Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 18-11-2018 às 20:02

6 ácidos que podem ser usados no verão

Produtos são protagonistas em tratamentos da acne, para clarear e rejuvenescer a pele

| Creditos: PixaBay

Com a chegada da estação mais quente, os dermatologistas desaceleram as prescrições dos ácidos renovadores mais conhecidos (retinoico, glicólico e mandélico). A boa notícia é que dá para continuar o tratamento de beleza com opções (ácidas) menos irritantes e que ainda ajudam contra radicais livres

A carta na manga dos dermatologistas no inverno é a prescrição de ácidos — considerados os ingredientes mais efetivos nos dermocosméticos. Eles atuam como coringa, tratando de acne a rugas, de manchas a flacidez. Mas com a chegada do verão, é hora de dizer adeus ou diminuir consideravelmente o uso dos top rejuvenescedores — ácidos retinoico, glicólico, salicílico e mandélico — e investir em ácidos eficazes (mas menos irritantes). “Nessa lista, temos ingredientes importantes que podem e devem ser usados no verão para manter os resultados antimanchas, antirrugas e antiacne, principalmente”, explica o dermatologista Dr. Jardis Volpe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Os ácidos ferúlico, kójico, azelaico, maslínico, ascórbico e (é claro) hialurônico fazem parte das prescrições nos climas quentes.

Mas atenção: “A indicação e a dosagem devem ser feitas por dermatologista, assim como a orientação do modo de uso. Independente se o ingrediente é fotossensibilizante, a proteção solar é regra básica e deve ser seguida diariamente com FPS 30 (no mínimo) e reaplicado de duas em duas horas”, explica o dermatologista. “Além disso, muitas fórmulas com ácidos podem ter seus efeitos potencializados com outros ativos, como peptídeos, restauradores da barreira, nutritivos, antioxidantes, entre outros”, acrescenta a dermatologista Dra. Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia. Confira a ação dos ácidos:

Ácido Ferúlico — encontrado nas folhas e sementes de muitas plantas, especialmente farelo de milho e arroz. “Esse ácido fornece hidrogênio para a neutralização dos radicais livres, compostos estes relacionados com o envelhecimento das células, portanto é um potente antioxidante”, comenta a dermatologista Dra. Claudia Marçal. “É usado junto com a Vitamina C, o Ácido Ascórbico, para tratamento do envelhecimento e manchas”, acrescenta Jardis Volpe. Por ajudar a prevenir o dano de nossas células causadas pela radiação UV, o ácido ferúlico é uma substância aprovada como filtro solar no Japão, podendo desta forma ser utilizado em protetores solares ou produtos de combate aos efeitos nocivos dos raios UV, explica a Dra. Claudia. “Dados científicos mostraram que a aplicação tópica do ácido ferúlico inibe a formação do eritema (vermelhidão) provocado pela exposição da pele aos raios UVB além de sua atividade antioxidante. Gosto de usar em associação com a Vitamina E mais a Vitamina C — que diminui o eritema induzido à luz ultravioleta”, comenta a dermatologista. Além disso, o ácido ferúlico suaviza rugas e linhas de expressão. “Quando nanoencapsulado na formulação, garante alta penetração, chegando na junção dermoepidérmica e aumentando a elasticidade com estímulo do fibroblasto”, comenta a Dra. Claúdia


Ácido Kójico — considerado um clareador importante por ter uso permitido durante o verão e também na gestação. “Ele inibe a ação da tirosinase (enzima responsável pela produção de pigmento) como quelante de íons, promovendo a diminuição da formação de melanina, promovendo clareamento. É um ácido que não causa irritabilidade nas concentrações de margem de segurança”, destaca a Claudia Marçal. A aplicação contínua deverá ser feita por até 6 meses. “É usado nos tratamentos de manchas e no melasma”, comenta o Jardis Volpe. Como o ácido kójico é menos irritante, mais suave e não causa fotossensibilização no paciente, possibilita seu uso até mesmo durante o dia. É derivado de várias espécies fúngicas.

