06

Lideranças femininas no Fórum do Brics na Russia

Mais de mil mulheres formaram o público do Fórum “O Papel da Mulher  no Desenvolvimento das Regiões Industriais”, em Novokuznetsk, região de Kemerovo- Russia. A BPW Brasil participou com destaque na abertura e no painel  do BRICs

Lideres do Brics reunidas em Novokuznetsk, região de Kemerovo- Russia. durante o Fórum “O Papel da Mulher  no Desenvolvimento das Regiões Industriais”, a BPW Brasil foi a única do país a representar as mulheres, através da presidente Eunice Cruz. | Creditos: Divulgação BPW BRASIL

Um importante movimento para se criar  mecanismos visando aumentar a atividade econômica das mulheres que pertencem aos países que formam os BRICS- Brasil, Rússia, Índia , China e África,  está sendo criado, através de importante aliança de negócios com objetivos voltados a projetos e programas que fortalecem vínculos comerciais entre as principais economias emergentes. A Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais-BPW Brasil, participou  no período de 1 a 3 de março, do Fórum “O Papel da Mulher  no Desenvolvimento das Regiões Industriais”, que ocorreu em Novokuznetsk, região de Kemerovo, Russia. A ONG Feminina foi representada pela presidente Eunice Cruz, que falou no painel  ”BRICs Agenda Econômica para Crescimento Inclusivo", ela foi acompanhada da diretora secretária, Margarida Yassuda.

Mais de mil mulheres formaram o público do importante acontecimento, e do Brasil somente a BPW foi organização feminina convidada, “discutirmos e pensarmos estratégias para o desenvolvimento econômico e profissional das mulheres”, conforme destacou a presidente Eunice Cruz, em sua fala no importante Fórum.

A presidente da BPW Brasil destacou que devemos enxergar o evento como oportunidade para garantir e acelerar o progresso urgente aos direitos das mulheres, a construir consensos e compartilhar as melhores práticas que permitam atender as necessidades deste público. “É o momento para estabelecer ações que respondam à grandeza dos problemas enfrentados pelas mulheres que desejam o desenvolvimento de seus negócios para colaborar com o crescimento da economia dos países do BRICS e global”, pontuou. * O discurso completo pode ser lido ao final da matéria.

O Brasil no com texto do BRICs

  • Por Eunice Cruz

Os países integrantes do BRICS juntaram-se para fortalecer o vínculo comercial entre as principais economias emergentes, aceitando assumir maior responsabilidade política e econômica. Cada um tem sua  cultura, costumes e tradições, bem diferentes entre si, entretanto, tem praticamente os mesmos desafios em relação a promover a autonomia financeira e economica e a participação feminina nos negócios de forma a alavancar o crescimento e potencializar suas economias, refletindo positivamente na economia global.

O Brasil conquistou sua independência durante a década de 1820. É o mais populoso da América do Sul, com quase 215 milhões de habitantes e até 2013 era conhecido como um dos mais fortes mercados emergentes do mundo, mas enfrentou nos últimos 5 anos instabilidade econômica, política, desemprego crescente (12 milhões de desempregados) e inflação obstruindo as antigas taxas de crescimento econômico. Com as grandes mudanças que devem ser realizadas pelo novo governo que assumiu em janeiro de 2019, espera-se que venha se recuperar e volte a crescer.

Sua economia  é movimentada em 27% pelas pequenas e médias empresas, com partipação importante das mulheres. Apenas em 1962, portanto há 55 anos,  as mulheres puderam ter uma conta bancária e conquistar a autonomia para ingressarem no mundo dos negócios em seu próprio nome, pois somente nessa década conseguiram seu Registro no CPF - Cadastro Pessoas Físicas.  Ganharam mais espaço no movimento sindical na década de 1980 e apenas com a Constituição Federal de 1988, conquistaram a igualdade jurídica, sendo consideradas tão capazes quanto os homens. De acordo com dados do Governo Brasileiro,  3 em cada 4 lares são chefiados por uma mulher e, dessas, 41% tem o seu próprio negócio.

No Brasil, o GEM - Global Entrepreneurship Monitor 2017, realizado em parceria com o Sebrae, aponta que mais de metade dos novos negócios abertos em 2016 foi fundado por mulheres. Elas são mais escolarizadas do que os homens empreendedores e atuam, principalmente, no setor de serviços. “A taxa de empreendimentos iniciados no país, desde 2007, oscila entre 47% e 54% para homens e mulheres. Em 2017, a taxa foi de 48,5% para homens e 51,5 % para mulheres”. Isto mostra que o número de homens e mulheres interessados em empreender é proporcional há anos, mas sempre com as mulheres à frente.

