Jornal Rosa Choque
Publicidade

Cuiabá - MT, 23-08-2019 às 04:56

Amália Sizínia Verlangieiri escreveu sua primeira poesia aos 9 anos de idade

A Mostra Cultural: 300 Mulheres - Letras, História e Equidade, projeto da Academia Mato-grossense de Letras, coordenado pela juíza Amini Haddad, membro da cadeira 39 da AML, traz a história de Amália Sizínia Verlangieiri

Os seus dotes poéticos já se fizeram notar aos 9 anos, quando ela fez uma pequena poesia saudando sua avó Amália pelo aniversário. | Creditos: Divulgação/arquivo Projeto 300 Mulheres

 

Nasceu em Cuiabá no dia 22 de julho de 1930. Descendente de cuiabanos e italianos, já que seu avô paterno emigrou ainda jovem, de Nápoles – Itália, e veio para tentar a ida no Brasil – o que conseguiu.

Os seus dotes poéticos já se fizeram notar aos 09 anos, quando ela fez uma pequena poesia saudando sua avó Amália pelo aniversário.

Amália fez o curso primário na Escola Modelo Barão de Melgaço e, no término do curso, participou do “Quadro de Honra” que era uma homenagem que se fazia aos alunos que tiravam as melhores notas. Cursou o ginásio no colégio Estadual de Mato Grosso, hoje Liceu Cuiabano, saindo-se como sempre muito bem classificada. Fez depois o Curso Científico no mesmo Colégio, sendo brilhantemente aprovada ao final.

Logo depois, foi funcionária pública na Diretoria do Expediente do Governo.Mais tarde,por Concurso público da área Federal, foi aprovada, e tomou posse para servir no Ministério da Guerra, no Rio e Janeiro (1952). Posteriormente, também foi funcionária do Ministério da Fazenda.

Amália tinha dois sonhos: ser médica e o de concluir seus estudos de piano – em Conservatório, no Rio de Janeiro. Ambos, em decorrência das restrições vividas, não foram alcançados.

Contudo, alcançou referência em outros âmbitos. Sua vertente literária resultou na publicação de poesias nos jornais O Arauto de Juvenília, Ganga e Sarã que solidificaram o Movimento Modernista em Mato Grosso.

Também Amália deixou um volume de poemas inéditos, escritos de próprio punho num álbum que intitulou de “Poesias” (Álbum de poemas escritos em Cuiabá e no Rio de Janeiro, no período de 1951 até 1955). A cópia deste Álbum foi, gentilmente, cedida pela senhora Carmela Verlangieri Ferreira Mendes, irmã da autora, no ano de 1995 à pesquisadora e escritora Yasmin Nadaf.

Na abertura do álbum, datada de 18 de fevereiro de 1951, ela pede ao “leitor amigo” para “folheá-lo com complacência” e para “procurar sentir o que diz”, tarefa que julga ser fácil, pois todo homem tem em si um pouco de poeta. Conclui dizendo que o leitor “sentindo o que ela sente, verá que há apenas verdade no que diz, entremeada com um pouco de fantasia e ilusão, o que em resumo, é a Vida.”

É interessante observarmos o caráter memorialístico dado pela autora através desse álbum: ao reunir a sua escrita num só objeto, e ao dialogar com o “leitor amigo” no texto de Abertura, ela armazenou a sua produção para a posteridade, garantindo a sua permanência num arranjo próprio para ser lida ou consumida. 

A autora compôs seus versos sob a liberdade plena da forma, e neles falou dos seus afetos, e ainda colocou o homem como o centro de sua atenção. Entre vários assuntos falou dos seus amores, da necessidade da paz e da serenidade ao mundo, do seu desejo de ver o amor espalhado entre os homens, e da dor do homem em meio ao caos daquele século.  

Sua poética tem um acentuado teor lírico, mas um lirismo moderno, comedido, impessoal. Em alguns de seus poemas ao falar de sentimentos como a melancolia, a saudade, a solidão, presentes no “ser”, armou-se de uma linguagem conotativa, rica em símbolos, mas de um simbolismo novo que acrescentava ao sentimentalismo imagético do Simbolismo enquanto Escola literária, uma dose de humanismo.

