Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 25-08-2019 às 23:11

WhatsApp assume medida contra as fake news

Aplicativo limitou o número de encaminhamento de mensagens

Antes, era possível encaminhar para 20 pessoas ou grupos, agora são apenas cinco. | Creditos: PixaBay

Não é fake news: o WhatsApp limitou o número de contatos para quem os usuários brasileiros poderão encaminhar a mesma mensagem de uma só vez. Antes, era possível encaminhar para 20 pessoas ou grupos, agora são apenas cinco. O objetivo é reduzir a quantidade de mensagens espalhadas em massa, uma tentativa de conter as notícias falsas que se espalham por lá.

O WhatsApp sempre teve muito cuidado na hora de modificar as suas funções, e quando Zuckerberg agiu, foi comedido. Ainda é possível encaminhar a mesma mensagem para até 5 grupos, que podem ter 256 pessoas cada. Ou seja, a mensagem continuará sendo compartilhada para até 1.280 usuários de uma só vez. Se isso não é compartilhamento em massa...

O recurso está sendo testado desde julho de 2018, mas não partiu do bom senso da empresa. Só foi criado após o governo indiano exigir formas de conter os boatos contando casos de rapto de crianças e apontando os supostos criminosos dentro do app. Precisou acontecer uma série de linchamentos, com 18 mortes, para termos posicionamento oficial.

No Brasil, somos 120 milhões no WhatsApp, sendo que 35% contam com a plataforma como meio de consumo de notícias. Só que mais de 95% das fake news são enviadas por lá, segundo o laboratório da PSafe, especializada em crimes cibernéticos. Ou seja, pelo menos 73 milhões de brasileiros expostos à má informação. E o WhatsApp esperou para agir. 

Em janeiro de 2018, o pesquisador Pablo Ortellado, professor de política pública da USP, levantou que “esse novo fenômeno de sites de notícias falsas que têm como alvo especificamente o WhatsApp" seria um problema nas eleiçõesde 2018. E foi. As campanhas usaram o aplicativo para enviar mensagens diretas em massa, fazer propaganda em grupos formados automaticamente com usuários segmentados e distribuir propagandas nos grupos de amigos e familiares.

Com o clima político polarizado no País, somado a uma população que consome notícias diretamente das redes sociais e está descrente na mídia tradicional, temos o cenário perfeito para notícias falsas proliferarem. Os usuários criam as próprias formas de se informar, selecionando aquelas notícias que confirmam e reforçam seus pensamentos.

Os efeitos da falta de transparência e desinformação são incontornáveis, e os CEOs do WhatsApp soam pouco interessados diante esse cenário. Só há ação quando há consequências. Bem, nesse caso, já houve. A integridade da informação tem pressa. Mas eles, não. 

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