Os  desafios para as mulheres empreenderem ficam evidenciado nos percentuais de empresas estabelecidas, ou seja, com mais de 4 anos de existência.  As pesquisas apontam que os homens têm um histórico de supremacia neste quesito, representando 57,3% do total das empresas. E, 43% das mulheres veem o medo do fracasso como o principal empecilho para abrir a própria empresa. Com os homens, a mesma taxa cai para 34%.

Ao impulsionar uma forma diferente de pensar os negócios, tanto mulheres quanto outras camadas sociais sub-representadas conquistam protagonismo e mais espaço, bem como reconhecimento e satisfação pessoal e profissional.

Se por um lado as mulheres têm conseguido mais espaço no mundo dos negócios  e isso aumentou suas rendas, a auto-estima financeira, ou seja, o nível de segurança para lidar com o dinheiro de forma a aumentar sua autonomia, não cresceu na mesma proporção. O desafio está em fortalecer esse aspecto, em construir confiança para que mulheres possam gerir melhor as próprias finanças e  tomar melhores decisões em relação a seus negócios

Para contribuir com o desenvolvimento das mulheres e criar mecanismos que as permitam permanecer e crescer nos negócios, o governo  criou  em 2004 da Secretaria de Políticas para Mulheres, com seu eixo “Trabalho e Empreendedorismo”.

Temos também, o SEBRAE – Serviço Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas, que atua como apoiador de ações para o desenvolvimento do empreendedorismo,  monitora periodicamente o crescimento da participação das mulheres no empreendedorismo e disponibiliza em sua plataforma digital: ideias de negócios, cursos gratuitos online, serviços digitais para ajudar na gestão do negócio e como elaborar um plano de negócios.

Há também a APEXBrasil – Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos que realiza projetos em parceria com organizações da sociedade civil, destacando-se o Projeto “Mulheres na Exportação”  com o objetivo de contribuir para o fortalecimento da inserção econômica das mulheres, onde  as empreendedoras conhecem e são instruídas a se inserir em plataformas digitais internacionais para vender ao mercado externo, como a do ITC, por meio da qual podem se conectar com compradores de multinacionais. Trabalha também com WEConnect International, instituição que certifica fornecedoras e as conecta à uma ampla base de compradores internacionais, que desenvolvem programas de Diversidade e Inclusão em suas cadeias globais.

Sugerimos que, à partir deste Fórum, os países do BRICS passem a trabalhar com mecanismos que envolvam ações inovadoras de promoção industrial e comercial para o segmento e seja desenvolvida uma rede de apoio à mulher empreendedora em todos os países membros.

Que a Aliança de Negócios das Mulheres do BRICS  tenha representantes em todos os países membros a fim de divulgar notícias sobre eventos relativos à pauta dos negócios de mulheres, promover o Networking entre as mulheres exportadoras e  divulgação de empresas que trabalham com políticas de inclusão de minoria.

Que os países membros estabeleçam diretrizes e ações voltadas para o empoderamento econômico e empreendedorismo feminino, apoiando diferentes instituições que trabalhem com estes objetivos.. Que  promovam  eventos com participação de empresárias que já estão engajadas no contexto das exportações para troca de experiências, como  rodadas de negócios e Worshops.Que promovam a realização de Cursos e Treinamentos na área de Capacitação financeira em plataforma digital que também promova o encontro de parceiras empreendedoras, clientes e fornecedores.

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Íntegra do discurso da presidente

Segue a íntegra do discurso da presidente Eunice Cruz na abertura do Fórum, o que mostra o quanto a BPW Brasil ocupou lugar de destaque em importante acontecimento, que inclusive teve repercussão na mídia internacional.

http://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1878579752246384&id=100002831333656&sfnsn=mo

Sr. Gulnaz Kadyrova - Conselheiro Estadual da Federação Russa, Vice-Ministro da Indústria e Comércio da Federação Russa

Sra. Anna Tsivileva - Presidente do Conselho de tutela na esfera social da região de Kemerovo (Kuzbass)

É para nós motivo de grande honra poder estar neste país a convite dos organizadores deste Fórum  para discutirmos e pensarmos estratégias para o desenvolvimento econômico e profissional das mulheres.

Agradecemos imensamente aos organizadores o convite para participar deste momento importante para as mulheres e às pessoas com as quais mantivemos os contatos necessários para concretização de nossa vinda e a todos que nos atenderam de forma tão carinhosa e acolhedora

Hoje, ao abrirmos este evento, devemos enxergá-lo como oportunidade para garantir e acelerar o progresso urgente aos direitos das mulheres, a construir consensos e compartilhar as melhores práticas que permitam atender as necessidades das mulheres.

