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Maitê Teixeira quebra tabus no Rally dos Sertões

Navegadora da equipe HND Racing, Maitê busca representar as mulheres na competição cruzando o Brasil de carro e desbravando paisagens desconhecidas no segundo maior rally do mundo

"Torço e luto para ser quebrado o tabu que mulheres não devem competir em esportes como esse", diz Maitê Teixeira. | Creditos: Leo Vianna

Aos 24 anos, a administradora de empresas Maitê Teixeira, trocou o ambiente formal do escritório por uma rotina nada comum. 

Junto com sua família, ela explora o Brasil por rotas repletas de desafios e muita adrenalina no Rally dos Sertões, segundo maior do mundo. Como recompensa, está o privilégio de conhecer paisagens inexploradas, lugares que se tornam únicos por sua beleza e mistério. 

 

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A paixão pelas estradas é hereditária. Com os genes vidrados em velocidade, seria inadequado não dar continuidade ao que se tornou uma tradição familiar. Seu pai, Antônio Carlos Teixeira, foi o primeiro. E, desde a primeira prova, Maitê já o seguia como acompanhante fiel. Só foi uma questão de tempo para migrar da plateia e assumir a função de navegadora, uma espécie de "GPS-humano" ou os "olhos do piloto", como popularmente são descritos na rua. O irmão Lucas Teixeira fez o mesmo caminho e, atualmente, é piloto na categoria Pró-Brasil. 

Os três formam a HND Racing que tem apontado como promessa entre as equipes nacionais.

Na modalidade, o ambiente tem predominância masculina. Unidas, as mulheres não somam nem 10% do número de participantes. Maitê busca quebrar esse tabu e desmistificar o senso comum que "rally é coisa para homem". Uma de suas inspirações é a história de vida da piloto, Helena Soares, única mulher que assume o volante em 2017. 

"O rally já é por si só um esporte de muita responsabilidade. A pressão já existe para todos os concorrentes, mas como sou mulher sinto os olhares de cobrança. É como se já estivessem esperando um deslize e que eu desista da competição por ser tão exaustiva".

 

Conheça a trajetória de Maitê Teixeira conta em uma entrevista exclusiva ao Portal Rosa Choque. 

 
Rosa Choque: Como nasceu o interesse pelo Rally? Seus familiares ou amigos se assustaram ou deram total apoio?
Maitê Teixeira: Desde pequena eu acompanhava meu pai nas trilhas de off road. Com o passar do tempo, ele migrou para a caminhonete para competir o rally de velocidade, que é muito mais adrenalina. Com isso, essa paixão pelo esporte foi se consolidando. Minha mãe super apoia. Mas em todas as competições e treinos ela fica preocupada. Minhas avós também e sempre dão recomendações do tipo: "não corre muito! Vai devagar !" (risos).
 
Rosa Choque: Por quais atividades um navegador é encarregado?
Maitê Teixeira: O navegador é de extrema importância dentro do carro. Ele é como se fosse os olhos do piloto. Quem dita o caminho e fala todas as observações da planilha. Tudo que é dito para o piloto, o faz acelerar em trechos possíveis ou desacelerar em trechos perigosos. A dupla bem alinhada consegue fazer a prova com muito mais eficiência, diminuir o tempo e evitar acidentes.
 
Rosa Choque:  Sua equipe é a HND Racing. O carro que você segue como navegadora tem o seu pai no volante, e o seu irmão também faz parte da equipe em outro veículo. Tudo em família fica mais fácil? Ou vocês são muito exigentes? Um acaba incentivando o outro? 
Maitê Teixeira: Quando o caminho já esta trilhado tudo fica mais simples, graças a experiência que meu pai adquiriu ao longo dos anos. Como é um esporte que exige muita organização, profissionalismo, planejamento, temos que estar sempre preparados, então, a exigência já vem de cada um de nós. Todos tem sua função dentro da equipe, mas estamos sempre ajudando uns aos outros. 
 
Rosa Choque:  Você está em um ambiente predominantemente masculino. Poucas mulheres se arriscam nessa modalidade esportiva. É muita responsabilidade, tem aquela pressão? Como você se sente privilegiada?
Maitê Teixeira: Sinto que sou privilegiada por poder representar as mulheres e inspirá-las. Torço e luto para ser quebrado o tabu que mulheres não devem competir em esportes como esse. O rally já é por si só um esporte de muita responsabilidade. A pressão já existe para todos os concorrentes, mas como sou mulher  sinto os olhares de cobrança. É como se já estivessem esperando um deslize e que eu desista da competição por ser tão exaustiva.
 
Rosa Choque:  É muito comum escutar piadas sobre as mulheres ao volante. Você fica um pouco brava com essas brincadeiras?
Maitê Teixeira: É verdade, essas piadinhas sempre acontecem principalmente em trânsito. Mas quando é direcionada pra mim, eu não fico brava. Não me incomoda. Mesmo sabendo que tenho muito o que aprender para me tornar uma excelente piloto, sou confiante no volante e sei que coloco muito homem no chinelo (risos).

 

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Rosa Choque:  As pessoas ficam muito surpresa quando você fala da sua atuação no Rally?
Maitê Teixeira: Muuuito! É engracado a reação das pessoas porque ao mesmo tempo que ficam muito surpresas e demoram a acreditar, depois ficam admiradas e acham super legal eu estar envolvida em um esporte tão radical. 
 
Rosa Choque: Fazer parte do segundo maior Rally do mundo é muito significativo, trabalhoso, mas também tem as suas vantagens, como, por exemplo, explorar as paisagens do país por uma ótica nada comum e super radical. Quais lugares você já passou competindo que mais a marcou? 
Maitê Teixeira: Na verdade, é a primeira vez que vou competir um campeonato de rally desse porte. Antes eu só competia no campeonato Mineiro, que a maioria são em pistas fechadas. 
 
Rosa Choque: E as expectativas para o  Rally dos Sertões 2017? Você participa de quais etapas (cidades)? Está muito ansiosa? O que espera encontrar?
Maitê Teixeira: Estou muita ansiosa e muito feliz de estar realizando um sonho. É um dos maiores campeonato de rally do mundo, além de enfrentar todo desafio da prova, vamos viver experiências incríveis e conhecer lugares maravilhosos. Vou participar das 7 etapas do rally, onde vamos começar em Goiânia e finalizar em Bonito. Cada etapa para em uma cidade, são elas: Goianésia, Santa Terezinha de Goiás, Aruanã, Barra do Garça, Coxim e Aquidauana. Vamos passar por lugares maravilhosos, que talvez se não fosse o Rally eu não conheceria. Vamos viver experiências incríveis e conhecer outras culturas.
 
Rosa Choque: Em meio a toda essa correria há tempo para ser vaidosa? Tem como ser fashionista neste segmento ou, no mínimo, passar um batom ou maquiagem?
Maitê Teixeira: Na preparação da mala eu até coloco maquiagens, secador, cremes e etc para levar, mas na hora que estou lá totalmente envolvida com o momento não dá tempo de preocupar com a vaidade. Nada como um dia no salão quando acabar o campeonato não resolva. haha 
 
Rosa Choque:  Quem é sua maior inspiração? Tem alguma mulher que também compete que você fale: "Quero ser assim igual a ela"?
Maitê Teixeira: Tenho a Helena Soares como inspiração no esporte. Ela começou no rally do sertões também como navegadora e depois se tornou piloto. Pretendo seguir o mesmo caminho.

 

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