Jornal Rosa Choque
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Cuiabá - MT, 22-07-2019 às 22:55

Aos 16 anos, 'Fotógrafo do Ano' é sensação na Europa

David Uzochukwu pegou pela primeira vez uma câmera quando tinha apenas dez anos e, agora, faz sucesso na Europa.

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Um otógrafo de 16 anos tornou-se sensação na Europa pela qualidade de seu trabalho e seu precoce percurso autodidata. David Uzochukwu pegou pela primeira vez uma câmera quando tinha dez anos. Aos 13, as fotos de viagens de família, feitas com o equipamento barato da mãe, deram lugar a elaborados autorretratos conceituais.

Dois anos mais tarde, em 2014, David foi eleito 'Fotógrafo do Ano' entre 15 mil competidores de 150 países, no prestigioso concurso EyeEm, realizado em Berlim. "No minuto em que descobrimos o perfil de David entre os candidatos soubemos que estávamos diante de algo especial", afirmou à BBC Brasil Severin Matusek, membro do júri do concurso, que descreve Uzochukwu como "um artista excepcional". "Aos 15 anos, ele era capaz de criar com suas fotos uma atmosfera única, que gera imediatamente uma conexão emocional entre o sujeito, que muitas vezes é ele próprio, e o público", comenta Severin Matusek.

O trabalho do jovem já foi exposto em galerias de Paris, Nova York, Toronto, Duesseldorf, Tóquio e de Londres, e conquistou os prêmios Canon x Exhibitr Student Photography Award e Flickr 20 Under 20.

Ele também chamou a atenção da agência francesa Iconoclast Image, que desde o começo do ano representa Uzochukwu.

Para o artista, a fotografia segue sendo um hobby, mais que um trabalho. "Só fotografar me dá prazer. Não vejo sentido em fazer um trabalho com o qual não possa me identificar. Quero oferecer um trabalho sincero e, por enquanto, não tenho contas a pagar", disse em entrevista à BBC Brasil. "Meu negócio sempre foi tentativa e erro, e alguns tutoriais online. Acho divertido descobrir uma ferramenta com o tempo, experimentando", explicou.

Para ter liberdade para refazer uma mesma imagem repetidas vezes, Uzochukwu optou por começar a fotografar autorretratos. Suas fotos foram associadas a sensações como melancolia, influenciadas, talvez, pelas experiências de vida do jovem nascido na Áustria, de pai nigeriano e mãe austríaca, ambos sem qualquer conexão com o mundo da arte.

Uzochukwu mudou-se para Bruxelas há pouco mais de um ano, em companhia da mãe e da irmã, deixando o pai em Luxemburgo, para onde a família tinha se mudado quando o garoto tinha seis anos. "Tudo isso me moldou. É de partir o coração e, ao mesmo tempo, rejuvenescedor ter uma visão interior de diferentes países e cidades com atmosferas muito diferentes. Também faz com que eu sempre sinta saudade de alguém", explicou o garoto.

Atualmente, Uzochukwu cursa o último ano do ensino secundário e divide seu tempo livre entre a fotografia e em preparar cartas se candidatando a vagas em universidades. "Estou procurando faculdades de cinema, mas também considero aulas de filosofia ou biologia. Eu meio que só quero aprender!", afirma.

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