Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 26-03-2019 às 20:28

Luiza Caspary: cantora faz shows com tradução em Libras

Além de intérpretes da Língua Brasileira de Sinais atuando no palco, artista muitas vezes canta e faz ela mesma a interpretação em LIBRAS, dentro da proposta de fazer música acessível a surdos e ensurdecidos

| Creditos: Reprodução Youtube

Cantar de maneira inclusiva para surdos e ensurdecidos, comtradução simultânea em Libras (Língua Brasileira de Sinais) em shows ao vivo e nos videoclipes, não é algo novo para a cantora e compositora Luíza Caspary. Há sete anos ela faz isso e já tem uma legião desses fãs especiais, assíduos em suas apresentações que, além de ter intérpretes de Libras, também contam com LSE (Legenda para Surdos e Ensurdecidos). A artista tem marcada para o dia 05 de fevereiro, no Paris 6 Burlesque, em São Paulo, um novo show acessível às pessoas surdas e ensurdecidas. Além de intérpretes da Língua Brasileira de Sinais atuando no palco, há vezes em que Luíza canta e faz ela mesma a interpretação em LIBRAS.

Desde outubro a cantora tem lançado na internet videoclipes de seu novo álbum, intitulado ‘Mergulho’. Todos com tradução simultânea para Libras. Em um deles, a própria Luíza canta e interpreta a música em Libras. Nos outros dois clipes, ela conta com a presença de profissionais que integram a sua equipe de intérpretes para Libras. E outros videoclipes da artista ainda estão por vir. Todos inclusivos.

No final de dezembro Luíza Caspary colocou no ar no YouTube e em plataformas de streaming – como Spotify, Apple Music, entre outras – o single ‘Bem-Vindo’, em que canta em dueto com o cantor, compositor e produtor musical Jair Oliveira. Essa é mais uma canção de seu álbum ‘Mergulho’, que ainda não foi lançado integralmente e o terceiro single do disco que é disponibilizado na internet: os dois primeiros foram os das músicas ‘Sinais’ e ‘Já Não Somos Apenas Nós Dois’.

 

Música acessível a surdos e ensurdecidos

A artista tem se destacado no cenário musical brasileiro pela proposta de fazer música acessível a pessoas surdas e ensurdecidas. Tanto que seus shows sempre contam com a própria Luíza cantando e fazendo a interpretação em Libras, ou com intérpretes de Libras atuando ao lado dela no palco (Veja um pouco desses shows aqui).

No novo trabalho, todos os videoclipes do disco ‘Mergulho’ (que tem um total de nove canções autorais, assinadas por Luíza) terão videoclipes com Libras (Língua Brasileira de Sinais) e LSE (Legenda para Surdos e Ensurdecidos) em tela cheia, simultaneamente à interpretação musical.

Luíza afirma que Bem-Vindo é uma lembrança sobre amor próprio – "Amor tem que fazer sorrir..." – cantada em forma de dueto. “Conto com a participação especialíssima de Jair Oliveira nessa canção que foi escrita em uma parceria minha com os poetas Allan Dias Castro e Edike Carneiro, que são meus amigos”, diz. “A ideia foi fazer uma música que fosse também um conselho despretensioso a todos que se questionam sobre o verdadeiro amor”, completa.

“Eu e Jair nos aproximamos através da vontade comum de trazer acessibilidade para a música. Fizemos um show juntos na Escola Rio Branco, onde as filhas dele estudavam na Granja Viana, com Libras para os alunos surdos, e desde então queríamos fazer outros projetos assim. Essa parceria é a continuação disso”, conta.

Luiza define o álbum ‘Mergulho’ como um relato biográfico profundo, no qual propõe uma “imersão solar e feliz” no cotidiano das pessoas. As letras são em português e a sonoridade transita entre pop, folk, rock, eletrônico e erudito. “Os arranjos são carregados de riffs, mas mantém a essência minimalista de quando criei as composições apenas com voz e violão”, afirma a artista. Produzido pelo gaúcho Lou Schmidt e distribuído pelo selo Dafne Music, o disco terá ainda canções com participações dos artistas Juliana Strassacapa, Estevão Queiroga, Necka Ayala e Gabriel Von Brixen.

