Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 21-03-2019 às 20:01

Doenças de pele e estresse

O estresse pode contribuir com o aparecimento de doenças na pele quando o indivíduo tem predisposição genética ao desenvolvimento de determinadas enfermidades

Algumas doenças de pele muito relacionadas ao estresse são a psoríase, vitiligo, dermatite atópica, queda de cabelo, urticária e acne, entre outras | Creditos: PixaBay

Nossa saúde física e nosso bem-estar emocional estão intimamente ligados. Não é de surpreender que as dificuldadesde se viver com problemas na pele possam prejudicar o nosso estado de espírito. Mas o que é menos compreendido éque o estresse e a ansiedade podem se manifestar na pele e podem agravar uma condição já existente.

Não se pode afirmar que o estresse seja exatamente causador de doenças de pele. O processo saúde-doença é muitofrequentemente multifatorial, ou seja, tem como base mais de uma causa. Mas realmente existem pessoas que têm uma condição genética favorável ao desenvolvimento de algumas doenças de pele. E nas pessoas que têm essa predisposição genética, o fator estresse pode atuar como um gatilho para o surgimento da doença. Estresse e peleestão muito conectados. Naqueles indivíduos, por exemplo, portadores de doenças crônicas de pele, o quadro acabapiorando em períodos de estresse. Isso é muito comum.

Algumas doenças de pele muito relacionadas ao estresse são a psoríase, vitiligo, dermatite atópica, queda de cabelo, urticária e acne, entre outras. Todas essas doenças podem manifestar-se de forma leve, mas também de formabastante intensa. De modo geral, essas doenças não têm “gravidade”, uma vez que não colocam o paciente em risco. No entanto, diversos estudos têm demonstrado que elas estão associadas a intenso impacto psicossocial, além degrande comprometimento da qualidade de vida. Quando em crianças e adolescentes, estas doenças de pele tambémestão associadas a comprometimento do desenvolvimento psicológico e social.

A reação na pele a um estresse psicossocial é certamente muito complexa, mas é sabido que se trata de vias bidirecionais entre os sistemas nervoso, endócrino e imunológico. O estresse é capaz de provocar alterações nestes sistemas que podem culminar com o aparecimento, agravamento ou recorrência de lesões na pele. Não há um testeespecífico para comprovar, no indivíduo, que a doença de pele está relacionada ao estresse. A resposta vai surgir apartir do estreitamento da relação médico-paciente e da melhor compreensão, por parte do paciente, sobre a própriadoença e a maneira como ele reage a eventos estressantes. Mas, geralmente, os casos graves e crônicos têm umaestreita relação com o estresse psicossocial. Isso porque doenças crônicas de pele levam basicamente a duas situações. Uma delas é que o paciente muitas vezes apresenta sintomas persistentes como prurido, ardência,descamações, feridas, de maneira constante e por anos a fio. A outra é que doenças de pele são estigmatizantes elevam a muitas dificuldades sociais, além de sintomas como depressão e ansiedade.

Existem vários estudos que comprovam que pessoas que vivem com lesões de pele potencialmente visíveisapresentam ansiedade social, que geralmente é acompanhada de uma redução da qualidade de vida. Esta condiçãoacaba por gerar estresse e piorar o quadro cutâneo. É muito importante intervir nestes casos para quebrar este círculovicioso e proporcionar qualidade de vida aos pacientes.

É fundamental que esses pacientes procurem auxílio médico com dermatologistas acostumados ao tratamento dedoenças de pele. Atualmente, existem diversos tratamentos que podem trazer enormes benefícios. Definitivamente,este é um campo que avançou muito nos últimos anos. É importante também que o dermatologista tenha consciênciado fator psicossocial associado às doenças de pele, que acabam tendo um papel agravante e indissociável.

Algumas medidas podem ser tomadas para atuar no fator “estresse” associado às doenças de pele, trazendo melhorasao paciente.
 

- Meditação: Para as pessoas que vivem com doenças da pele, trazer o foco para o presente, por meio dotreinamento da meditação, pode ser muito benéfico para uma gama de sintomas psicológicos e físicos. Estaabordagem tem o potencial de reduzir a preocupação focada nos sintomas e na doença;

- Inversão do hábito: Muitas condições podem levar as pessoas a desenvolver comportamentos repetitivos prejudiciais, como arranhões ou “cutucadas” de pele. A reversão de hábitos é fundamental;

- Relacionamentos: Manter boas relações em sociedade é fundamental para nossas vidas. Viver com umacondição de pele às vezes pode dificultar a formação de novos relacionamentos. É essencial o apoio para ajudara construir a confiança e superar a ansiedade social.

 
(*) José Jabur da Cunha é Médico Dermatologista da Altacasa Clínica Médica, na capital paulista, e Chefe do Setor deDermatologia da Santa Casa de São Paulo.

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