Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 25-03-2019 às 16:17

Bernardina Maria Elvira Richi

A Mostra Cultural: 300 Mulheres - Letras, História e Equidade, projeto da Academia Mato-grossense de Letras, coordenado pela juíza Amini Haddad, membro da cadeira 39 da AML, traz a história Bernardina Maria Elvira Richi

Bernardina Maria Elvira Richi tem destaque por sua luta, em que uma professora negra engendrou em uma sociedade insculpida sob o manto do patriarcado | Creditos: Divulgação/arquivo Projeto 300 Mulheres

Nascida em 1872, falecida em 1942, aos 70 anos. Destaque à luta que uma professora negra engendrou em uma sociedade insculpida sob o manto do patriarcado e suas subalíneas.Sua história combativa às discriminações outrora sofridas, contudo, não foram óbices à construção de seu nome com destaque e louvor no magistério cuiabano.

Em 1888, aos 16 anos, participou de seu primeiro concurso, no qual concorria ao cargo de professora primária com uma candidata branca. Ao final do concurso, ambas foram consideradas qualificadas para ocuparem o cargo, contudo, a vaga foi ocupada pela candidata adversa.

Neste concurso, o tratamento sob o manto da desigualdade é visível, atestando, pois, as diferenças desmedidas remetidas à Bernadina que não foram inseridas à concorrente.

Desta feita, foram exigidas apresentações pelas candidatas de declarações sobre suas condutas morais, assinadas por pessoas de prestígio na sociedade. A uma, candidata branca, incumbiu-se do feito, um padre A duas, candidata negra, fora confiado a atribuição a um delegado.

Em que pese a apresentação de atestado médico ao referido concurso, à candidata branca se atesta, tão somente, sua boa saúde. De outro giro, à candidata negra, menciona-se ter sido esta vacinada, sem que tal fato fosse retratado pelo atestado da concorrente[1].

Outra exigência, foi a apresentação de comprovação ao concurso, exigindo-se, antecipadamente à realização do concurso, o comprovante do pagamento de inscrição de Bernardina (3 mil réis), ao passo que   candidata branca pôde apresentar este comprovante em momento distinto[2].

Marques e Gomes (2017), em estudo, observam a presença de racismo sutil a Bernardina. O concurso, em epígrafe, acabou sendo cancelado tendo-se em vista irregularidades anotadas. Bernardina, contudo, continuou trilhando seu caminho à docência, sendo nomeada em junho 1890, a pedido, interina da 2ª Cadeira primária. Em novembro de 1890, foi efetivada na 2ª Cadeira do sexo masculino de Cuiabá[3].

Contudo, em outubro de 1899 foi transferida desta cadeira para a cadeira da Escola Elementar do sexo feminino da Vila de Nioac (interior), o que não foi acatado por Bernardina que acabou permanecendo na cidade.

Dados do Arquivo Público de Mato Grosso (Relatório da Instrução Pública de 1913 – Do ensino particular em Cuiabá (APMT)), constam Bernardina como diretora e possível criadora do Colégio 8 de Dezembro (1920), esta escola contava com 112 alunos matriculados e aprovava muitos para a Escola de Aprendizes Artífices, posterior Escola Técnica e atual, Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT).

Em 1921, aparece dirigindo outra escola. Além da intensa atividade docente, foi escritora na Revista A Violeta, com intensa dedicação e contribuição. Assumiu diversos cargos na agremiação, tendo seu início na tesouraria, nos primeiros anos, desta agremiação. Urge ressaltar ter sido co-fundadora, editora e colaboradora durante décadas nesta revista.

Na nova diretoria da Agremiação (1920) foi eleita vice-presidente, sendo ressaltado por Gomes e Marques (2017) a preocupação das redatoras, entre elas, BernardinaRich, com obras sociais[4].

SOBRE O PROJETO

A mostra,   "300 Mulheres: Letras, História e Equidade",   que será realizada no dia 14/03, a partir das 18h, na Casa Barão de Melgaço- Cuiabá/MT, é uma  iniciativa da Academia Matogrossense de Letras.O  pioneiro projeto, foi desenvolvido por Dra. Amini Haddad, Membro da AML (cadeira 39), Juíza de Direito e Professora da UFMT, Dimensiona   amostras DE VÁRIAS CRIAÇÕES DE MULHERES: A arte, shows com grandes vozes femininas, apresentações culturais, amostras de pesquisas científicas da atualidade, inclusive lançamento de livros, na  produção  de nossas valorosas mulheres, farão parte do evento.

Ao mesmo tempo, o projeto dá visibilidade pública às mulheres que auxiliaram no desenvolvimento da nossa capital, nesses 300 anos de existência. São mulheres que atuaram nas mais diversas áreas e foram referências/inspiração, por seus exemplos de vida, em benefício da comunidade. Muitas delas alçaram voos altíssimos em representação nacional e internacional. "Um momento ímpar, para um rico diálogo público, entre o passado e o presente, na expressão de vida das mulheres".

Poderão ser apreciadas no evento  as mais diversas produções decorrentes da criatividade feminina (música, estilos, produções em livros, revistas, artesanatos e várias surpresas especialmente catalogadas para essa data especial (no mês comemorativo do Dia Internacional da mulher e nos trabalhos concernentes às vésperas dos 300 anos de Cuiabá-MT.

