Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 18-11-2018 às 19:34

Autora expõe jornada em busca da felicidade em novo livro

Lançado na Bienal do Livro em São Paulo, "Ser feliz é uma escolha" traz 50 poemas de Helena Fraga que descortina o coração e traduz a jornada emocional dos últimos 25 anos de vida e como cada situação a ensinou sobre a felicidade

Helena Fraga lançou seu último título "Ser feliz é uma escolha" na Bienal do Livro; ela fala sobre suas experiências de vida e como cada uma a ensinou a escolha de ser feliz | Creditos: Newton Zoubaref

Completar 50 anos trouxe para a autora Helena Fraga maturidade em sua leitura sobre a vida. Ela entendeu que tinha um presente nas mãos ao despertar todos os dias e mudou completamente seus hábitos. Parou de fumar, entrou para o time da alimentação saudável, voltou a escrever, estudar e até praticar atividade física.

O novo projeto de vida era cuidar melhor do corpo, adotando escolhas inteligentes."Meu coração passou a enxergar que ou eu vivia os sonhos até então apenas sonhados ou deixaria de lado boa parte de escolhas diferentes", explica. 

Helena se divide entre a carreira de jornalista, empresária e o prazer por escrever. Seu novo livro "Ser feliz é uma escolha", lançado na Bienal do Livro em São Paulo neste mês de agosto, retrata sua jornada de vida nos últimos 25 anos.

A autora descortina suas emoções nos 50 poemas que compõem o livro e fala sobre perdas, nascimento dos filhos, processos de conquistas e derrotas. Para a autora o título "tem uma outra carga emocional: é a primeira obra que posso dizer ser minha de verdade".

Página a página, os versos tecem uma trama de ensinamentos. Helena traduz com leveza a fórmula de ser feliz: escolher com os dois pés no chão. "As escolhas que fazemos levam a consequências. Não existe uma escolha que não traga uma consequência. Sendo assim... ser feliz pode ser uma escolha pessoal ou não. Ou melhor podemos aceitar as consequências de nossas escolhas e dessa maneira serei ou não feliz".

A capacidade de traduzir os sentimentos em palavras a acompanha desde a adolescência. Além do "Ser feliz é uma escolha", estão em sua estante editorial os livros "Solua" feito a quatro mãos em parceria com a também jornalista Teresa Cristina Tesser, duas biografias que relatam as histórias dos pais e contos infantis escritos para os filhos.  

O Portal Rosa Choque conversou com a autora. Acompanhe na íntegra a entrevista e começa mais sobre essa história de vida que transpira inspiração:

 

Rosa Choque: No livro "Ser feliz é uma escolha" você diz que a felicidade é encontrada na simplicidade da vida. Quando você precisou escolher se feliz? Fale mais sobre isso e quais situações da vida a permitiram vivenciar essa descoberta.

Helena Fraga: Acredito que é na simplicidade que somos mais felizes. A vida tem uma beleza que encontramos na delicadeza. No tempo que “perdemos” olhando um por do sol ou sentindo a brisa pode nos remeter a sensações e abrir horizontes. Os pensamentos fluem e acalmamos o coração. A paz de espirito me leva a momentos felizes. As escolhas que fazemos levam a consequências. Não existe uma escolha que não traga uma consequência. Sendo assim... ser feliz pode ser uma escolha pessoal ou não. Ou melhor podemos aceitar as consequências de nossas escolhas e dessa maneira serei ou não feliz.

Quando fiz 50 anos percebi que a vida me dera um presente. Perdi muitos amigos que não completaram meio século e comecei a enxergar possibilidades novas. Havia uma gratidão e também uma preocupação.... a vida estava na metade... (sim, pretendo viver até os 100...) meu coração passou a enxergar que ou eu vivia os sonhos até então apenas sonhados ou deixaria de lado boa parte de escolhas diferentes. Comecei um novo projeto pessoal. Parei de fumar. Voltei a escrever. Estudar. Comer melhor. Fazer atividade física... a cada ano coloco uma nova meta para seguir em frente e começar a construção de uma velhice melhor. Mais saudável e mais perto dos meus sentimentos.

Publicar meu primeiro livro de poesias solo no final de 2017 foi um desafio. Um delicioso desafio. Escrevo desde meus 13 anos. Gosto muito de ler também e a poesia sempre foi minha forma de liberar meus “bichos”...

Meu primeiro site de poemas nasceu em 1996 e existe até hoje – Poetando com Helena. Nesses mais de 20 anos, ele passou por várias mudanças, mas, a essência é a mesma. Falar de coisas que incomodam meu sentir...

 

Rosa Choque: A depressão afeta 322 milhões de pessoas no mundo. Você já enfrentou em algum momento uma tristeza profunda? Como você aconselharia as pessoas que passam por esse cenário em sua saúde?