É o momento para estabelecer ações que respondam à grandeza dos problemas enfrentados pelas mulheres que desejam o desenvolvimento de seus negócios para colaborar com o crescimento da economia dos países do BRICS e global. Em todo o mundo, estamos testemunhando um desejo sem precedentes por mudanças nas vidas das mulheres, e um crescente reconhecimento de que quando as mulheres se juntam podem produzir mudanças de longo alcance.


As mulheres estão lutando para tomar medidas que transformem suas vidas, e se recusam a aceitar as práticas que normalizam as desigualdades de gênero, as más condutas sexuais, a exclusão e a discriminação em todas as suas formas.

Acreditamos que “o tempo é agora”, para promovermos mudanças no tratamento dado às mulheres. As mulheres também vêm conseguindo demonstrar que as ações que elas realizam juntas podem impactar nas esferas econômica, social e política de todos os países do mundo.

Estou aqui representando as mulheres brasileiras e especialmente as que fazem parte da BPW Brasil – Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais., filiada à BPW Internacional que foi fundada pela Dra. Lena Madesin Phillips em 1930.


A BPW International é uma das redes internacionais de mulheres de negócios e profissionais mais influentes do mundo, com afiliadas em mais de 100 países nos cinco continentes, dentre estas está a BPW Brasil a qual tenho a honra de estar Presidente.  

Sua missão é desenvolver o potencial profissional, empresarial e de liderança das mulheres através da capacitação, advocacia em rede, mentoria e realização de projetos. 


A BPW chegou ao Brasil em 1987 e está presente em 18 estados da federação com 25 unidades de BPW Locais, congrega mais de mil mulheres, realiza projetos de grande impacto social  em parceria com o governo,  iniciativa privada e sociedade civil e participa ativamente das políticas públicas, como titular do Conselho Nacional de Políticas Públicas para Mulheres.

Em nosso país temos trabalhado arduamente para que as mulheres tenham uma participação importante na política, espaço para concretização das mudanças. Nos últimos 20 anos a lei de cotas avançou para garantir às mulheres uma parte mínima do dinheiro do fundo partidário para suas campanhas. Os partidos precisam ter no mínimo 30% de candidatas às eleições municipais, estaduais e federais.

A BPW tem desenvolve e implementa projetos que combatem as desigualdades salariais e de condições para o trabalho das mulheres. No Brasil e em muitos países, lamentavelmente, mulheres exercendo as mesmas funções e pelo mesmo número de horas trabalhadas ganham menos que os homens. A BPW luta forte e incansavelmente contra esta forma cruel de discriminação e tratamento desigual da mulher.

A BPW participou ativamente há 15 anos para aprovar a Lei Maria da Penha, que aumentou as penas para os homens que cometem  violência doméstica contra mulheres e até hoje por meio trabalha compremitida com esta importante causa.

Realizamos em todo o país muitos projetos de capacitação empreendedora, gestão financeira, inclusão digital, marketing e plano de negócios, a fim de que as mulheres sejam capacitadas para investir em seus negócios, mantê-los em crescimento e divulgá- los, contribuindo para o aumento  de empregos e crescimento da economia. 


Daqui deste Fórum  irei direto a Nova York com uma delegação de mulheres brasileiras e juntamente com milhares de mulheres de todas as partes do mundo  participaremos da 63ª CSW – Comissão do Status da Mulher, que acontecerá na ONU de 11 a 22 de março, onde serão  apresentadas as conquistas e priorizadas necessidades que  estabelecerão as diretrizes para as políticas públicas de apoio às mulheres.

Todos os esforços são importantes neste momento em que está provado que, se for concedido às mulheres, igualdade de direitos, elas podem colaborar significativamente para que tenhamos um mundo mais equilibrado, mais justo e melhor para todos.

Muito obrigada.        

 

Nas fotos a presidente Eunice Cruz com Sergey Tsivilev, Governador da Região de Kemerovo e   Anna  Nesterova, Chair Comitê Organizador do Fórum.

Nas demais fotos, a presidente com o governador Sergey Tsivilev, e a diretora secretária, Margarida Yassuda, e ambas com Galina Karelova, Deputy Chairperson, do Council of the Federation Frderal Assembly Of  The Russian Federation, 

                                                                                                         

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Jacinta Rosa Okde . 05-03-2019 19:47hs

Parabéns mulheres BPW juntas somos melhores e brilhamos mais!!