A Revista A Violeta nº 204, assinala os esforços e meritórios trabalhos de Bernardina bem como ter sido benfeitora dos enfermos do S. João dos Lázaros, destacando, ademais, o benemérito de sua função como diretora da Revista. (A Violeta, ano XVII, Cuiabá 31 de março de 1933, nº 204).

Urge ressaltar ainda ter participado como representante da A Violeta durante a criação da ‘Associação da Imprensa Mattogrossense’, fundada em 12 de janeiro de 1934, no qual ocupou o cargo de 2ª secretária na primeira diretoria eleita para a respectiva entidade. Também tem relevo o fato de ser a única mulher na diretoria da Associação tomando posse em fevereiro de 1934.

Este seleto grupo, criou em 1932, a Liga Feminina ‘Pró Lazaros’ (considerada de utilidade pública em 1937) a fim de arrecadar recursos para auxiliar a Santa Casa de Misericórdia no tratamento aos doentes bem como apoio a famílias dos doentes, conforme também assevera Nadaf (2005).

O Grêmio e suas atividades sociais ganharam relevo e destaque nacional e, em 1934, foi criado a Federação Matogrossense pelo Progresso Feminino, tendo sido Bernardina eleita a Presidente da Federação e, também, a primeira a ocupar o cargo no estado. Consta ainda de sua biografia intensa assistência a obras assistenciais e trabalhos filantrópicos.

A Revista A Violeta, n. 298, 1943, p. 19 atestou que Bernardina nunca se casou, mas tinha uma filha adotiva Etelvina Rodrigues. Foi militante na docência e nas atividades aos quais dirigiu. Em homenagem póstuma feita pela Revista A Violeta foi registrada sua maestria enquanto professora com dedicação desmedida às causas sociais[5]. Ademais, emprestou nome a Escola Estadual ‘Professora Bernardina Ricci’, até 2011, quando foi extinta a referida escola (Decreto nº 556, de 28 de julho de 2011).

 Em 2006, foi indicado e recebeu o Prêmio ‘in memorian’ o 1º Prêmio Estadual ‘Ruth Marques Corrêa da Costa’.

 

PARCERIA

Prefeitura Municipal de Cuiabá

APOIOS
1.Governo do Estado 
2.Tribunal de Justiça 
3. Fundação Escola Superior do Ministério Público,MP-MT
4. BPW Cuiabá-MT 
5. Portal Rosa Choque 
6. La Marc interiores
7. UNEMAT
8. UFMT

9. Núcleo de Estudos Científicos sobre as Vulnerabilidades - Faculdade de Direito da UFMT

 

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1.Governo do Estado 
2.Tribunal de Justiça 
3. Fundação Escola Superior do Ministério Público,MP-MT
4. BPW Cuiabá-MT 
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6. La Marc interiores
7. UNEMAT
8. UFMT

9. Núcleo de Estudos Científicos sobre as Vulnerabilidades - Faculdade de Direito da UFMT

 

Caixa de texto: Fonte:
A Violeta, n. 288, 1942, p.10. Arquivo Público de Mato Grosso.
MATO GROSSO. Processo para provimento da 3ª. Escola do Sexo Feminino da Freguesia da Sé em Cuiabá. Cuiabá, 1888. Lata D. Arquivo Público de Mato Grosso.
MARQUES, Ana Maria; GOMES, Nailza da Costa Barbosa. BernardinhaRich (1872-1942): Uma mulher negra no enfrentamento do rascimo em Mato Grosso. Revista Territórios & Fronteiras, Cuiabá, vol. 10, n. 2, ago.- dez., 2017. Disponível em: 
<http://www.ppghis.com/territorios&fronteiras/index.php/v03n02/article/view/688/pdf.>.
Foto acervo pessoal Yasmin Jamil Nadaf.
Dados de Pesquisa levantados por Amini Haddad Campos (Coordenadora do Evento 300 Mulheres – Letras, História e Equidade, em conjunto com a sua Equipe de Gabinete: Ariane Ribeiro Lima, Isabela Curvo Mello Carlini, Paulo Roberto Rocha da Silva Jr.), em iniciativa voluntária e em ação não remunerada.

 

 

 

 

 


[1] Informes extraídos de MATO GROSSO. Processo para provimento da 3ª. Escola do Sexo Feminino da Freguesia da Sé em Cuiabá. Cuiabá, 1888. Lata D. Arquivo Público de Mato Grosso.

[2] Informes extraídos de MARQUES, Ana Maria; GOMES, Nailza da Costa Barbosa. BernardinhaRich (1872-1942): Uma mulher negra no enfrentamento do rascimo em Mato Grosso. Revista Territórios & Fronteiras, Cuiabá, vol. 10, n. 2, ago.- dez., 2017. Disponível em: < http://www.ppghis.com/territorios&fronteiras/index.php/v03n02/article/view/688/pdf.>.

[3] Conforme informes analisados por Gomes e Marques (2017, p. 117): “Foi aberto novo concurso para a vaga e somente BernardinaRich se inscreveu, então considerando como única candidata à vaga e por ter sido aprovada em concurso anterior realizado há dois anos antes, o governador seguindo o Regulamento de março de 1890 resolve nomeá-la professora efetiva.”.

[4] Informes inseridos por Gomes e Marques (2017, p. 10): “(…) Sempre soltavam notas na revista, bem como em jornais da época, lembrando as pessoas da fundamental participação de todos no combate à pobreza e na solidariedade aos doentes e mais necessitados, pelo que se teciam frequentes respostas”.

[5] A Violeta, n. 288, 1942, p.10. Arquivo Público de Mato Grosso.

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