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Dia Mundial de Combate à Obesidade

Obesidade e o excesso de peso atingem 30% das mulheres brasileiras em idade reprodutiva

Os cuidados devem começar desde cedo. A projeção é que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso e mais de 700 milhões serão obesos. | Creditos: PixaBay

Considerada um dos maiores problemas de saúde pública no mundo, a obesidade também é um dos fatores de risco para a fertilidade do homem e da mulher. O excesso de gordura pode afetar a ovulação e a qualidade dos espermatozoides, impedindo uma gestação de forma natural.

 

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Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam um aumento de 75% nos casos de obesidade nos últimos 10 anos. A projeção é que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso e mais de 700 milhões serão obesos. Estudam revelam que a maioria da população do mundo vive em países onde o sobrepeso e a obesidade matam mais pessoas do que o baixo peso. Mudanças no estilo de vida e hábitos alimentares podem estar relacionados ao crescimento dos números. 

No Brasil, a obesidade vem crescendo cada vez mais, segundo a ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica). Alguns levantamentos apontam que mais de 50% da população está acima do peso, ou seja, na faixa de sobrepeso e obesidade.


Obesidade feminina e a infertilidade

De acordo com os dados do Ministério da Saúde, a obesidade e o excesso de peso (IMC maior ou igual a 25) atingem 30% das mulheres brasileiras em idade reprodutiva (de 16 a 45 anos). No Reino Unido, a obesidade afeta um quinto da população feminina, sendo que 18,3% dessas mulheres estão em idade reprodutiva. “Estar acima do peso gera problemas hormonais anormais que afetam o processo reprodutivo. Existe uma relação entre a obesidade e a ação da insulina (resistência periférica à insulina), liberada pelo pâncreas, que pode levar a uma condição de infertilidade, conhecida como Síndrome do Ovário Policístico (SOP)”, explica o médico ginecologista e especialista em Reprodução Humana, Dr. Luiz Eduardo Albuquerque, diretor da Fertivitro.

De acordo com o especialista, a obesidade está associada a ciclos menstruais irregulares, problemas na ovulação e anovulação (falha da ovulação) e níveis elevados de hormônios masculinos, diminuindo, dessa forma, as chances de gestação.

O excesso de gordura corporal influencia, ainda, na produção do hormônio liberador de gonadotropina (GnRH), essencial para regular a ovulação nas mulheres. Especificamente, o GnRH provoca a liberação dos hormônios Folículo Estimulante (FSH) e Luteinizante (LH), ambos responsáveis pela produção dos óvulos.


Obesidade masculina e a infertilidade

A doença gera, também, efeitos negativos nos homens, o que traz impactos no desenvolvimento embrionário e nas taxas de gravidez. Há muitas evidências de que a obesidade masculina implica, igualmente, na redução da fertilidade e na qualidade embrionária.

No homem de peso considerado normal, ou seja, dentro do índice de massa corpórea (IMC entre 18,5 e 24,9), existe um estímulo natural dos testículos por hormônios vindos da hipófise (chamados de LH e FSH), que induzem a produção da testosterona (hormônio masculino), bem como estimulam o amadurecimento das células que irão se transformar em espermatozoides. Para haver fecundidade masculina, é preciso que o número de espermatozoides a cada ejaculação atinja valores ideais como: concentração maior ou igual a 15 milhões/mL e 40 milhões no ejaculado total; motilidade progressiva maior ou igual a 32% e morfologia pelo método de Kruger maior ou igual a 4%.

Dr. Luiz Eduardo Albuquerque explica que, quando o homem chega a um peso muito acima do normal, elevam-se os níveis da enzima aromatase e, consequentemente, uma maior quantidade de testosterona é transformada em estradiol (hormônio feminino). E, assim, o excesso de estradiol irá bloquear a hipófise, diminuindo os estímulos para o testículo produzir testosterona e espermatozoides. “Esse excesso de estradiol pode induzir o aumento de mamas no homem, reduzir a libido, causar disfunção erétil e a infertilidade”, ressalta.

Pesquisas também comprovam que homens acima do peso possuem um índice maior de fragmentação do DNA do espermatozoide, o que pode gerar problemas na fertilização. “A integridade do DNA espermático é importante para o sucesso da fertilização e para o desenvolvimento embrionário normal”, explica Dr. Luiz.

 

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Tratamentos

Se após um ano de tentativas para ter um filho de forma natural não ocorrer a gestação, o indicado é buscar ajuda nos tratamentos de reprodução assistida. “Antes de iniciar qualquer procedimento médico, o paciente fará uma série de exames para que o diagnóstico seja identificado e depois adotar o tratamento adequado”, esclarece Dr. Luiz Eduardo Albuquerque.

Existem três tipos de tratamentos para a infertilidade: coito programado, cuja relação sexual é programada no período fértil; Inseminação Intrauterina (IIU), que consiste em selecionar os melhores espermatozoides e colocá-los dentro do útero, para facilitar o encontro do óvulo com os espermatozoides; e a fertilização in vitro (FIV), em que a fecundação dos gametas (óvulos e espermatozoides) é feita em laboratório.

 

Sobre o Dr. Luiz Eduardo Albuquerque

Dr. Luiz Eduardo Albuquerque, diretor clínico da Fertivitro, é ginecologista especialista em Reprodução Humana. Mestre em Ginecologia pela Unifesp e pós-graduado em Ginecologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (RJ), possui o TEGO - Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, certificado pela FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

Em seu currículo internacional destacam-se: título de especialista em Reprodução Humana pelo Instituto Dexeus, certificado em Barcelona, na Espanha; membro da American Society for Reproductive Medicine (ASRM), nos Estados Unidos; e membro da European Society of Human Reproductive and Embriology (ESHRE), na Bélgica.

O profissional atuou como diretor do Núcleo de Esterilidade Conjugal do Centro de Referência da Saúde da Mulher, no Hospital Pérola Byington, em São Paulo (SP), durante os anos de 2001 a 2003. Atualmente, faz parte do corpo clínico da instituição, no setor de Reprodução Humana.

Foi médico do setor de Reprodução Humana da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), entre 2004 e 2014.

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