O primeiro single do disco foi lançado em outubro, em que a própria Luíza fazia a interpretação em Libras ao mesmo tempo em que cantava no videoclipe. Agora, em ‘Bem-Vindo’, que ela canta ao lado de Jair Oliveira – e nos demais vídeos que estão para ser lançados – a Libras será conduzida por intérpretes, que dividirão o plano principal das cenas com a cantora e seus convidados. Outras sete canções da artista serão apresentadas nos próximos meses por meio de diferentes canais na internet.

A direção dos videoclipes é de Rhaissa Bittar e a coordenação de acessibilidade por Luiza e sua mãe, a atriz, locutora e audiodescritora Márcia Caspary, que também é membro da Associação Brasileira de Audiodescrição (ABAD).

 

Acessibilidade se une à arte

De acordo com Luíza Caspary – que também é localizadora (ou popularmente, “dubladora”) de games – um dos grandes diferenciais de seu trabalho está em incorporar um novo conceito de pensar acessibilidade de forma mais artística. “Por padrão, a Libras é inserida por meio de uma pequena janela no contexto de um vídeo principal. Eu quis que a língua de sinais ocupasse toda a tela e com isso se tornasse protagonista daquela narrativa”, explica.

O trabalho de adaptação das músicas para Libras tem tradução conjunta das intérpretes Angela Russo e Naiane Olah e supervisão de Maria Rita de Oliveira e Renata Lé, fãs surdas que acabaram se tornando parceiras profissionais da cantora. “Renata assistiu a um show meu com Libras e audiodescrição e sugeriu que eu também incluísse legendas nas apresentações ao vivo, para que surdos oralizados, que se comunicam por meio da escrita, como ela, pudessem me entender”, conta Luiza.

9,7 milhões de pessoas com deficiência auditiva no Brasil

De acordo com o mais recente Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2010 o Brasil possuía 9,7 milhões de pessoas com algum nível de deficiência auditiva. Isso significa perda bilateral, parcial ou total de quarenta e um decibéis (dB) ou mais – medida que afere a intensidade ou volume dos sons.

“Acredito que esta população tenha aumentado ao longo dos últimos oito anos. E isso nos leva a refletir sobre a quantidade de pessoas que acabam não consumindo arte ou frequentando espaços culturais, na maioria das vezes, pela falta de infraestrutura e do não planejamento de acessibilidade dos espetáculos. Se os espaços fossem pensados para todos, com um desenho universal, as deficiências desapareceriam e a liberdade de ir e vir, que é um direito de todos nós, seria de fato realidade”, opina Luiza

No Brasil há dois instrumentos jurídicos que incentivam, asseguram e regulam a acessibilidade na infraestrutura dos equipamentos culturais e dos produtos artísticos nacionais: o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Capítulo 9), sancionado pela Presidência da República em 2015, e a Instrução Normativa 128/2016, da Agência Nacional do Cinema (Ancine). “A acessibilidade ainda tem um campo imenso a desbravar”, finaliza.

 

Sobre Luíza Caspary 

Baiana de nascimento e moradora de São Paulo, Luiza Caspary ingressou na carreira artística aos oito anos. Fez parte de coro infantil da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, musicais no teatro e de mais de sete mil campanhas publicitárias veiculadas com a sua voz. O primeiro disco ‘O Caminho Certo’, lançado em 2013, rodou o Brasil e a Europa com canções em português, inglês e espanhol. Luiza já compôs mais de 100 canções que foram utilizadas em repertórios de outros artistas e como trilha sonora de séries de TV e filmes. A artista também atua como dubladora em animações e com localização de games estrangeiros no Brasil. É a voz de personagens como Ellie, do The Last Of Us, Clementine, de The Walking Dead; e Faith, em FarCry 5.

Foi a influência materna que direcionou o trabalho da Luiza na música acessível. Lançado em 2011, ‘O Caminho Certo’ é o primeiro videoclipe da cantora com propósito inclusivo e um dos pioneiros de um artista brasileiro feito com audiodescrição. Por este trabalho e o fato de ter um site acessível, Luiza foi premiada durante as Paraolimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, pela W3C, organização responsável pelas diretrizes de acessibilidade da internet. “Conviver com pessoas com deficiência auditiva me ajudou a compreender que são indivíduos que querem ter liberdade e independência. Eu os vejo e a empatia me fez mergulhar nesse universo de silêncio em que eles vivem”, reflete, ao afirmar que também é seu objetivo despertar nas pessoas a curiosidade para aprender a Língua Brasileira de Sinais.

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