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"Sonho grande" a motivação da mosaicista Cida Carvalho

Com a arte musiva Cida Carvalho construiu um legado respeitado em Curitiba e Brasília. Sempre se reinventando, ela também investe no segmento da moda, convertendo os mosaicos em estampas

"Luta é aprendizado sempre", diz a mosaicista que investiu sua vida na construção de um legado artístico que rende também frutos comerciais. | Creditos: Arquivo Pessoal -Cida Carvalho/Elda Lobo

A mosaicista Cida Carvalho conta sua história com tanta riqueza de detalhes que parece formar um mosaico, em suas diversas etapas, na justaposição de cores e formas, e nas nuances da luz e sombra, que acompanham os humanos. Muito além do mero figurativo e do abstrato, seu relato se constrói a partir do momento que nasce a menina, na cidade que é conhecida como a capital da amizade, Umuarama, interior do Paraná. Foi lá que engatinhou, deu os primeiros passos, mas não foi onde incursionou pelos caminhos da arte, que tanto acompanha sua jornada.

 

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Aos cinco anos de idade Cida mudou-se para a capital, Curitiba, cidade em que ela passou uma “vida inteira”, mesmo sem nela morar até os dias de hoje, talvez  disse isso pelas raízes que criou. Afinal, casou, teve seus filhos e também nutriu uma imensa paixão pelas artes. Carregava consigo um sonho de um dia conseguir viver só disso, e persegui a quimera deixando de trabalhar como secretaria de uma grande cooperativa medica para, não só cuidar das crianças, mas também para dar asas ao seu sonho.

Cida começou a dar forma ao mosaico do seu fazer artístico com um curso de história da arte e por ai ela foi juntando  as peças, montando seu  ateliê de pinturas antigas e começou a trabalhar. Seu maior sonho aos poucos ia se realizando. Equilibrou-se entre receitas e despesas e começou a atuar com a técnica musiva, o que considera uma espécie de amor arrebatador a primeira vista. (Foto: Cida Carvalho na Casa Cor Brasília - onde teve sua obra exposta)

A artista se especializou e começou a transmitir seu saber, no mural do conhecimento, pois começou a dar aulas.  “No começo poucos alunos que foram ficando e outros chegando, Descobri que  com esse nicho eu poderia ganhar dinheiro e cobrir minhas despesas fixas do ateliê, repor materiais etc. Assim foi durante algum tempo”, relata. 

Em 2002, um novo marco mescla-se a sua vida e ela tem que mudar a trajetória de caminhos, mas não do sonho que a abraçou, e por ela foi abraçado e isso, pode-se dizer, que em duplo sentido. O marido de Cida foi transferido para Brasília, e ela não sabia que o que a esperava era um grande desafio.

“Sair da minha terra aos 38 anos e começar de novo uma nova estrada de trabalho e luta mas não tinha dúvidas de que conseguiria. Com a pouca mais importante experiência adquirida em Curitiba tinha certeza da vitória. Só tinha que montar uma bela estratégia. Meu espírito sempre inquieto foi de empreendedora. Preparei um portfólio de trabalhos já realizados, projetos, um pequeno release para apresentar em ateliês de arte visando formar parcerias e ter toda infraestrutura para ministrar cursos e realizar meus projetos sob encomenda. Além da projeção do meu trabalho e nome, enquanto isso eu teria tempo e condições de avaliar as possibilidades de crescimento de mercado e como criar uma logística para que tal coisa acontecesse com baixo risco”, disse Cida, destacando um resultado muito positivo para todo seu esforço, que foi uma exposição em um shopping. “Foi a porta de entrada para meus trabalhos e cursos em Brasília”, mas foi além, pois ali se colocava as peças de um começo que ela considerou bem feliz. 

Felicidade que veio com maiores responsabilidades, Cida conta como trilhou o caminho. “Alguns dias depois comecei a ministrar meu curso na Casa das Artes. Sempre pensei em como o diferencial é fundamental para o sucesso de qualquer negócio e por isso Montei uma didática específica para ensinar a minha técnica”, disse a artista, destacando que a Casa das Artes é a maior loja de artigos para artesãos, artistas e publicitários no Distrito Federal e que tal parceria era muito boa,  pois com interesses iguais as duas partes trabalhavam em sintonia para que viessem alunos e clientes. (Foto da obra Olho- técnica Mosaico feita em 2013 por Cida Carvalho)

Cida conta que a parceria foi tão boa que durou de final de 2002 a 2008, e que nesse ínterim ela trabalhou  também em outro grande e importante ateliê que  tinha cursos livres como o  seu  e com valor agregado: uma  ótima clientela. “Conheci muitos artistas de destaque da cidade. Em termos de conhecimento somou muito para a minha formação. Procurava ter momentos de reflexão sobre o que já havia feito e o caminho para continuar. Tinha certeza. Estava no caminho certo. Tudo estava saindo como esperado”, enfatizou a artista.

