Jornal Rosa Choque
Publicidade

Cuiabá - MT, 26-03-2019 às 20:12

Onde estão as bailarinas negras?

Profissional explica cada obstáculo que afasta as meninas negras dessa modalidade

"Por mais que não seja algo dito pelas companhias, sabemos que muitas ainda não aceitam bailarinas negras”. | Creditos: Divulgação

Imagine uma bailarina. Sapatilha, tutu (como chamamos a saia em tule, própria para o ballet), faixa na cabeça, saltos e movimentos suaves. Agora responda para você mesmo(a): essa bailarina é negra? Provavelmente não.

Mas calma, isso não significa, necessariamente, que você tem algum tipo de preconceito, apenas que não está habituado(a) a ver dançarinas de ballet negras. E, para falar a verdade, elas são minoria no mundo da dança. Isso porque o ballet clássico, especificamente, ainda é uma atividade elitizada e pouco popular.

Para Amanda Lima, bailarina e professora de dança, existem poucos, mas expressivos nomes de bailarinas negras no cenário atual da dança. “Michaela DePrince, Ingrid Silva, Misty Copeland são verdadeiros ícones que alcançaram um espaço importante quando se trata de representatividade na mídia. Embora sejam bailarinas e personalidades notáveis, infelizmente ainda fazem parte de um pequeno grupo. É aí que percebemos o quanto estamos atrás das bailarinas brancas. Os lugares que estamos ocupando agora, em 2018, as bailarinas brancas já ocupam há séculos”, explica a profissional, que é uma das principais representantes de uma das coleções da marca Evidence Ballet.

Perguntada sobre as razões dessa discrepância na dança, a bailarina se volta ao cenário nacional e analisa o papel do negro na sociedade e também na modalidade. “Por mais que algumas pessoas queiram desmerecer a nossa fala e dizer que é vitimismo, sabemos que a população negra está em desvantagem econômica e social em relação a população branca. E isso reflete nas oportunidades de se frequentar aulas de ballet, por exemplo. A maioria das meninas negras que inicia o estudo da dança na infância depende de projetos sociais ou bolsas de estudo”.

Quando falamos sobre a trajetória de uma bailarina negra, Amanda explica que muitas crianças não se reconhecem nesse meio. “Tanto os colegas, quanto os professores, os quadros nas paredes, os vídeos na internet e os temas dos festivais (Cinderela, Lago dos Cisnes, O Quebra-Nozes etc.) são brancos. Então, é difícil se reconhecer nesse espaço. É um meio que está o tempo todo tentando te expulsar, mesmo de forma velada”, esclarece. Mesmo as bailarinas negras que resistem, o caminho para seguir carreira profissional é igualmente difícil, segundo ela. “É comum a gente se perguntar: ‘onde eu vou trabalhar?’. Porque talento, esforço e dedicação, nem sempre são o suficiente. Por mais que não seja algo dito pelas companhias, sabemos que muitas ainda não aceitam bailarinas negras”.

Em julho deste ano, Amanda Lima foi a face e o corpo da coleção Minimal, da marca Evidence Ballet. Ao analisar a campanha, a bailarina diz o quanto se sentiu privilegiada por ter sido instrumento de uma classe tão carente de representantes. “Não é só sobre uma menina que faz ballet e é negra conseguir se enxergar, mas é também sobre provar para todas as pessoas que a gente existe e resiste. Porque não é só um existir, mas principalmente resistir. Então fico muito feliz de ter feito parte disso de alguma forma”. Amanda mostra a importância da desconstrução da imagem da bailarina. “É uma imagem de que a bailarina só é bailarina se tem a pele clara. Aquela coisa no imaginário do tutu e sapatilha rosa. Precisamos desconstruir mesmo e desmistificar essa ideia que foi construída há muito tempo e mostrar que não existe só um tipo de bailarina.” 

Rose Prock, diretora executiva da Evidence Ballet, conta que há muito tempo tinha o desejo de ver sua marca representada por uma bailarina negra, mas que teve dificuldade em encontrá-las. “Buscamos indicações, fomos a eventos e procuramos até nas redes sociais. É muito triste ver que o ballet ainda não é acessível a todos e todas. Nossa iniciativa foi, principalmente, com o objetivo de aumentar a representatividade de bailarinas negras nesse meio e encorajá-las nessa arte”, finaliza a empresária.

 

Sobre a Evidence Ballet

A Evidence Ballet é uma das principais marcas de roupas e acessórios no mercado de dança. A empresa iniciou suas atividades no setor têxtil em 2009, com uma confecção em Campanha, Minas Gerais. Especializada em roupas para o mercado de ballet, expandiu seu portfólio para a moda dança e casual. Com alto padrão de qualidade dentro do processo de produção e entrega rápida, a Evidence conta com um time de colaboradores comprometidos para garantir qualidade dos produtos e elevar a eficiência operacional. Hoje, conta com uma equipe de mais de 90 funcionários diretos e indiretos, além de uma rede sólida de representantes comerciais para atender todo o território nacional.

Deixe seu comentário!

O Jornal Rosa Choque não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de caráter promocional, inseridos sem a devida identificação do autor ou que sejam notadamente falsos, também poderão ser excluídos.

Lembre-se: A tentativa de clonar nomes e apelidos de outros usuários para emitir opiniões em nome de terceiros configura crime de falsidade ideológica. Você pode optar por assinar seu comentário com nome completo ou apelido. Valorize esse espaço democrático Agradecemos a participação!

Todos os campos marcados com é de preencimento obrigatório.