Jornal Rosa Choque
Publicidade

Cuiabá - MT, 21-05-2018 às 02:46

ONU reconhece história e trabalho de artesãs brasileiras

A exposição Mulher Artesã Brasileira traz objetos, fotografias, vídeos e livro sobre o trabalho de 15 mulheres que se dedicam ao artesanato sustentável.

A artesã e designer carioca Mônica Carvalho, 55 anos, aposta na sustentabilidade e beleza de materiais como fibras, sementes e madeira para criar objetos sofisticados, como móveis, itens de decoração, luminárias, espelhos e biojoias. | Creditos: Sebrae

A arte e a história de 15 mulheres artesãs de diferentes partes do País ficaram expostas na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque.

Trata-se da exposição Mulher Artesã Brasileira, que promoveu a imagem e a inserção do artesanato brasileiro no exterior, por meio de atividades socioculturais, que incluiram uma mostra de fotografia e de objetos, além de um documentário e de um livro de arte.

Entre as peças expostas estavam rendas, bonecas e panelas de barro, redes, peças de cerâmica, itens de vestuário, acessórios feitos com lã de ovelha e crina de cavalo e peças indígenas. São criações de mulheres de 12 estados brasileiros que se dedicam ao artesanato sustentável não somente como forma de subsistência, mas também como meio de transformação da realidade onde vivem.

Inovação, impacto social e criatividade foram alguns dos critérios utilizados no processo de seleção do grupo, que também se caracteriza por forte qualificação, com acompanhamento, inclusive, do Sebrae. Além de consultorias para ajudar na estruturação do negócio, a instituição capacitou as artesãs em design, gestão e formação de preço, por exemplo.

O projeto foi uma iniciativa da Associação Brasileira de Exposição de Artesanato (ABEXA), com patrocínio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e apoio do Instituto Centro Cape, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX – Brasil), da Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência e do Governo Federal.

 

Bonecas de barro

Nascida e criada no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, Maria José Gomes da Silva, mais conhecida como Zezinha, 45 anos, aprendeu a moldar o barro com sua mãe quando ainda era criança, para ajudar no sustento da família.

Das suas mãos nascem bonecas inspiradas em mulheres grávidas ou vestidas de noiva, que reproduzem com fidelidade vestidos ricos em detalhes, como renda e laços. “Dou a elas o que não pude ter”, lembra a artesã.

Da natureza, a ceramista retira a argila, disponível em várias tonalidades. Somente ela sabe identificar a cor antes da queima. Já os pigmentos para as tintas de oleio são provenientes de cascas de árvores, raízes e plantas. A extração é sustentável e dividida entre as mulheres da Associação de Artesãs de Coqueiro Campo, da qual ela participa.

 

Sofisticação com sementes e madeiras

A artesã e designer carioca Mônica Carvalho, 55 anos, aposta na sustentabilidade e beleza de materiais como fibras, sementes e madeira para criar objetos sofisticados, como móveis, itens de decoração, luminárias, espelhos e biojoias. “Presto atenção até em galho de árvore caído. Acho que tudo pode virar arte”, afirma Mônica Carvalho.

Formada em Letras, ela já foi professora de inglês, tradutora e intérprete. Há 13 anos, decidiu se dedicar integralmente ao artesanato.

A artesã estudou teoria da arte no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; no Metropolitan, em Nova York; e no Louvre, em Paris.

 

Acessórios feitos de lã de carneiro

Para driblar a crise da ovinocultura e evitar o êxodo rural, na década de 70, a gaúcha Elza Pozzobon Noal firmou parcerias para promover ações para fixar as famílias na zona rural de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, e manter viva a tradição e cultura da criação de ovelhas e do artesanato.

O trabalho não foi fácil, mas hoje a artesã é reconhecida como líder rural. A lã, antes usada para fazer mantas de cavalo, ponchos e cobertores para a família, transformou-se na principal matéria-prima para confeccionar cachecóis, colares e casacos.

Para participar de feiras regionais, o grupo de Uruguaiana e região recebeu capacitação do Sebrae e formatou uma coleção orientada pelo designer Renato Imbroise. Esse trabalho, que incluía até tramas sofisticadas de brincos e colares feitos com crina de cavalo, rendeu um convite para a Fashion Business, maior evento de negócios do Rio de Janeiro. Em solo carioca, as artesãs foram convidadas para expor na Rússia.

A produção ainda é pequena e a exportação, sazonal. No entanto, hoje, aos 70 anos, Elza se orgulha de ter transformado a cooperativa Lã Pura em uma fonte de sustento para os artesãos e suas famílias, entre 22 associados e 50 beneficiados indiretamente.

 

Representantes das cinco regiões brasileiras

Além das artesãs já citadas, também foram selecionadas pelo projeto Mulher Artesã Brasileira: Raimunda Nonata Silva Pinheiro Kaxinawa (Acre), Wendy Sherry Oliveira Barros (Alagoas), Maria Marli das Chagas Oliveira (Amazonas), Maria Miguel de Oliveira (Ceará), Berenicia Correa Nascimento (Espírito Santo), Juracy Borges da Silva e Gercina Maria de Oliveira (Minas Gerais), Neulione Alves Gomes e Lucileicka da Silva David (Mato Grosso), Maria das Dores Ramos Silva (Paraíba), Ivonete de Moura Santana (Pernambuco) e Raimunda Teixeira da Silva (Piauí).

 

Deixe seu comentário!

O Jornal Rosa Choque não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de caráter promocional, inseridos sem a devida identificação do autor ou que sejam notadamente falsos, também poderão ser excluídos.

Lembre-se: A tentativa de clonar nomes e apelidos de outros usuários para emitir opiniões em nome de terceiros configura crime de falsidade ideológica. Você pode optar por assinar seu comentário com nome completo ou apelido. Valorize esse espaço democrático Agradecemos a participação!

Todos os campos marcados com é de preencimento obrigatório.