 

Ácido Azelaico — “É um ácido com função clareadora e seborreguladora, no tratamento da acne e também da rosácea”, afirma Jardis Volpe. Encontrado no trigo, o ácido pode ser usado também por gestantes no controle do melasma. “Ele inibe a tirosinase (enzima responsável pela estimulação e produção da melanina), então consegue prevenir a formação do melasma (e, se presente, o ácido consegue controlar e clarear)”, explica Claudia Marçal. “O ácido ajuda a diminuir os cravos, limpa os poros, faz a ruptura dos microcômedos, tem ação antibactericida (inibindo a bactéria que coloniza lesões inflamadas da acne) ou antimicrobiana, tem efeito anti-inflamatório, secativo e também uma ação importante também como um produto que não só trata o acne, mas clareia as manchas e sequelas de acne”, acrescenta.

 

Ácido Maslínico — Substância derivada da moagem de azeitonas, é um poderoso antioxidante e também tem ação anti-inflamatória considerável. “As fórmulas em que o ativo está nanoencapsulado garantem alta penetração”, afirma a especialista da Under Skin. “O ácido reduz a vermelhidão de peles irritadas, principalmente após exposição solar e outros agressores ambientais. A substância age diretamente sobre a hidratação e aparência da pele, deixando-a mais macia e radiante”, comenta Claudia Marçal. Atua contra o envelhecimento cutâneo, melhora hidratação, é regenerador, estimula o turn-over (renovação) e crescimento de fibroblastos e queratinócitos.

 

Ácido Ascórbico — é a famosa Vitamina C. “O Ácido L-Ascórbico é um poderoso antioxidante, cuja aplicação tópica permite alcançar níveis que não seriam possíveis com a ingestão de frutas ou de suplementação oral de vitamina C”, explica a dermatologista Claudia Marçal, de Campinas. Além disso, é responsável por frear a ação dos radicais livres, estimular a formação de novo colágeno (é cofator da síntese) e ajuda a proteger a pele dos efeitos do sol, na medida em que uniformiza o tom de pele e melhora sua textura. “Também é importante para diminuir as rugas e apresenta atividade imunoprotetora e clareadora”, explica a dermatologista Claudia Marçal. “Prefira as fórmulas que visam manter a estabilidade da vitamina, já que o composto é quimicamente instável, perde rapidamente suas propriedades em contato com a luz, o oxigênio e o calor”, completa Jardis Volpe. A dermatologista Claudia Marçal explica que o ativo Tetraisopalmitato de Ascorbila é a forma estável da Vitamina C pura. “O Tetraisopalmitato de Ascorbila apresenta quatro ésteres protegendo o núcleo (Vitamina C pura). Esses quatro vetores de cadeia carbônica (e estabilizadores do núcleo) são responsáveis pela afinidade com a camada fosfolipídica da célula da pele, o que garante a absorção, penetração e resultado”, comenta. “Ao entrar em contato com a pele, o ativo promove todos os benefícios da Vitamina C pura, sendo 10 vezes melhor absorvido.”

 

Ácido Hialurônico — Esse ácido é uma glicosaminoglicana e faz parte da matriz extracelular, onde ficam as fibras do colágeno e elastina. “Com o avanço da idade, o ácido hialurônico diminui, reduzindo também a hidratação e elasticidade da pele. Então, quando existe falta de ácido hialurônico, há desidratação da pele, tendência à flacidez, formam-se rugas, sulcos e perda de luminosidade”, explica a dermatologista. O ativo ácido hialurônico tem vários pesos moleculares e deve ser usado numa composição com diferentes pesos para atuar em várias áreas da pele. “É usado como um poderoso hidratante em fórmulas anti-idade. Sua versão lipossomada Hyaxel penetra mais na derme ajudando na elasticidade e turgor”, completa Jardis Volpe. O ativo também possui ação preenchedora, pois potencializa as células da pele a produzir ácido hialurônico e, dessa forma, preencher as rugas naturalmente, sendo também um excelente hidratante. Pode estar presente em muitas fórmulas com ácidos para contrabalancear os processos irritativos e de desidratação da pele.

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