E assim chegou a hora de Cida otimizar sua arte e melhor difundi-la. Criou um site e começou a a usar as redes sociais para divulgar seus  trabalhos e cursos. “Conciliava tudo e ao mesmo tempo procurava possibilidades de crescimento e focava.  Em 2008 dei um grande passo, já  conhecida e tendo uma ótima cartela de alunos e clientes. Aluguei um espaço só meu. Estava na hora de caminhar com minhas pernas”.

 A arte musiva impregnou em sua vida e, na sua trajetória, encontrou  várias formas de executar, expressar e expor o que vem da sua pulsante veia criativa. Na sua página, na internet talvez os leitores encontrem em poucas palavras o que de melhor ela concentra em sí, a  personalidade forte e inquieta que a faz criar, transformar e buscar sempre o aperfeiçoamento da sua arte, que buscou maior eco em outra capital, a do poder. 

(Foto da obra Flor de Pequi- da série Flores do Cerrado- técnica Mosaico que fez parte da eposição de Cida Carvalho, e que já foi utilizada em estamparia)

Íria Martins, que foi curadora da sua principal mostra,intitulada “CIDA Carvalho-  Mosaico, Luz, Formas. Poesia, disse que: “A arte musiva desperta fascínio desde sempre, infelizmente, porém, nem sempre suscita atenção, olhar analítico, calmo e sem pressa. Ilusão achar que a arte pode ser entendida em um relance. A arte musiva, então, pede um olhar concentrado, pede um tempo para a certa distância, se deixar seduzir por aquelas mágicas pedrinhas, quase minúsculas, que correm, escorrem, comunicam, encantam, iluminam. É preciso entregar-se à sutileza de luz e sombra, ao imaginário e só assim, com olhar compenetrado e analítico, fruir e entender a magia do artista  que inspira a existência humana. É essa inspiração com o visível simbolizando o invisível, que nos oferece a mosaicista Cida Carvalho nesta exposição”.

Cida diz que o mosaico é uma arte milenar e consiste em juntar fragmentos para formar um todo. “Como toda a arte ela se transforma, se atualiza, cria uma linguagem própria de acordo com seu tempo, necessidades e atualidades. Isso faz com que o sentido da arte se torne perene. É um trabalho que colabora para a  estética   do local onde é aplicado além de ser prático e principalmente perene. Implica também em demandar mão de obra especializada que é formada dentro dos cursos. Os projetos visam também transformar e criar obras maravilhosas com matériais novos e reciclados que podem ser reaproveitados como  restos de pedras nobres que comumente iriam para o lixo”. Ou seja, uma contribuição a sustentabilidade.

Com sua arte Cida contribuiu com o Instituto de Doentes Mentais que usava o mosaico como arte terapia. “Comecei então a fazer um trabalho juntamente com os arte terapeutas como noções de um bom acabamento, logística, ensinando como depositar resíduos sem comprometer o meio ambiente. Eles comercializavam pequenos objetos e com isso tinham renda. Cheguei a levar alguns trabalhos para eles e claro, remunera-los para isso”, disse.

 

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Em 2007, seguindo os conselhos de uma mestra mosaicista, Cida foi beber de ontras fontes. Embarcou para a Europa e conheceu  o berço do Mosaico. Foi uma oportunidade de pesquisar  a dinâmica de formação de profissionais, parceria e comercio dos grandes ateliês. “Foram dois meses inteiros conhecendo trabalhos, mosaicos do tempo do império Romano. Pesquisei e fotografei muitas obras. Quando voltei de lá estava com a cabeça cheia de planos mas, claro, Europa não é Brasil, tinha que adaptar meus   novos conhecimentos a nossa realidade”, salientou.

A partir da bagagem que trouxe de conhecimentos da Europa, Cida  começou  a investir mais em seus cursos, e a formar maior número de mosaicistas, seja para atuarem de frorma profissional ou como hobby.  “Quando o cliente entra em contato seja ele aluno ou para encomendar uma obra faço questão de convida-lo a conhecer o ateliê. Além de passar credibilidade com toda a certeza, é quase 100% de sucesso nas negociações”, disse.

Para Cida, o fato de ser mulher as vezes dificulta um pouco os processos de trabalho, mas para ela  isso soa como um desafio que faz com que a cada dia  procure mais conhecimento e experiência e com isso praticamente anula a dificuldade. “Sei que tem que partir de mim sempre a segurança do meu trabalho em todas as etapas. Desde criar o projeto dentro do estúdio, ponderar todos os aspectos e vender o meu conceito ao cliente até a hora de instalar um trabalho, orientar o peão da obra, subir em andaimes para finalizar um acabamento”, enfatizou.