Helena: Sim, a depressão tem matado muitas pessoas. Ela não tem idade e isso é triste... Jovens têm se suicidado ano a ano, vítimas de processos de profunda tristeza e o pior é que se trata de uma doença silenciosa e que nem sempre quem está por perto percebe os sintomas. Quando fiquei viúva – em 1995 – entrei num processo de extrema tristeza e depressão. Consegui sair fazendo terapia e homeopatia. Confesso que a escrita foi de grande ajuda. Era meu momento de desabafo. Podia colocar no papel e na tela do computador as dores e as angústias. É difícil dar um conselho. Mas, primeiro penso que se uma pessoa está em depressão deve procurar ajuda profissional. Fazer atividade física ajuda. Terapia. E encontrar um talento ou alguma coisa que lhe faça sentir útil, ocupado e que lhe dê prazer... Também acredito que a fé é um caminho que dá uma luz. Cuidar da alma ajuda bastante a nos enxergarmos...

 

Rosa Choque: Helena, o que mais a inspira no momento de escrever?

Helena Fraga: Sem duvida, o que estou sentindo. Tenho consciência de que não se vive de inspiração, mas, o que me deixa feliz é escrever o que sinto, como sinto e de que maneira isso afeta o mundo. Escrever com o coração é o que me inspira. A vida e suas nuances... as dores, as alegrias, o amor, a raiva... todos os sentimentos humanos me inspiram... filmes me inspiram... vidas me inspiram... livros... amores, raiva, tristeza, angústia... conquistas e derrotas. Resumo que a vida é minha maior inspiração... e a vida é um conjunto infinito de coisas. Deus me inspira...

O maior tormento é quando olho para a folha em branco e não consigo colocar um pensamento nela ou quando aprisiono minha alma com regras que não são minhas... As letras, as palavras, a forma escrita liberta a alma. Se minha alma se sente aprisionada, a primeira coisa que não consigo é escrever. Ao longo desse tempo de reencontro pessoal, hoje, quando deixo de escrever começo a procurar o que está me aprisionando ou porque estou me aprisionando... é um processo. A vida fica mais leve À medida em que nos damos conta de como funcionamos melhor...

 

Rosa Choque: Quais autores são suas principais influências?

Helena Fraga: Gosto de ler... não tenho um autor de preferência. Na verdade, ao longo da vida os livros e os autores me influenciaram conforme meus momentos... Fernando Pessoa é o meu poeta preferido, mas, adoro Adélia Prado... Li romances épicos e até démodé, como Capitão de Castela, que me fizeram sonhar. Moreninha, Helena e o Moço Loiro foram minhas primeiras leituras ao lado de O Diário de Ana Maria. Atualmente me fascina bastante ler sobre filosofia, talvez porque esse poder de discutir e pensar seja algo que me agrada muito. É muito bom ir além do que se vê... tal como Poirot nos livros de Agatha Christie...

 

Rosa Choque: Você descobriu a capacidade de traduzir seus sentimentos para o papel na adolescência. Desde lá, escreveu diversos textos, poemas e livros. O que esse dom significa para você e qual obra que você redigiu que mais a tocou?

Helena Fraga: Acredito que escrever é um dom mesmo... uma forma de transmitir sentimentos em palavras, palavras em textos, textos em ideias, ideias em companhia para alguém que possa ser tocado em algum lugar... Meus sentires são universais... Tudo bem, eles têm uma carga do meu modo de enxergar a vida, mas, amor, dor, paixão, alegria, solidão são formas conhecidas por todos... claro que não agrado a todos, mas, se conseguir tocar um só coração, já sinto-me feliz e com a certeza de que valeu a pena compartilhar um sentimento...

Nos últimos anos escrevi alguns ‘livros-homenagens’. Meia dúzia de histórias infantis para meus filhos e vários poemas no meu site e nos meus diários

escondidos. Antes do Ser feliz é uma escolha, o livro que mais me tocou escrever foi o que conto a história do meu pai. Ele foi escrito muito rápido e totalmente com o coração. Foi uma forma de homenageá-lo quando completou 70 anos. Não é uma biografia no sentido formal, é uma biografia escrita com o coração de uma filha e das memórias afetivas do pai que ele é para mim. Sem duvida, o desafio e toda a carga emocional são o que me tocou mais fundo até porque enquanto escrevia relia toda a minha vida. Posso arriscar que ali dei o start para escolher ser feliz... ali percebi que a vida leve é mais fácil de ser vivida, sentida e amada...

O Ser feliz é uma escolha tem uma outra carga emocional: é a primeira obra que posso dizer ser minha de verdade. Escolhi 50 poemas que contam minha história nos últimos 25 anos. A dor de perder meu grande amor... o nascimento dos meus filhos... as noites de insônia e solidão... as conquistas e as derrotas pessoais sem perder de vista quem sou. Mas como ser passional que sou, acredito que no próximo terei o mesmo sentimento. E quando estiver bem velhinha ainda estarei amando meu último verso, afinal, há ali um pulsar inteiro meu que posso compartilhar que posso me desnudar...

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