Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 18-11-2018 às 19:33

Será que minha raiva está fora de controle?

Nem engolir sapos, nem soltar os cachorros. Segundo neuropsicóloga, há maneiras mais construtivas de gerenciar a raiva

| Creditos: PixaBay

Em tempos de eleições presidenciais, a raiva, uma das seis emoções básicas de todos os seres humanos, vem afetando os relacionamentos sociais. Isso porque a raiva aumenta a intolerância com pontos de vistas diferentes. Segundo a neuropsicóloga Thaís Quaranta, sentir raiva é normal. Mas, quando a emoção é constante e fica fora de controle, é um sinal de alerta.

“No dia a dia podemos sentir raiva em diversos momentos, o que é natural. Uma bronca do chefe, uma briga com o namorado, uma fechada no trânsito. Entretanto, se a raiva é constante e passa de uma irritação para uma fúria intensa, é preciso cuidado. Isso porque uma raiva mais intensa pode levar a pessoa a se envolver em brigas e agressões físicas, por exemplo. Além disso, nessas discussões sobre política, pode até mesmo acabar com amizades ou afetar o relacionamento familiar, quando há pontos de vistas diferentes sobre o assunto”, cita Thaís.
 

Engolir a raiva também faz mal

Se por um lado ter explosões de raiva e partir para violência física não são atitudes adequadas, reprimir esse sentimento também pode fazer mal à saúde. “A expressão das emoções é aprendida ao longo da vida. Há fatores que influenciam como cada pessoa lida com seus sentimentos, entre eles podemos citar a educação, a religião e a cultura”, ressalta Thaís.  

“Há pessoas que aprenderam a reprimir a raiva porque foram ensinadas que se trata de um sentimento negativo. Assim, acabam não sabendo expressá-la de uma forma funcional. O que nem todo mundo sabe é que a raiva reprimida pode se transformar em vários outros sentimentos, como culpa, remorso, rejeição, frustração e até mesmo em doenças físicas e psiquiátricas”, diz a psicóloga.  

A explicação, segundo Thaís, é que a raiva desperta processos fisiológicos no corpo que precisam de uma resposta final. “Quando sentimos raiva, há uma série de efeitos fisiológicos, como aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial e liberação de adrenalina e de noradrenalina, hormônios que dão energia e disposição. Em resumo, o corpo fica pronto para resolver a situação que gerou a raiva”.

“O organismo se prepara para o combate e espera voltar ao normal depois disso. Mas, uma pessoa que reprime a raiva, ou seja, que literalmente ‘engole o sapo’, priva o corpo de voltar à sua normalidade, ou seja, de encerrar esses processos desencadeados pela raiva. Com o tempo, se isso for constante, é possível que essa pessoa desenvolva o estresse crônico, por exemplo”, comenta Thaís.

E sabe-se que o estresse crônico pode levar ao enfraquecimento do sistema imunológico, aumenta o risco cardiovascular, assim como é um fator de risco bem conhecido da depressão e da ansiedade.

 
Como lidar com a raiva

Nem engolir sapos, nem soltar os cachorros. Segundo a neuropsicóloga, há maneiras mais construtivas de gerenciar a raiva. Veja abaixo algumas dicas:

Sentir raiva é normal: Se você aprendeu quando criança que só pessoas ruins sentem raiva ou que ela é negativa, livre-se já desta crença! Sentir raiva é normal, permita-se viver essa emoção, mas de uma maneira saudável.

Identifique a origem da raiva: A raiva nem sempre está ligada a fatores externos. De onde vem a sua raiva? Do que você sente raiva? Em que situações ela acontece com maior frequência?

Não faça nada com raiva: A raiva inibe o controle dos impulsos. Isso significa que no auge da sua irritação, você pode tomar atitudes que você não tomaria no seu estado normal. Isso não quer dizer que você deve reprimi-la. Procure se acalmar para então resolver a situação.

Fale sobre a raiva: Falar sempre é uma boa ideia. Quando você estiver mais calmo (a), converse com alguém e expresse o que você sentiu naquela situação, porque sentiu raiva e pense em alternativas para solucionar a questão.

Uma dica: não espere semanas ou meses para fazer isso. Basta estar mais calmo e não no ápice da ira.

Você é humano (a): Trabalhar, cuidar dos filhos, da casa, das compras, dos familiares, estudar. Enfim, a rotina diária pode ser muito pesada para algumas pessoas e o estresse é o melhor amigo da raiva, quando não é bem gerenciado. Peça ajuda, divida as tarefas da casa e, principalmente, dedique um tempo do dia para cuidar de você ou para fazer algo que você gosta. Isso ajuda a diminuir o estresse e o risco de ter uma explosão de raiva.

Ache soluções: Você sente raiva de forma recorrente? Está sempre de mal com a vida? Tome uma atitude! A raiva não vai resolver seus problemas, pode até piorá-los. O que vai realmente ajudar é pensar em soluções, alternativas para as questões que fazem você sentir raiva.  

Que tal um psicólogo? Você já tentou de tudo e nada resolveu? Procure um psicólogo. Principalmente se você se envolve em brigas físicas e se a raiva está comprometendo sua vida social, familiar e profissional.

A raiva é um sentimento, a agressão é um comportamento. Assim, é possível trabalhar a emoção para que a resposta à raiva seja diferente por meio da Terapia Cognitiva Comportamental (TCC).
 
“Trata-se de uma abordagem da psicologia que parte do princípio de que um pensamento gera um sentimento que gera uma ação. Assim, a TCC atua para modificar os padrões de pensamento que levam às emoções, modificando assim o comportamento”, encerra Thaís.

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