Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 12-12-2018 às 19:58

Novo livro de Luciene Carvalho traz "Dona" para a cena da literatura

Luciene Carvalho brinda a literatura mato-grossense com "Dona" que chega como uma promessa de deliciosa leitura, com local, dia e hora marcados, o Sesc Arsenal, dia 14 de novembro, às 20 horas.

| Creditos: Divulgação

Aqui mesmo na redação, assim que chegou o release, me fuxicando sobre o lançamento de "Dona", da amiga escritora Luciane Carvalho, eu  passei os meus olhos pela estante, e logo vi alguns  livros dela, reinando dentre publicações  tão sisudas que referem-se as leituras que ando fazendo. Confesso que isso me causou uma reflexão, a respeito da lira que não ando extraindo de mim.

Lá estava o  “Caderno de Caligrafia”, que Luciene diz em sua escrita delicada, “Vida...Vida, menina, é caderno de caligrafia, lembra? Que a gente escrevia prá aprender a escrever”. Ninguém poderia dizer ao contrário em relação a autora.

De repente me deparo com a “Teia” mas não é da aranha negra, é da poeta, que em seu livro deu o nome que prende o leitor. Na sua “Teia”, Feminil, Pó e passado, Antonia, Desafio, Juízo Final e até orquídeas raras, e até Pequeno encontro de Outono, e vai tudo mais além de Silêncio e gozo, fechando com a Epifania.  

Ainda com o olhar na estante, vejo o "Cururu e Siriri do Rio Abaixo", mas o que me encanta mesmo é a trilogia da poeta, espremidas numa capa dura: Conta-Gotas, Aquelarre, ou Livro de Madalena e Sumo da Lascívia.

Já estou imaginando quando “Dona” ocupar seu lugar na estante. Até o momento, sei somente o que li de pessoas muito cultas e imagino que especiais na vida de Luciene Carvalho. Eu fico na carona espiando do Portal, o sucesso da Lú.

Sueli Batista

Sobre a obra

Depois de tantas cuiabaninhas, bruxas, putas e loucas, porto de si em teias, ela reaparece DONA. Dona da interrogação mais absurda e, ao mesmo tempo inevitável: existir como uma DONA. O que dizer, o que toma corpo no corpo que vai se tornando um corpo de mulher Dona? Uma invisibilidade que denuncia a estatura de quem chegou aos cinquenta, mulher ainda, em totalidade cambiante. Mas nessa DONA, ao tempo em que dói, e a consciência da nova existência vai brotando, também vai jogando fora o que é sem graça e desimportando o banal no gerúndio de si mesma. O que há de mais íntimo em nós, segredo, não contém, é o que mais diz respeito a tod@s. A Dona descobre um novo jeito de encarar o espelho: por partes, na maquiagem ; se vê culpada quando se vê como velha como se ela cometesse um erro que por culpa exclusiva dela a maldição se desse. Entretanto, o que vem à tona, por essa Dona, e de tudo talvez o mais importante dessa poética de existir com e após os cinquenta anos, é que há já marcas nas mãos, mas as mãos fazem poesia!

LUCIENE. DONA. Clareza de si e de seu trabalho; consciência total de sua poética, sobrevivente das batalhas dos labirintos lúcidos da loucura, DONA de todas as puras impurezas dignas. Poeta de linhagem e estirpe de vozes ancestrais-míticas-pop-pós-tudo-edênicas- -apocalípticas; croninventadora poética do mundo contemporâneo.

Mário Cezar Silva Leite, é professor, doutor em Literatura

O que é a poética de DONA?

Comida que sustenta a autora, alimento que sublinha o sabor de vida devida como testemunho aos seus leitores. Sustento que ela sinaliza entre Céu e Terra, entre mãe amada e/ou anotado amor parceiro:

Ave Maria

Minha mãe

Minha musa

meu útero [...].

 

A dicção da poeta sobre o amor materno é uma tônica forte, algo de Maria, ou tudo da mãe pensa em Luciene e leva sua escrita com as imagens metafóricas para a tradução desse profundo sentimento.

