Jornal Rosa Choque
Publicidade

"Eu sou muitas": exposição sobre a violência nos relacionamentos

Exposição fotográfica, oficina e bate-papo com a idealizadora do projeto Karlla Girotto são algumas das atividades que convidam o público a refletir sobre o tema

Os encontros serão entre 29 de agosto e 19 de setembro, terças-feiras, às 14h00 e as mulheres interessadas devem se inscrever na Oficina Cultural até 18 de agosto | Creditos: Divulgação: POIESIS

No Brasil, a violência silenciosa aprisiona milhões de mulheres diariamente. O país ocupa o 5º lugar no ranking de feminicídio de acordo com a ONU Mulheres. Além disso, 3 em cada 5 mulheres sofreram, sofrem ou sofrerão violência em um relacionamento afetivo. Para fomentar o debate sobre relacionamentos abusivos e machismo, a Oficina Cultural Alfredo Volpi, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo gerenciada pela Poiesis, recebe em agosto o projeto Eu sou muitas, de Karlla Girotto. A iniciativa inédita na oficina une por meio das artes visuais, mulheres vítimas de relacionamentos abusivos. A programação tem início dia 8 de agosto e reúne exposição fotográfica, bate-papo com a artista e oficina para confeccionar máscaras que posteriormente farão parte da exposição.

 

Leia mais:

Curta "Namoro à Distância" tem estreia mundial

Nova obra da jovem escritora Ana Beatriz Brandão entra em pré-venda

 

A exposição reúne 14 fotografias de mulheres que participaram do projeto e criaram máscaras a partir do conto A dama do mar, adaptação de Susan Sontag para uma obra de Henrik Ibsen. A mostra passou pelo Sesc Ipiranga em 2016, e todas as fotos são resultados de um longo processo de leitura do conto, discussão sobre sociedades matriarcais – nas quais a noção ocidental do papel masculino patriarcal é deslocada e o eixo social e econômico é baseado na figura da mulher, e confecção de máscaras de acordo com as referências estéticas das sociedades apresentadas. 

“A máscara tem inúmeros e importantes vínculos com o Eu sou muitas. É como se fosse possível elaborar uma pele a partir da qual a comunicação com o mundo se torna possível e, considerando as participantes, o anonimato é parte importante. Voltando ao texto no qual o projeto está baseado [A dama do mar], há uma passagem na qual diz que a personagem sente-se com a pele roubada e, ao fim do texto, parece estar bordando algo que pode ser interpretado como a sua própria pele. Após a confecção da máscara as participantes são convidadas a fazer uma foto com a nova pele, o novo rosto, e é essa fotografia que faz parte da mostra”, conta Karlla Girotto, idealizadora do projeto.

 

Curta o Portal Rosa Choque no Facebook

 

Na roda de conversa com a artista que será dia 8 de agosto, terça-feira, às 20h00, Karlla fala sobre o processo de criação, a produção coletiva com as participantes das oficinas do projeto e a importância de falar sobre a violência doméstica para que o assunto deixe de ser tabu. “A mulher que passa por violência doméstica tem vergonha de admitir, se acha fraca por ainda estar com um homem que a maltrata mesmo não tendo forças para sair da situação. E depois, quando consegue se distanciar terminando o namoro/casamento/relacionamento, demora um tanto para elaborar o trauma e começar a falar”, diz Karlla.

A oficina Convocatória aberta: eu sou muitas incentiva as participantes a criarem sua máscara e contribuírem com a exposição. Os encontros serão entre 29 de agosto e 19 de setembro, terças-feiras, às 14h00 e as mulheres interessadas devem se inscrever na Oficina Cultural até 18 de agosto.

 

Sobre Karlla Girotto 

Karlla Girotto é artista, professora e pesquisadora nas áreas de artes visuais e moda. Mestre em Psicologia Clínica pelo Núcleo de Estudos da Subjetividade PUC/SP, tem como principais eixos de pesquisa: modos de existência como produção artística, linguagens artísticas híbridas e processos de criação e produção de subjetividades. Coordena o grupo de pesquisa e propostas estéticas G>E, que gerou o projeto Ateliê Vivo – ambos sediados na Casa do Povo juntamente com seu ateliê. Coordenou com Thelma Bonavita o grupo de estudos em moda e performance Mutantes na Sala de Jantar e o Como Clube de Desenh, ambos no Como Clube. Participou de exposições na Pinacoteca do Estado de São Paulo, Museumsquartier (Viena, Áustria), Itaú Cultural, Galeria Vermelho, Ateliê 397, FAAP, Mostra Sesc de Artes, Semana de Design de Munique (Alemanha), Galeria Virgílio, Oficina Cultural Oswald Andrade, Museu da Casa Brasileira, Centro Cultural Banco do Brasil, Memorial da América Latina.

Deixe seu comentário!

O Jornal Rosa Choque não se responsabiliza pelos comentários aqui postados. A equipe reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de caráter promocional, inseridos sem a devida identificação do autor ou que sejam notadamente falsos, também poderão ser excluídos.

Lembre-se: A tentativa de clonar nomes e apelidos de outros usuários para emitir opiniões em nome de terceiros configura crime de falsidade ideológica. Você pode optar por assinar seu comentário com nome completo ou apelido. Valorize esse espaço democrático Agradecemos a participação!

Todos os campos marcados com é de preencimento obrigatório.