Neste ponto, abrimos um parêntesis para informar que, quando a autora escreveu seus poemas, foi lançado em Cuiabá o Intensivismo, um movimento literário de vanguarda que se auto-definia como uma espécie de “simbolismo duplo”, e ela esteve próxima do grupo fundador dessa nova Escola, chegando a publicar na revista Sarã, porta-voz do movimento.  

Seus poemas foram publicados em 2008, no livro Vozes femininas, volume 6, da coletânea Obras Raras,editada pela Academia Mato-grossense de Letras junto da Universidade do Estado de Mato Grosso. O livro traz, também, escritos de Arlinda Morbeck, e Vera Randazzo.

Com a mudança da Capital Federal para Brasília, foi também transferida,vindo a ser acometida de uma artrite reumatóide que a maltratou por alguns anos. Veio a falecer em Cuiabá no dia 29 de agosto de 1976.

SOBRE O PROJETO

A mostra,   "300 Mulheres: Letras, História e Equidade",   que será realizada no dia 14/03, a partir das 18h, na Casa Barão de Melgaço- Cuiabá/MT, é uma  iniciativa da Academia Matogrossense de Letra.O  pioneiro projeto, foi desenvolvido por Dra. Amini Haddad, Membro da AML (cadeira 39), Juíza de Direito e Professora da UFMT, Dimensiona   amostras DE VÁRIAS CRIAÇÕES DE MULHERES: A arte, shows com grandes vozes femininas, apresentações culturais, amostras de pesquisas científicas da atualidade, inclusive lançamento de livros, na  produção  de nossas valorosas mulheres, farão parte do evento.

Ao mesmo tempo, o projeto dá visibilidade pública às mulheres que auxiliaram no desenvolvimento da nossa capital, nesses 300 anos de existência. São mulheres que atuaram nas mais diversas áreas e foram referências/inspiração, por seus exemplos de vida, em benefício da comunidade. Muitas delas alçaram voos altíssimos em representação nacional e internacional. "Um momento ímpar, para um rico diálogo público, entre o passado e o presente, na expressão de vida das mulheres".

Poderão ser apreciadas no evento  as mais diversas produções decorrentes da criatividade feminina (música, estilos, produções em livros, revistas, artesanatos e várias surpresas especialmente catalogadas para essa data especial (no mês comemorativo do Dia Internacional da mulher e nos trabalhos concernentes às vésperas dos 300 anos de Cuiabá-MT.

 

PARCERIA

Prefeitura Municipal de Cuiabá

APOIOS
1.Governo do Estado 
2.Tribunal de Justiça 
3. Fundação Escola Superior do Ministério Público,MP-MT
4. BPW Cuiabá-MT 
5. Portal Rosa Choque 
6. La Marc interiores
7. UNEMAT
8. UFMT

9. Núcleo de Estudos Científicos sobre as Vulnerabilidades - Faculdade de Direito da UFMT

 

Prefeitura Municipal de Cuiabá

Fonte:

NADAF, Yasmin Jamil. Literatura mato-grossense de autoria feminina: séculos XIX e XX. In: Anais do VI Seminário Nacional Mulher e Literatura. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1996, p.467-484.

NADAF, Yasmin Jamil. Presença de mulher. Ensaios. Rio de Janeiro: Lidador, 2004.

Memórias escritas também por Carmela Verlangieiri Ferreira Mendes (irmã de Amália)

Foto acervo pessoal da família Verlangieri.

Deixe seu comentário!

O Jornal Rosa Choque não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de caráter promocional, inseridos sem a devida identificação do autor ou que sejam notadamente falsos, também poderão ser excluídos.

Lembre-se: A tentativa de clonar nomes e apelidos de outros usuários para emitir opiniões em nome de terceiros configura crime de falsidade ideológica. Você pode optar por assinar seu comentário com nome completo ou apelido. Valorize esse espaço democrático Agradecemos a participação!

Todos os campos marcados com é de preencimento obrigatório.