As emoções apontando sua referência ao Amor fora do materno mostram como tal expressão está constituída no corpo sublinhado por abundância material.

Entre muitas Lucienes moradoras do texto poético ressaltam duas – uma que fala da peculiaridade do singular materno e outra que abusa no sentimento amoroso de fundura física: uma espécie plural para o erotismo.

É necessário ler Dona em seu espírito e com a literalidade expressa que diz muito sem revelar tudo o que cala. Nas fímbrias em que surge o rio Cuiabá, os cajus, as mangas, as chuvas ressaltam que cada letra, cada palavra, cada verso são tesouras recortando tesouros.

A poeta precisa ser degustada da sua fé ao seu erotismo, do seu alinhar ao seu desalinhar, enfim, deve ser lida como uma tessitura diversa de modo que a literatura não nos diga apenas sobre os outros, mas do outro em nós.

Marília Beatriz de Figueiredo Leite   é   professora fundadora da UFMT. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP. Atualmente é ocupante da cadeira número 2 da Academia Mato-Grossense de Letras.

O que pode a poesia?

As marcas nas minhas mãos?

Minhas mãos fazem poemas.

Minha cabeça encontrou software,

tem programa.

Na minha cama

dorme companhia que me quer.

No mais é dizer bom dia,

boa tarde-a bem verdade.

Luciene Carvalho

No livro DONA Luciene Carvalho ironiza e brinca com signos/conceitos que funcionam como marcas identitárias da velhice. Ao assim fazer a poeta joga para o leitor as perguntas: qual é a ideia de corpo que permeia nossa relação com a vida, suas dores, amores e prazeres? O que significam juventude e velhice do ponto de vista do corpo considerado como capacidade de afetar e ser afetado? O que acontece quando dois ou mais corpos se encontram? Essas perguntas partem do pressuposto que os corpos não se definem do ponto de vista de sua essência e sim do ponto de vista de sua potência. Então, a pergunta “o que pode a poesia?” como corpo textual aponta para a dimensão das forças da linguagem poética de Luciene Carvalho que é habitada por múltiplas vozes e afetos, tem sonoridades, expressa sabores, dores e odores, variações climáticas e percorre espaços-tempos diversos. Seu texto registra a experiência de seu corpo afetado pelas forças do mundo mostrando sua abertura para novos encontros que exigem da poeta um olhar e um sentir atentos às excitações que a afetam e que cabem a ela selecionar, evitar, acolher. Nesse livro o corpo do leitor, o corpo da poeta e o corpo que se tece na escrita transitam um no outro. Este trânsito, tecido com os fios da poesia de Luciene Carvalho, aciona o corpo vibrátil do leitor que se produz no encontro com a matéria poética da autora que faz da poesia uma forma de vida. Abra seu corpo a mais essa experiência poética de Luciene Carvalho e boa leitura!

Maurilia Valderez, é professora e leitora de filosofia.

Luciene Carvalho é escritora e poeta. Publicou Conta-gotas; Sumo da lascívia; Aquelarre ou o livro de Madalena; Porto; Cururu e Siriri do Rio Abaixo (Instituto Usina); Caderno de caligrafia (Cathedral); Teia (Teia 33); Devaneios poéticos: coletânea (EdUFMT); Insânia (Entrelinhas) e Ladra de flores (Carlini & Caniato). Estas obras conquistaram prêmios e condecorações.

Parte importante do seu trabalho, como declamadora, se faz em shows poéticos em que une figurino, efeitos cênicos e trilhas musicais para oferecer sua poesia viva e colocá-la a serviço da emoção da plateia.

Luciene ocupa a cadeira nº 31 da Academia Mato-grossense de Letras.

Ficha técnica do livro

Edição:

 Ano de publicação: 2018

 Tamanho: 13,8 x 20,8 cm.

ISBN:  978-85-8009-247-9

Número de páginas: 128

Gênero: Literatura / Poesia

 Preço de capa: R$ 35,00

Contatos

Editora TantaTinta/Carlini & Caniato
(65) 3023-5714 / 5715

comercial@tantatinta.com.br
www.carliniecaniato.com.br

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