Quanto aos cursos, entre Curitiba e Brasília lá se vão uns bons 20 anos de ensino e mais de mil alunos que receberam cursos ministrados com a expertise de Cida Carvalho  . Com esse nicho ela paga suas despesas fixas do ateliê. Pelo menos duas vezes por ano ela ministro workshops onde é contratada pelas empresas por ocasião de eventos como “qualidade de vida”.Cida fez  várias exposições dentro e fora do país. Em 2013 investiu em uma individual onde investiu  em  transformar trabalhos em estampas e criar um novo mercado frutífero com criações exclusivas. Ela  usou como tema da mostra a fauna e a flora do Cerrado e as formas de Brasília. “O retorno está chegando aos poucos, mas de uma maneira bem consistente. Hoje só, sou proprietária e artista do Estúdio de Mosaico Cida Carvalho  e Sócia proprietária da Biena Grife  de roupas feminina cujo foco são as estampas criadas por mim”.

(Foto confecção a partir da arte em Mosaico de Cida)

Recentemente, em Brasília ocorreu a XXIX Convenção da Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais-BPW Brasil, e foi de Cida Carvalho as estampas que vestiram as convencionais e em especial as associadas da BPW Brasília, da qual ela já faz parte. Na oportunidade Cida participou da ExpoConfam, feira paralela a Convenção. 

A artista empreendedora, por articulação de Sueli Batista, conselheira superior da BPW Brasil, iniciou uma conversa na ExpoConfam, com a coordenadora do Comitê de Negócios da BPW Brasil, Zilda Zompero (que adquiriu peças de sua confecção, a Biena) e com a vice-coordenaora, Mara Suassuna, que são respectivamente presidentes da BPW Cuiabá e da BPW Goiânia para parcerias futuras, na criação de produtos para os projetos Vitrine BPW de Oportunidades e Flor de Pequi. Cida já é uma mulher BPW Brasília e vê a possibilidade como expansão da sua arte pelo país, e quiça para o mundo. Afinal a organização pertence a uma rede internacional. 

(Foto Zilda Zompero, Cida Carvalho e Sueli Batista, na ExpoConfam em Brasília)

Cida diz que não existe vitória sem persistência. Como mulher que resolveu lutar pelos seus sonhos já casada e com filhos foi um pouquinho mais difícil pela dificuldade de conciliar os sonhos individuais com as “obrigações do lar”,  mas para ela  a luta é aprendizado sempre. “É errar o caminho, recuar e seguir em frente. É pensar que para tudo há uma solução. É colocar o objetivo lá na frente é procurar seguir em linha reta sem jamais desistir. Três palavrinhas nortearam minha carreira. Foco, fé e muito trabalho. Deixar  a sensibilidade trabalhar ao lado da razão e assim enxergar as oportunidades”, finaliza.

Em um dos mosaicos de Cida ela formou um pensamento de Paulo Leminski, poeta curitibano:  “isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além”. Assim a sua vida segue, formando o grande mosaico da vitória, que cabe principalmente as pessoas de mentes prósperas,que acreditam e não desiste dos sonhos. 

Veja mais no site da artista.

(Foto:  Mosaico com tema de Brasília estampada na confecção de Cida Carvalho, em peças usadas pelas participantes da CONFAM 2017) 

 

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Biameneses . 26-11-2017 21:10hs

Cida Carvalho é nossa mestra !!! Compartilhamos em seu ateliê toda terça-feira de momentos de aprendizado, de alegria, de inspiracao, e de amizade!! Ela consegue fazer um ambiente muito agradável, e nos motiva muito neste caminho de Mosaico...Gosto muito!!!! Parabéns Cida Carvalho!!! Guerreira!!!

Cida carvalho . 26-11-2017 22:11hs

Passando para agradecer a magnífica reportagem sobre minha trajetória e tambem para dizer que li as mais diversar repostagens aqui no Portal e amei o cuidado e qualidade dos textos , fotos e pessoas!!! Verdadeiras vitórias de vida de quem ousou escrever sua propria história e descobriu que é muito fácil fazer isso!!! É só saber o que se quer e correr atrás!!! Obrigada meninas pela oportunidade!!! Bjusss!!!

Cida Carvalho . 27-11-2017 00:56hs

Agradecendo a esse Portal pela oportunidade de fazer parte aqui das Mulheres que merecem destaque em suas trajetórias. Acompanho o Portal e estou me sentindo o máximo por estar entre essas maravilhosas e competentes mulheres!!! Muitíssimo Obrigada e prometo um belo e inspirador trabalho em parceria com as BPW Cuiabá e Goiânia!!! Grande abraço!!!

Mércia Dantas Tonheca . 27-11-2017 07:49hs

Cida Carvalho é uma mulher abençoada. Excepcional. Simples, não discrimina, trata a todos com a mesma simpatia, sempre com seu sorriso amigo. Suas qualidades como pessoa e como gente, refletem-se nos seus maravilhosos trabalhos, lindos, dignos. Como ela é.